SOCIEDADE

O primeiro Dia das Mães como primeira-dama

Marilza Singolani, 59, ainda hoje dá conselhos ao prefeito Diego Singolani

O primeiro Dia das Mães como primeira-dama

A primeira-dama Marilza Singolani, mãe do prefeito Diego Singolani

Publicado em: 08 de maio de 2021 às 01:33
Atualizado em: 08 de maio de 2021 às 01:39

Sérgio Fleury Moraes

Comerciante há anos, Marilza Fátima Singolani Costa, 59, vai passar o primeiro segundo domingo de maio como a mãe do prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo. Ela é mãe de Diego Henrique Singolani Costa, 33, eleito no ano passado. Casada com José Francisco Bezerra Costa, também é mãe de Wellington e, numa atitude de puro amor, adotou Perla, que é especial e cadeirante, hoje com 36 anos. Por conta do filho prefeito, Marilza foi escolhida “primeira-dama” do município, responsável pelo Fundo Social de Solidariedade. Como mãe, Marilza conta que os dois filhos brigavam muito na infância. “Eles me deram um baile, mas sempre foram excelentes filhos”, disse.

A primeira-dama, embora de hábitos simples, é aquele tipo de mulher, digamos, “descolada” e moderna. Além de mãe, é a melhor amiga e conselheira dos filhos. Diego e o irmão Wellington, segundo ela, têm personalidades diferentes. O prefeito, por exemplo, é mais expansivo e aberto. “Ele sempre gostou de trazer os amigos para casa. Teve uma vez que eu estava limpando os cômodos e havia 16 meninos espalhados pela casa”, brincou. Como de costume, ela não se incomodou.

Marilza, aliás, quer distância do fogão, embora saiba cozinhar. “Não é minha praia. Meu negócio é limpeza”, disse. De fato, tanto a loja de roupas usadas — o “Breshopping”, na avenida Tiradentes — como a residência, que fica ao lado, são impecavelmente limpos. “Eu adoro limpar a casa, lavar quintal, estas coisas”, admite.

Marilza mostra boneca restaurada; ao lado, álbum de família com fotos do prefeito

Cabeleireira durante dez anos antes de se arriscar no comércio, ela precisou abandonar a profissão. “A tinta começou a me atacar o fígado”, explicou. Ela e o marido também comandaram um restaurante e, depois, uma lanchonete.

A primeira-dama conta que chegou a ter duas lojas quando o filho Diego ainda era adolescente. “Ele tinha uns 13 anos e me ajudava muito. Num final de ano, pedi para ele cuidar da loja menor, que ficava na rua Antônio Mardegan e só tinha uma funcionária. Para surpresa nossa, eles venderam quase todo o estoque em poucos dias”, lembrou. Era o garoto já demonstrando habilidade para conversar, que anos depois se tornaria a marca registrada de seus discursos.

Marilza conta que teve dificuldades para criar os dois primeiros filhos, uma vez que nem sempre o comércio é uma atividade lucrativa. “A gente passava apertado. Dinheiro não tinha, mas graças a Deus comida nunca faltou”, lembra. “Na verdade, nunca tivemos luxo. Quando os dois começaram a trabalhar, eles também ajudavam no orçamento”.

Hoje, ela também se tornou uma artista, pintando quadros e peças de artesanato. Aliás, os manequins e bonecas do brechó são todas reformadas por Marilza, desde o corpo às roupinhas. Quem passa pela loja, imagina que são produtos novos.

Diego e Wellington também eram diferentes na escola. “O Wellington dava mais trabalho. O Diego, porém, sempre foi muito estudioso. Quando ele terminou o ensino médio no ‘Leônidas’, o diretor me chamou. Fiquei preocupada, mas ele queria dizer que a escola estava entregando de volta uma joia rara, já que o Diego sempre alcançou boas notas, não teve uma única falta e nunca foi parar na diretoria”, conta, orgulhosa.

Marilza sempre quis ter uma menina, mas nasceram dois homens. “Quando me casei, meu marido já era separado e também tinha um filho homem”, lembrou. “Então, resolvemos não arriscar mais”, diz, rindo. No entanto, alguns acontecimentos tristes fariam o casal obter a guarda de Perla, 36, que adotou como filha. O principal, claro, foi a vontade de Marilza e o apoio do marido e dos filhos.

