SOCIEDADE

Policial ‘Tinho’ Honorato não morreu de Covid-19

Resultado negativo só veio após a morte por embolia

Policial ‘Tinho’ Honorato não morreu de Covid-19

Publicado em: 17 de julho de 2021 às 01:45
Atualizado em: 17 de julho de 2021 às 01:45

Sérgio Fleury Moraes

O policial civil Roberto José Honorato, que morreu no início do mês, não foi vítima da covid-19, ao contrário do que foi informado em praticamente todos os órgãos de imprensa de Santa Cruz do Rio Pardo e região, inclusive pelo DEBATE. Segundo a viúva Eliane Simão Perez Honorato, o marido pode ter morrido pela falta de um diagnóstico preciso de embolia pulmonar, já que em pelo menos dois atendimentos a suspeita era de covid.

“Tinho”, como era mais conhecido, foi um dos mais queridos e respeitados policiais civis de Santa Cruz do Rio Pardo e região, uma vez que também fazia plantões na cadeia pública de São Pedro do Turvo. Sua morte aconteceu no dia 6 de julho e chocou a cidade.

Não houve velório, mas amigos e familiares participaram de um cortejo que saiu do prédio da antiga Delegacia de Polícia até o cemitério de Santa Cruz. Para as últimas despedidas, policiais de toda a região estiveram presentes, assim como alguns de outros municípios, inclusive delegados.

Eliane, que também é policial, contou que no domingo, 4, o marido estava bem disposto e prometeu cozinhar para um pequeno grupo da família no domingo seguinte. Em seus últimos dias, Roberto Honorato estava feliz pela presença do filho Victor Elias, estudante de Medicina em Barretos, que passou dez dias em Santa Cruz do Rio Pardo.

Na noite de segunda, Eliane disse que “Tinho” reclamou de dores nas costas. Nem conseguiu dormir, mas na manhã seguinte foi cumprir um plantão em São Pedro do Turvo. Horas depois, ele telefonou para a esposa avisando que as dores aumentaram e que ele iria ao Posto de Saúde daquela cidade.

Os profissionais que o atenderam afirmaram que o sintoma era típico da covid-19 e entregaram ao policial um “kit covid” com alguns medicamentos, além de realizar um exame para detectar o vírus. Roberto retornou para sua residência, mas as dores continuaram.

A viúva, então, levou o marido para a Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo, onde “Tinho” foi medicado com soro e liberado. “Em casa, ele até tentou dormir, mas pouco tempo depois pediu socorro porque mal podia respirar”, contou. Desesperada, Eliane conseguiu colocar o marido no carro, rumo ao hospital. “Nem o deixei colocar os sapatos. Foi de chinelo mesmo porque percebi que a situação era grave”, disse.

A esta altura, Roberto já não conseguia falar. Eliane reclama que ainda precisou preencher uma ficha no hospital enquanto o marido agonizava. “Um enfermeiro percebeu e correu para buscar uma bomba de oxigênio portátil. Mas o aparelho não estava funcionando. Ouvi meu marido murmurando que não iria aguentar até que ele fechou os olhos”, disse.

Foi aí que o policial civil foi levado para atendimento no interior do hospital. Seus lábios estavam roxos. “Na mesma hora, eu corri para avisar um médico, a duas quadras da Santa Casa. Na volta, me chamaram e a morte do Tinho me foi comunicada. Foi uma tristeza imensa”, disse.

Roberto Honorato tinha 55 anos e foi sepultado na quarta-feira, 7, sem a realização de velório. Dois dias depois, chegaram os exames. Ele não tinha a covid-19.

“E nunca teve. Eu já peguei a doença no início do ano e não o contaminei. Seguimos todos os protocolos, ficamos isolados um do outro na casa e o Tinho fez dois exames. O primeiro, logo após a minha contaminação e o segundo, quando decidimos visitar a mãe dele. Todos deram resultados negativos”, contou Eliane.

A policial civil está enfrentando os últimos dias à base de medicamentos. No entanto, está revoltada com a falta de diagnóstico e ante a constatação de que na saúde pública qualquer sintoma é imediatamente associado à covid. “Meu marido ainda poderia estar aqui, caso alguém percebesse o que realmente estava acontecendo. Bastava uma injeção de anticoagulante”, afirmou.

O consolo de Eliane é que esta informação seja do conhecimento de toda a população. “É um alerta para todos que pode salvar vidas. Nem todos os problemas estão relacionados à covid”, advertiu a policial

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