ESPORTE

CAS tem escola de futebol para mulheres

Pandemia atrapalha, mas escola feminina treinada por ex-atleta do clube tem até uma lista de espera

CAS tem escola de futebol para mulheres

Maria Júlya, Ana Júlia e Sthefany alimentam sonhos no futebol

Publicado em: 26 de junho de 2021 às 02:05
Atualizado em: 26 de junho de 2021 às 02:06

Sérgio Fleury Moraes

Tradicional revelador de talentos para os gramados do futebol brasileiro, o CAS — Clube Atlético Santacruzense — também treina meninas. O grupo voltou às atividades após uma longa suspensão devido à pandemia, embora só estejam permitidos treinamentos táticos e físicos. Por enquanto, há 11 meninas inscritas porque o número autorizado para treinamentos no campo é limitado. A maioria, porém, sonha em seguir carreira e tem em Marta e Neymar seus principais ídolos. No entanto, mais do que se tornarem grandes jogadoras, precisam enfrentar muitos preconceitos.

O projeto, na verdade, é uma parceria que foi fechada graças aos esforços de Domingos do Carmo, 42, ex-secretário de Esportes de Santa Cruz do Rio Pardo. “A história começou em 2016, quando deixei a prefeitura e passei a trabalhar com incentivos fiscais. O CAS não tinha recursos nem para comprar bolas e em 2017 conseguimos fechar a parceria com o Talentos Brasil e empresas através do incentivo fiscal”, disse.

O futebol de campo feminino é uma aposta que começou, na verdade, em 2014. O time de futsal feminino de Santa Cruz do Rio Pardo brilhava nas quadras e surgiu a oportunidade de a cidade disputar um campeonato. O time de futsal, então, entrou nos gramados com reforços e sagrou-se campeão dos Jogos Regionais em Osvaldo Cruz. Nos Jogos Abertos, porém, não houve investimentos e o time foi desclassificado. “Mas aquilo abriu uma janela para o futebol de campo feminino”, explicou Domingos do Carmo.

Segundo ele, mais do que o futebol, o projeto dá atenção ao social e à família, ensinando, por exemplo, as meninas a se defender do preconceito. “Praticamente todas já sofreram isto por parte de amigos e outas pessoas. A questão social é o que importa, muito mais do que a expectativa de alguma menina ser contratada por um grande clube”, afirmou. “Hoje, temos psicólogos no projeto e as meninas já sabem como lidar com este problema”.

O grupo de jogadoras da escolinha feminina, junto com técnico, presidente do CAS e Domingos do Carmo

O presidente do CAS, Carlos Rocha, avalia que quando a pandemia der uma trégua, o time feminino será ampliado a ponto de disputar campeonatos regionais e estaduais.

A parceria reforçou o CAS. Hoje, o clube distribui “kits” para todos os jogadores e tem comissão técnica para ambos os sexos, além de psicólogos e colaboradores. A falta de materiais esportivos é coisa do passado.

O técnico da equipe feminina é um ex-integrante do CAS. Marcos Aurélio Aiolfi Luiz, 25, o “Lelinho”, participava da escolinha desde os sete anos e chegou a ter oportunidade de seguir carreira, mas um acidente de moto afastou o volante dos gramados. “Mas tive o privilégio de receber o convite para continuar no clube que me formou, agora como técnico”.

Lelinho salienta que as meninas têm um maior comprometimento do campo do que homens. “Muitas vezes os homens não são tão obedientes quando treinados por outro homem. As meninas são mais fáceis e aplicadas”, afirmou.

Segundo ele, o futebol transforma a personalidade de garotos e meninas. “Eles ganham confiança”, garantiu.

A jogadora Ana Júlia, por exemplo, é tida como uma grata revelação. Ela chegou a treinar sozinha por falta de jogadoras e, em seguida, atuou no time masculino. “Ela jogou com a camisa dez, pois era nítido que dominava a bola com a cabeça erguida. Era uma dez de origem”, avaliou.

Lelinho era atleta do CAS, se machucou e virou técnico das garotas

Ana Júlia Francisco Martimiano, 14, disse que sempre gostou de esportes, mas há alguns anos optou pelo futebol. Volante, ela diz que atua em qualquer setor, mas nunca experimentou a função de goleiro. Ana conta que, quando jogou no time masculino, os adversários não levavam em conta o fato de ela ser mulher. “Ninguém facilitou, o que, de certa forma, foi bom”, disse.

Sthefany Grabrielly dos Santos, 14, também joga bola desde a infância. “Foi Deus quem me colocou aqui”, disse, contando que sofreu preconceito entre as amigas. “A maioria diz que mulher que joga bola é sapatão”, diz, rindo. “Mas a gente não liga”, dá de ombros, confiante.

A caçula do time é Maria Julya dos Santos, 12, que tem uma história semelhante. “Meus tios me incentivaram e minha mãe sempre me apoiou desde o começo. Eu jogava na rua e às vezes chegava em casa com a tampa do dedão levantada”, diz. Hoje, a jovem está experimentando atuar como goleira. “Eu sonho com a seleção brasileira”, afirmou.

Embora ainda adolescentes, as garotas sabem que o futebol feminino ainda tem muito a avançar no Brasil. Atualmente, poucas jogadoras têm salários bons, embora ainda sejam em valores muito abaixo daqueles pagos aos jogadores homens.

Aliás, o futebol feminino só foi permitido no Brasil a partir de 1979, quando ainda era proibido por lei. Demorou muitos anos, até que uma jogadora chamada Marta fosse o grande destaque mundial, eleita seis vezes — cinco de maneira consecutiva — a melhor jogadora do planeta.

Uma façanha gloriosa para incentivar as garotas do CAS de Santa Cruz do Rio Pardo.  

 

* Colaborou Toko Degaspari

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