SOCIEDADE

Precisamos falar sobre a depressão

Casos aumentaram exponencialmente durante a pandemia, alerta psicóloga

Precisamos falar sobre a depressão

Publicado em: 20 de fevereiro de 2021 às 15:03
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 08:17

André Fleury Moraes

É uma doença silenciosa, que não tem alvo específico e pode acometer quem quer que seja. Muitos a classificam como o mal do século. A dor às vezes é tanta que a vítima vê na morte a única saída.

Nas últimas semanas, casos de suicídio colocaram psicólogos e a população de Santa Cruz do Rio Pardo em alerta. O mais marcante foi o do advogado Marcelo Picinin.

A doença ficou ainda mais acentuada após o início da pandemia, já que a sociedade em geral sofreu limitações. O isolamento social, embora essencial, fez com que 80% dos brasileiros se sentissem mais tristes ou ansiosos. Os dados preocupam a psicóloga Andreia Cristina Cristina Pereira, 43, que há quatro anos atende na “Be4You”, em Santa Cruz do Rio Pardo.

Em entrevista ao DEBATE, Andreia diz que é preciso ficar atento aos sintomas da depressão não somente consigo mesmo, mas também prestar atenção no comportamento de pessoas próximas.

Para a psicóloga, apesar das dificuldades de se manter em casa, a quarentena também pode ensinar outros prazeres — como culinária ou simplesmente assistir a shows pelas plataformas digitais.

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Tivemos uma disparada no número de casos não só de depressão, mas também de suicídios em Santa Cruz. A doença é mesmo o mal do século?

Alguns profissionais dizem que a ansiedade é o mal do século. Outros afirmam que é a depressão. Na verdade, as duas caminham juntas e uma pode desencadear a outra. Hoje a depressão acomete qualquer um, não há restrição de idade. A gente vê crianças deprimidas, idosos deprimidos. É uma doença perigosa, silenciosa, e cada vez mais frequente. Há um estudo que aponta maior incidência da depressão após a invenção da energia elétrica. Com as luzes acesas, as pessoas começaram a dormir menos e em menor qualidade. Isso não aumentou só os casos de depressão como também de acidentes vasculares, cânceres, entre outros.

 

Muitas vezes a pessoa que está deprimida não percebe isso a princípio. Como perceber os sintomas da doença não só consigo mesmo, mas com relação a outras pessoas também?

Aqueles que convivem com a pessoa que está deprimida geralmente percebem antes alguns sinais de que algo não está certo. O problema é que às vezes as pessoas não aceitam o diagnóstico de depressão, e associam isso à fraqueza. O ideal é chamar para uma conversa tranquila, sem julgamentos. Não julgar o próximo é essencial. Com relação àquele que está com depressão, às vezes o sono muito longo ou, ao contrário, a insônia, também são sintomas. A irritabilidade é outro sinal de alerta. Há casos em que pessoas próximas dizem que “ele não está deprimido, só está bravo”, e isso não é verdade. Afinal, a depressão não é diagnosticada com um exame específico. São vários fatores. Em todo caso, ajuda profissional é essencial.

 

A depressão não tem uma causa específica. Pode ser desencadeada por traumas ou acontecimentos cotidianos. E agora, com a pandemia, temos o isolamento social. É um fator de risco?

Sim, com certeza. Os transtornos de humor, ansiedade e depressão aumentaram em 80% desde o início da pandemia. É um índice altíssimo. As pessoas ficam em casa e se privam de estar com pessoas queridas. Ou mesmo os profissionais de saúde, que precisam ir trabalhar e se expor a riscos que desgastam em muito a saúde mental. O isolamento é necessário, mas não podemos vê-lo apenas como algo ruim. Podemos descobrir prazeres que não imaginávamos ter. Algumas pessoas gostam de comprar luzes e fazer da própria sala a sua festa. Outros preferem estudar e descobrem nos livros um prazer imenso.

 

O uso excessivo de bebida álcoolica também é um fator de risco?

Essas substâncias atuam nos dois sentidos. Seu uso compulsivo pode ser causado pela depressão ou mesmo desencadear a doença. Uma orientação que sempre dou a pacientes é não beber quando se está triste, mas sim quando há algo a ser comemorado. A bebida pode afastar a frustração, mas isso acaba virando rotina e se torna perigoso. A pessoa passa a viver um ciclo vicioso, em que precisa cada vez mais daquilo para se sentir bem.

 

Como manter a saúde mental em dia no isolamento?

A gente se adapta muito facilmente às situações. É um período de descobertas e também serve para colocar a criatividade em dia. O exercício físico, por exemplo, é fundamental para manter uma vida saudável. Estamos numa pandemia que só vai acabar quando todos formos vacinados. E é preciso equilibrar o nível de estresse com o de prazer. Basta descobrirmos o que podemos fazer de bom para nós mesmos com seguarança. Em todo caso, quando isso não for possível, é mais do que essencial buscar ajuda profissional. Existe também o Centro de Valorização à Vida, para o qual você pode ligar para relatar seus problemas. Ninguém vai te julgar, e nem é preciso se identificar. O telefone é 188, e todos são atendidos

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