Na verdade, Perla, uma menina especial, era vizinha da família e muito apegada à Marilza. A mãe da garota, Maria Luiza, teve todo o auxílio de Marilza quando começou um tratamento contra um câncer. Numa das consultas matinais, ela acompanhou a amiga na ambulância com destino a Jaú. “Saíamos às 7h30 e ela até quis ir no banco da frente, mas durante a viagem me pediu alguns favores. Com a voz baixa, disse que eu deveria cuidar das plantas dela e da filha, pois achava que não voltaria mais. Eu até disse que ela estava falando bobagens, mas o fato é que não voltou mesmo”, conta. Maria Luiza morreu naquela manhã às 10h.

Marilza em foto de família

Marilza e o marido ainda cuidaram do pai de Perla, “Alemão” Soret, que ficou muito depressivo e também morreu algum tempo depois. Foi, então, que Perla se tornou a irmã de Diego e Wellington. “Não tive uma menina bebê, mas a Perla é muito querida e será eternamente uma criança”, disse.

A primeira-dama confessa que nunca imaginou que seria a mãe do prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo. “Primeiro, ele me consultou quando recebeu o convite para ser o secretário de Saúde. Eu disse que competência ele tinha de sobra, mas meu conselho foi ter muita paciência, nunca deixar o cargo subir à cabeça e fazer o que puder para ajudar o próximo. Ele aceitou e acredito que deu conta do recado”, afirmou.

Anos depois, veio a opção pela política e o convite para ser candidato a prefeito. Novamente Diego procurou a mãe para se aconselhar e a primeira reação de Marilza foi: “Ah, filho, não mexe com isto não. É difícil agradar toda uma cidade, pois nem Jesus agradou a todos”. Mas a conversa evoluiu e Marilza percebeu que o filho tinha um certo entusiasmo pela política. Houve, enfim, a “bênção” da mãe. “Eu procurei prepará-lo, pois uma eleição sempre é incerta”, contou.

Marilza participou da campanha, acompanhando as caminhadas de Diego. No dia da eleição, o candidato exerceu o voto acompanhado dos pais. Depois das 17h, na terceira urna já era possível perceber que a vitória seria esmagadora. “O Wellington veio correndo avisar que eu era a mãe do novo prefeito. Foi emocionante”, lembrou.

De repente, a preocupação de mãe. Dezenas de pessoas passaram a se aglomerar na frente da casa e todos queriam abraçar o prefeito eleito em plena pandemia. “Eu fiquei apavorada, mas não conseguia segurar as pessoas. Eu coloquei até um banquinho para o Diego ficar sentado, mas não tinha jeito. As pessoas queriam tocá-lo. Quis Deus que ninguém fosse contaminado”, disse.

A transformação do filho em prefeito também mudou um pouco a rotina da família. Diego continua almoçando com os pais, mas seus horários são incertos. “Um dia, devido ao drama da pandemia, ele chegou tão triste que nem quis almoçar”, contou Marilza. Nestas horas, vale sempre o carinho da mãe.

Depois da posse, em janeiro, Marilza Singolani foi escolhida para ser a primeira-dama do município, pois Diego está solteiro. Como tal, foi nomeada presidente do Fundo Social de Solidariedade, um cargo sem remuneração. Ficou assustada e, num ato de sinceridade, pensou que a origem humilde pudesse atrapalhar. “Mas já me explicaram como funciona e agora estamos trabalhando na campanha do agasalho”, disse.

Como mãe do prefeito e comerciante de um brechó, Marilza diz que é difícil para ela pedir a doação de agasalhos. “Vão pensar que é para a minha loja”, admite. Aliás, ela pediu para não divulgar uma atitude, mas a reportagem resolveu não atendê-la. É que Marilza está doando uma grande parte de todo o seu estoque para a campanha do agasalho do Fundo Social de Solidariedade. São caixas repletas de roupas que vão esquentar o inverno de muitas famílias carentes. Afinal, como aquele conselho que Marilza deu a Diego há anos, é preciso fazer de tudo para ajudar o próximo.  

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