SOCIEDADE

São Pedro tem grupo solidário que ajuda as famílias carentes

Cerca de 60 pessoas se uniram para distribuir cestas básicas

São Pedro tem grupo solidário que ajuda as famílias carentes

AÇÃO SOCIAL — Família de São Pedro recebe cesta básica do grupo de quase 60 moradores voluntários

Publicado em: 27 de fevereiro de 2021 às 05:32
Atualizado em: 29 de março de 2021 às 07:15

Sérgio Fleury Moraes

Um grupo de pessoas, das mais diversas profissões e praticamente nenhum rico, criou uma espécie de “batalhão cristão” para ajudar famílias carentes de São Pedro. Batizado de “São Pedro do Turvo Solidário”, o grupo tem sido para muitos o único apoio nesta época de pandemia e desemprego. À frente da ação social está o cabo da Polícia Militar Adecildo Batista da Silva, 42, que passa parte de suas folgas arregimentando doações e analisando os perfis de famílias necessitadas.

Adecildo já é conhecido pelos trabalhos solidários não apenas em São Pedro do Turvo. Em Santa Cruz do Rio Pardo, por exemplo, ele é o “pedreiro” que está construindo uma casa para um ex-dependente químico que já teve problemas com a polícia e se recuperou. Não recebe nenhum pagamento, mas, religioso, garante que a retribuição vem dos céus. A construção já está coberta e aguarda a doação de outros materiais, numa campanha promovida pela “Pastoral da Sobriedade da Paróquia de São Benedito”.

Em São Pedro do Turvo, Adecildo Batista e os membros da ação solidária criaram um grupo no WhatsApp onde os quase sessenta participantes discutem as arrecadações e indicam as famílias que estão precisando de ajuda. “Nesta época da pandemia, há muita gente necessitada. Algumas famílias, inclusive, recebem cestas básicas constantemente, pois a situação continua muito desconfortável”, explicou Adecildo.

As doações são do próprio grupo e variam a partir de R$ 2,00. “Cada um entrega a quantia que puder. Mesmo entre os colaboradores, às vezes têm pessoas que não podem fazer as doações todos os meses, ou manter os mesmos valores mensalmente, porque as dificuldades estão afetando a todos”, explicou. Na pandemia, aliás, a arrecadação caiu.

Por enquanto, ainda não aconteceu de um membro do grupo solidário precisar de uma cesta básica. Porém, Adecildo conta que já houve casos de atendimento a parentes de alguns membros. “Isto acontece geralmente com o desemprego, mas também há casos de doenças”, explicou o militar.

O cabo disse que, muitas vezes, as famílias beneficiadas se surpreendem quando percebem que um soldado da Polícia Militar está à frente da ação solidária. “Muitos imaginam que um policial geralmente trabalha com a segurança, não com a solução de problemas sociais. E isto é muito gratificante. Me marcou muito na infância uma frase da minha saudosa mãe, dizendo que a gente deve repartir tudo, nem que for um pequeno pedaço”, disse.

Cabo Batista é voluntário na construção da casa de um ex-dependente químico em S. Cruz, mas também faz ações em São Pedro (Foto: Sérgio Fleury)

 

O grupo “São Pedro do Turvo Solidário” faz um trabalho em conjunto com a Assistência Social da prefeitura da cidade. O objetivo é selecionar as famílias e separar quais estão sendo auxiliadas pelo município. “Isto é importante para não privilegiar umas em detrimento de outras. O município atende muitas famílias e o prefeito faz um grande trabalho neste setor, mas as verbas não são suficientes. Neste caso, o grupo entra para ajudar”, afirmou Adecildo.

Mensalmente, a ação solidária contempla de 10 a 15 famílias com cestas básicas todos os meses. O grupo só atende famílias de São Pedro do Turvo, mas o policial militar também pratica ações assistenciais em Santa Cruz do Rio Pardo. Neste caso, os recursos do grupo não são utilizados, pois são trabalhos exclusivos do cabo da PM.

Os participantes da ação solidária não puderam se reunir para a reportagem por conta das restrições da pandemia. No entanto, na última terça-feira, 23, o jornal acompanhou a entrega de mais uma cesta básica a uma família de São Pedro do Turvo. Na casa de Sandra Regina Vieira, 51, moram cinco pessoas – a mãe, o padrasto, uma irmã e a sobrinha de sete anos. Ela está desempregada e tem dificuldade até mesmo em fazer “bicos” como faxineira, já que possui uma deficiência. Para piorar, o padrasto também está doente.

Sandra tem um problema no pulso, não pode fazer esforço e está em tratamento. Em alguns trabalhos mais pesados, a irmã Ana ajuda. Assim, ela enaltece a iniciativa do grupo solidário e lembra que, em outras ocasiões, também ajudou outras pessoas. “Lamento estar passando por este momento tão difícil”, disse. Ela sempre participou de ações da igreja e, inclusive, canta no coral da paróquia. “Agora precisei parar porque alguns membros de minha família faleceram vítimas da covid-19”.

O desemprego, segundo Sandra, afeta toda a família e principalmente a sobrinha. “Ela ainda é uma criança e vive pedindo doces, como chocolate. A gente faz de tudo e chega até a pedir para alguns amigos. É uma situação muito desagradável e deixa a gente depressiva”, conta.

O grupo de solidariedade já está discutindo indicações para a próxima ação. No início da semana, mais uma família necessitada de São Pedro do Turvo receberá uma cesta básica.  

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