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Colorados e rubro-negros torcem pelo título em Santa Cruz do Rio Pardo

Colorados e rubro-negros torcem pelo título em Santa Cruz do Rio Pardo

Publicado em: 18 de fevereiro de 2021 às 17:37
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 09:29

Santa Cruz tem torcedores fanáticos dos dois times que possuem as maiores chances de serem campeões do Brasileirão

Sérgio Fleury Moraes

Da Reportagem Local

Internacional e Flamengo são praticamente os dois clubes que ainda disputam o título do campeonato brasileiro da série A, respectivamente com 54% e 40% de chances de ser campeão. Separados por apenas um ponto, os dois clubes não são paulistas e, portanto, o título de qualquer um não terá praticamente nenhuma comemoração em Santa Cruz do Rio Pardo, certo? Errado. Há santa-cruzenses fanáticos pelo colorado ou rubro-negro carioca. O curioso é que dois deles não são cariocas ou gaúchos, mas começaram a torcer pelos times desde a infância.

Na vila Mathias, por exemplo, mora o açougueiro Moacir Henrique Adorno, 26, torcedor fanático do Internacional de Porto Alegre. Na casa dele, há bandeiras, várias camisas diferentes do uniforme colorado, canecas e até um tapete com o emblema do clube. “Mas o tapete é só enfeite, pois não posso admitir alguém pisando no escudo”, diz, sério, Moacir. É por isso que o tecido em forma circular continua novíssimo.

A paixão pelo clube contaminou a esposa Joice Cristina e até a filha Kethelen Gabrielly, de apenas quatro anos. Moacir, na verdade, vive sob “fogo cruzado”, já que o sogro é palmeirense enquanto os pais e os irmãos torcem pelo São Paulo. O sogro, aliás, adora “zoar” o genro quando o Inter sofre alguma derrota. No Mundial de Clubes da Fifa, porém, foi a vez de Moacir lembrar ao sogro o fiasco do Palmeiras.

 

 

Henrique mostra o tapete que não deixa ninguém pisar

 


Brincadeiras à parte, sogro e genro se dão tão bem que Moacir foi convidado a acompanhá-lo ao Palestra Itália para um jogo entre Palmeiras e Internacional. “Eu ia ficar sentado no meio da torcida do Palmeiras, mas era arriscado. Imagine meu reflexo no momento de um gol do Inter”, afirmou. A viagem foi cancelada.

Como avô, o sogro de Moacir também vive tentando mudar a opinião da pequena Kethelen, oferecendo camisas do Palmeiras ou outros produtos com o escudo do time. “Tenho certeza que ela não vai vestir. Aliás, não gosta quando eu tiro a camisa colorada dela”, garante o açougueiro.

A história de Moacir como torcedor colorado é curiosa. Começou com o apelido de “gauchinho”, dado por um tio ainda na infância. “Naquela época eu era quase torcedor do São Paulo, mas a verdade é que não ligava muito para futebol. Foi aí que passei a assistir alguns jogos do Internacional e fui me apaixonando”, contou.

Virou, na verdade, um torcedor fanático. Uma das janelas da casa, por exemplo, tem um vidro quebrado devido a uma certa exaltação de Moacir durante um gol do Inter pela Libertadores. Apesar da bronca da mulher, ele ainda não consertou o pequeno buraco, talvez para dar sorte nos jogos seguintes. Como o Inter é o líder do Brasileirão, o vidro pode esperar. “Foi um soco de felicidade”, desculpa-se.

O açougueiro também jogou bola. E jogou bem, tanto que foi sondado por um “olheiro” quando tinha 14 anos. “Ele quis me levar para Americana e minha família até aprovou, mas não havia condição financeira para me manter até uma eventual contratação”, lembrou.

Na coleção de 15 camisas, faltam duas de modelos diferentes para completar a coleção de uniformes. Moacir ainda tem duas bandeiras, toalhas, copos e até agasalho colorado. No celular, há pelo menos 1.000 fotos do Internacional, além de lances e gols.

Nos últimos anos, quando a paixão pelo Internacional se tornou mais conhecida, os amigos dele passaram a aborrecê-lo — e vice-versa. Foi o caso da derrota do líder para o Sport, na quarta-feira, 10. “Logo cedo meu patrão começou a encher o nosso grupo no WhatsApp. Outros já apostavam que eu nem iria trabalhar”, contou. Ele diz, entretanto, que as gozações fazem parte do futebol e devem ser levadas na “esportiva”.

Moacir está confiante no título, principalmente pelos jogos das últimas rodadas. Será, enfim, um triunfo histórico, já que o clube não vence o Brasileirão desde 1979. “O caminho do Inter é mais fácil. Se ganhar, serei o único torcedor festejando na avenida”, brinca.

Do outro lado da cidade, o empresário Fábio Cruz, 43, sonha com o bicampeonato do Flamengo no “Brasileirão”. Embora santa-cruzense, ele se tornou rubro-negro por influência do irmão. Foi numa época em que as antenas parabólicas só transmitiam jogos cariocas aos domingos — e tinha Flamengo quase todo final de semana.

 

 

 

 

O santa-cruzense Fábio Cruz, comemorou muitos títulos pelo Flamengo nos últimos tempos

 


Fábio conheceu a geração de Zico e Júnior, que levou o Flamengo ao título mundial, mesmo sendo criança. “Eu costumo dizer que tenho 43 anos de idade e torço pelo clube há 43 anos”, brinca.

Dono de supermercado, ele tem uma bandeira do clube até na entrada de seu escritório. Na mesa, um “cavalinho” do Fantástico com o escudo flamenguista. Em casa, então, há bandeiras, canecas, toalhas, camisetas e tudo aquilo que se possa imaginar como lembranças do time.

Em 2019, Fábio viu o Flamengo como um “rolo compressor”: venceu o campeonato carioca, o Brasileirão e, de quebra, a Libertadores. Para o jogo final da Libertadores, ele convidou os amigos para assistir a partida em sua residência, mas impôs uma condição: todos deveriam vestir a camisa do Flamengo, que ele mesmo ofereceu. “Foi uma festa, com a virada no último minuto e o título. O problema é que nenhum amigo devolveu as camisas. Acho que todos eles, no fundo, também são Flamengo”, brinca o empresário.

 

 

 

 

VIBRAÇÃO — Para Fábio, a paixão pelo Flamengo começou no nascimento

 


Em 2020, entretanto, a pandemia impediu estas reuniões. As gozações de Fábio e dos amigos, então, ficaram restritas aos grupos de WhatsApp.

O torcedor rubro-negro ainda acredita que o título do Brasileirão ficará novamente na Gávea. Ele avalia que o campeonato deste ano foi muito estranho, com goleadas entre times grandes e a instabilidade de muitos. “Eu acho que o Flamengo está num bom momento, diferente dos demais. Creio que vai dar rubro-negro novamente”, afirmou.

O time, admite, não viveu bons momentos no ano passado, quando o futebol retornou sem público. Na Libertadores, por exemplo, foi goleado em setembro por 5x0 pelo equatoriano Del Valle. No dia seguinte, a casa de Fábio amanheceu com vários litros do suco “Del Valle” na porta. “Os amigos gostam de gozar. Isto faz parte do futebol”, diz.

“Mas agora é diferente. O Flamengo vai vencer o Corinthians neste domingo, empatar com o Inter no Maracanã e, depois, cumprir tabela contra o São Paulo”, aposta Fábio Cruz, imaginando alguns tropeços do adversário na reta final.

* Colaborou Toko Degaspari

 

 

 

 




     
  • Publicado na edição impressa de 14 de fevereiro de 2021



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