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Papa lamenta morte do bispo santa-cruzense d. Pedro Zilli

Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo, d. Pedro atuava na Guiné Bissau e morreu após contrair Covid

Papa lamenta morte do bispo santa-cruzense d. Pedro Zilli

Dom Pedro Zilli (à direita) durante encontro com o Papa Francisco

Publicado em: 03 de abril de 2021 às 00:37
Atualizado em: 03 de abril de 2021 às 00:54

Sérgio Fleury Moraes

O papa Francisco lamentou a morte do bispo dom Pedro Zilli, que atuava há décadas numa paróquia de Batafá, cidade da Guiné-Bissau, na África. A CNBB também emitiu nota de lamento pela morte do bispo que nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo. “O irmão enviado como missionário para evangelizar parte do povo da África não enfrentou tempos fáceis em solo africano”.

Dom Pedro Zilli morreu na manhã de quarta-feira, 31, ao não resistir à contaminação pela covid-19. Segundo o radialista Souza Neto, da Difusora FM, que passou duas temporadas com o bispo na Guiné-Bissau, ele teria contraído a covid pela segunda vez, quando a doença foi muito mais forte.

Pedro Zilli tinha 65 anos e a notícia de sua morte ecoou pelo planeta, com notas de pesar de praticamente todas as dioceses.

Na casa de Valdecir “Pneu”, durante entrevista ao jornal em 2018 (Foto: Sérgio Fleury)

O presidente da Guiné, Umaro Sissoco Embaló, emitiu nota “em nome do povo guineense” em que apresenta as condolências à Igreja e aos familiares de dom Pedro Zilli. Segundo o presidente, o bispo de Bafatá “se distinguiu sempre pela sua ação em prol da reconciliação nacional entre os guineenses e pelo diálogo inter-religioso”.

O presidente da República destacou, ainda, “estar convencido de que o saudoso bispo de Bafatá deixa memórias de dedicação e que os guineenses vão saber honrar a sua memória, promovendo e reforçando o seu espírito de diálogo, de reconciliação e de oração para que Deus abençoe a Guiné-Bissau”.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade de vários parentes do bispo, a comoção foi grande, com publicações nas redes sociais e manifestações católicas em igrejas.

Embora nascido em Santa Cruz do Rio Pardo, Zilli passou as últimas quase três décadas em Guiné-Bissau, na África, onde era bispo da diocese de Bafatá. Filho de lavradores de família tradicional na comunidade católica, dom Pedro Zilli nasceu na zona rural de Santa Cruz, próximo à antiga fazenda Jamaica.

Mais velho dos cinco irmãos, foi para o Paraná ainda jovem, aos 16 anos, onde conheceu o Instituto Pime (Pontifício Instituto das Missões Exteriores) e logo foi ordenado padre. Em poucos meses, já estava na Guiné-Bissau. Aliás, dom Pedro foi o primeiro bispo brasileiro em missão na África.

Na Guiné, o santa-cruzense praticamente se encontrou, trabalhando na evangelização de um povo muito pobre e num país sem as mínimas condições de saneamento básico. Na verdade, ele foi para a África preparado para o mais difícil. “Diziam que não havia sequer alimentos. Isto me ajudou muito”, contou ao jornal numa entrevista.

Com Souza Neto (à esquerda), de quem d. Pedro Zilli era próximo

Mas houve outros obstáculos. Na Guiné, predominam as religiões afros — que no Brasil adquiriu formas diferentes como umbanda e candomblé — e muçulmanos. Apenas 10% ou 15% da população é cristã.

“Em alguns bairros, não há um único cristão”, disse o bispo santa-cruzense há três anos, em entrevista ao DEBATE. Os católicos estão em Guiné Bissau desde 1500, quando os portugueses colonizaram a região. No entanto, o bispo dialogava sem problemas com líderes de outras religiões.

Em Batafá, dom Pedro criou a “Casa das Mães”, um local para abrigar mulheres com bebês recém-nascidos. Elas só deixavam o abrigo quando os bebês estivessem a salvo, já que a mortalidade infantil no país africano ainda é grande.

O bispo, apesar de seu amor pela África, nunca se esqueceu de Santa Cruz do Rio Pardo e costumava visitar a cidade natal com frequência. Em 2018, por exemplo, ele celebrou a cerimônia de ordenação de dois frades na igreja Matriz de São Sebastião.

O radialista Souza Neto, da rádio Difusora, viajou duas vezes a Guiné-Bissau, a convite do bispo dom Pedro Zilli. Na primeira, ajudou a implantar a filial de uma emissora em Butafá. Depois, deu cursos para seminaristas.

O corpo do bispo foi sepultado na igreja de Batafá, já que o translado para o Brasil seria inviável. Neste sábado, 3, estava prevista uma carreata às 9h em homenagem ao bispo, saindo do Palácio da Cultura “Umberto Magnani”, onde Pedro deixou suas marcas na “Calçada da Fama”, e terminando na igreja de São Benedito após percorrer várias ruas da cidade. A homenagem está sendo coordenada por Valdecir Mariano de Souza, o “Pneu”, que é tio do bispo.

Segundo Souza Neto, o bispo santa-cruzense viveu anos violentos na Guiné Bissau, com uma guerra civil que até hoje mutila pessoas com a explosão de minas abandonadas.

No entanto, sempre tinha um sorriso no rosto e estava pronto para ajudar as famílias carentes. “Quando eu contraí malária, numa das viagens, o bispo abandonou o que estava fazendo e foi atrás de remédios para mim. E depois ainda ficou cobrando diariamente se eu estava tomando os medicamentos”, contou o radialista.

O bispo dom Pedro Zilli foi sepultado na pequena igreja de Bafatá, na Guiné Bissau, onde atuou por mais de 20 anos. Como foi vítima da covid-19, não houve velório.

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