SOCIEDADE

Relatos de violência doméstica serão transformados em livro

Fabiana Tavares criou um grupo para orientar e acompanhar mulheres vítimas de violência e reuniu relatos impressionantes

Relatos de violência doméstica serão transformados em livro

ALERTA — “Luz no Abismo”, o livro de Fabiana, já está em processo de revisão e escolha de editora

Publicado em: 27 de novembro de 2021 às 03:02
Atualizado em: 08 de dezembro de 2021 às 22:19

Sérgio Fleury Moraes

Fabiana Tavares, 32, gosta de escrever crônicas e poemas, estuda música — surpreendentemente é baterista — e já participou de programas de rádio. No entanto, ultimamente ela assumiu uma outra responsabilidade: acompanhar casos de violência doméstica. “É como se fosse uma causa minha”, diz a moradora do bairro Onofre Rosa. A proposta mais ousada é criar uma ONG, com ajuda do Poder Público, para atuar em defesa das mulheres.

Segundo Fabiana, ela ficou comovida ao ouvir relatos de mulheres, a maioria suas próprias amigas, sobre a violência doméstica. Além disso, ela também sentiu o drama na pele, inclusive com casos na família.

O primeiro passo foi criar um grupo de WhatsApp para se relacionar com estas mulheres, dar conselhos e orientações. No grupo, a vítima de violência não precisa expor os acontecimentos, pois a maioria prefere contar diretamente para Fabiana. Muitas participantes sequer se identificam para as demais.

Todos estes relatos foram transcritos por Fabiana, que está concluindo um livro sobre o tema, sem citar os nomes reais. E os casos impressionaram a própria escritora. “Eu descobri que elas não têm forças para sair do relacionamento, enquanto outras nem percebem os abusos, já que nem sempre eles são físicos”, explicou.

Segundo Fabiana, até mesmo o simples fato de narrar o abuso geralmente é demorado. “Elas não conseguem de imediato”, disse. “As experiências são muito diferentes. Há agressões verbais e físicas, mas algumas chegam a sofrer torturas”, revelou.

Mulheres nesta situação, de acordo com Fabiana Tavares, acabam se entregando à infelicidade, deixando de procurar amigas — geralmente por imposição do companheiro — e se recolhendo em casa. Um dos casos chamou a atenção da escritora. “Uma mulher, casada há 40 anos, disse que no começo mantinha o relacionamento por causa dos filhos pequenos. Mas quando eles cresceram, ela simplesmente não teve respostas sobre o motivo pelo qual não abandonou o companheiro”, afirmou.

Fabiana reuniu relatos de violência e prega a criação de uma ONG

Fabiana acredita que a violência contra a mulher é uma doença grave da sociedade. Afinal, em vários casos o Poder Judiciário concede medidas protetivas impedindo o agressor de se aproximar da ex-companheira. No entanto, a polícia não consegue cumprir o mandado. “É impossível os policiais vigiarem uma casa 24 horas por dia, pois certamente há outros casos para atender”, disse. O risco é a violência resultar em feminicídio.

Sobre este problema, Fabiano acredita que Santa Cruz comporta algum tipo de órgão — oficial ou através da criação de uma ONG — para dar assistência às mulheres vítimas da violência. A ideia é uma instituição semelhante ao Conselho Tutelar, que é bancado pelo Poder Executivo para acompanhar violência contra crianças.

“Sabemos que a cidade tem vários instrumentos para este tipo de abuso, como psicólogas nas unidades do Cras e a própria polícia. Mas o melhor seria um acompanhamento especializado no momento da agressão, com equipe própria e até um carro de apoio”, disse.

Para Fabiana, a mulher agredida fica constrangida mesmo com a presença da polícia. “Ela fica perdida após a retirada do agressor, sem saber o que fazer, até porque geralmente esta mulher é dependente financeiramente do companheiro. Além disso, é comum a mulher ser pressionada pelo homem e ficar com medo”, alertou. Neste sentido, este órgão daria o apoio necessário à mulher. “Fiquei sabendo que municípios maiores têm casas de apoio”, lembrou.

O livro já está praticamente pronto, sob o título “Luz no Abismo” e em processo de revisão. “Na verdade, será um livreto. Estou procurando uma editora, mas o interessante é que a publicação terá dicas para a mulher recuperar sua autoestima e liberdade, bem como orientações de como denunciar a violência”, afirmou.

A facilidade com os textos começou na infância, quando Fabiana começou a ler. E a devorar, literalmente, livros e jornais. Ela lembra que emprestava o exemplar do DEBATE da vizinha e adorava as crônicas do professor João José Correia, o “Dedé”, que morreu em 2008 aos 80 anos. As crônicas dele, por sinal, foram tão inspiradoras que um dia Fabiana escreveu um texto em homenagem ao professor, que foi lido pelo cronista num programa da antiga “Morena FM”.

Fabiana Tavares tinha planos de lançar um livro para crianças, mas a aproximação com os casos de violência mudou seu foco. De qualquer forma, vai realizar o sonho de lançar uma obra literária, mesmo abordando um tema tão delicado.

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