Empresas usam mesmo advogado em processos; ‘Jimmy’ foi contratada sem licitação por Otacílio em Santa Cruz

Moisés Rovere (à direita), durante a licitação do serviço de coleta do lixo em Santa Cruz do Rio Pardo

Cristiano Pinheiro Grosso
aparece em defesas da ‘MRover’,
‘Jimmy’, ‘AS Nascimento’ e ‘Mega’

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O advogado Cristiano Pinheiro Grosso aparece em processos defendendo todas as quatro empresas que podem estar envolvidas no “cartel do lixo” que o DEBATE revelou três semanas atrás. Cristiano Pinheiro Grosso defende as empreiteiras MRover, “AS Nascimento”, “Jimmy Urbanismo” e “Mega Construções” em processos trabalhistas.

O fato reforça os indícios de que as empresas possam atuar em conjunto para vencer licitações em vários municípios.

A “MRover” foi a empresa que prestou serviços de limpeza pública nos últimos seis anos em Santa Cruz do Rio Pardo. Pela lei, deveria ter concorrido a um novo certame no ano passado, mas teve o contrato com a prefeitura prorrogado em caráter excepcional.

A administração alegou que os preços da empresa de Moisés Rovere eram “vantajosos ao município” após ter feito cotação de preços. Mas não disse quem foi o responsável pela cotação. A própria MRover participou da cotação.

A “Jimmy Urbanismo”, que tem sede em Santa Cruz do Rio Pardo e cujo dono é Eliel Siqueira Rovere — filho de Moisés Rovere — já inclusive prestou serviços de limpeza em Santa Cruz do Rio Pardo. Sem licitação, a empresa do filho de Moisés Rovere foi contratada nos anos de 2018, 2019 e 2020.

Em 2018, a empresa recebeu R$ 22.200 em dois contratos, formalizados em um intervalo de menos de 15 dias — 7 e 20 de novembro, respectivamente.

A contratração do dia 7, cujo objeto foi manutenção e limpeza do recinto “José Rosso” (Expopardo), custou R$ 5.400. A outra, de R$ 16.800, se deve à locação de pá carregadeira e caminhão basculante à prefeitura. Não há cópia do contrato de 2018 disponível no Portal da Transparência. O valor máximo até o qual a licitação pode ser dispensada é R$ 17.600.

Em 2019, “Jimmy” também foi contratada três vezes. Somados, os serviços custaram R$ 6.630. Também não há nota fiscal. Mas todas as contratações tiveram relação com limpeza da Expopardo.

O único contrato disponível no Portal é o de 2020. O objeto também foi a limpeza do recinto. Custou R$ 9.200.

  • Publicado na edição impressa de 24/05/2020
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