SOCIEDADE

Pandemia não reduziu treinos de provas de cavalos

Mulheres são maioria em escola localizada em Santa Cruz do Rio Pardo; jovens sonham com o retorno

Pandemia não reduziu treinos de provas de cavalos

NA PISTA — Meninas são maioria nos treinamentos da escola e algumas são donas do próprio cavalo

Publicado em: 15 de maio de 2021 às 01:50
Atualizado em: 15 de maio de 2021 às 01:55

Sérgio Fleury Moraes

O coronavírus provocou um “abre e fecha” no comércio que levou muitas empresas a uma crise financeira sem precedentes. Mas nada se compara ao setor de rodeio ou outras competições de cavalos. Tudo está parado desde os primeiros meses de 2020 e ainda não há previsão para o retorno — vai depender da velocidade da vacinação no Brasil, ainda a passos lentos. Entretanto, os treinamentos em escolas especializadas não cessaram.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, a empresária Mariana Martins, 28, comanda o “Rancho 2M”, onde está o “Centro de Treinamento de Pedro Apolinário”, na rodovia vicinal Plácido Lorenzetti, bairro Água Azul. No local existem treinamentos intensos para jovens que são apaixonados pelas provas dos tambores, em que o cavaleiro deve fazer giros de 360º em torno de tambores previamente dispostos na pista, da esquerda para a direita e vice-versa. O vencedor é aquele que faz o percurso em menor tempo.

Mariana disse que arrenda o rancho exclusivamente para uma escola de equitação esportiva. “Estamos no local desde o início de 2020. O rancho já foi uma escola no passado, mas a prática foi paralisada e a pista foi tomada pelo mato. Mas nós colocamos tudo em ordem e retomamos os treinos”, disse.

O Centro de Treinamento engloba os treinamentos propriamente ditos, que têm alunos de toda a região, e os cuidados com os animais, que recebem alimentação como atletas.

Pedro Apolinário, cujo nome batizou o local, tem apenas 19 anos, mas também presta serviços como domador de cavalos. Apesar de jovem, ele é muito requisitado — e respeitado — pelos alunos. “Não é muito fácil, pois estamos falando de cavaleiros e cavaleiras amadoras, que precisam receber as lições desde o início”, conta.

Isabella Prates “conversa” com seu animal, durante pausa no treino

O domador também é competidor de provas dos três tambores em rodeios e já se sagrou campeão em várias. Claro que não saiu incólume, pois já sofreu várias escoriações em quedas e, inclusive, quebrou uma das pernas. “Faz parte”, desconversa Apolinário.

O ato de domar um cavalo não é instantâneo. “Demora uns três meses”, conta o profissional. Depois, ainda há o trabalho de preparar o animal para as competições, especialmente a prova dos tambores.

Segundo Mariana Martins, a escolinha oferece aulas de equitação para crianças a partir dos dois anos e meio de idade. “Começa como uma brincadeira, com o professor puxando o cavalo. Logo elas ficam animadas e querem mais”, afirmou.

Dona de um escritório em Santa Cruz, Mariana diz que a escolinha é, na verdade, um hobby. “Não vivo dela. É mais um local de entretenimento e terapia, além de um lugar onde se faz muitas amizades”, diz.

Para os treinos de competições, as aulas são às terças e quintas-feiras. Mariana admite que o esporte requer recursos da família. “Começa pelo animal, que recebe alimentação balanceada e especial para a prática esportiva”, conta.

Pedro Apolinário é quem prepara tudo e leva a “criançada” para a pista, pois a aluna mais velha tem apenas 21 anos. É Gabrielle Bueno Apolinário, uma espécie de “veterana” da turma. Ela entrou na escola há dois meses e nunca competiu oficialmente. “Montar e competir  são coisas bem diferentes, por isso demora um pouco mais para pegar o jeito”, conta.

No entanto, ela garante que treinar com um cavalo é uma das melhores terapias que existem. “Existe até pilates com cavalos. Na verdade, o animal transmite muita calma para quem monta”, diz.

Beatriz Ogava Di Bastiani, sobrinha de um ex-prefeito de São Pedro do Turvo, conta que aos 13 anos já começou a se interessar por cavalos. Aos 15, procura se aperfeiçoar no esporte de três tambores. “Minha família tem um sítio, mas não cuida de cavalos. Só eu mesmo me apaixonei por eles — e pelo esporte”, afirmou a jovem, que treina há mais de um ano.

Mariana Martins, dona do rancho, diz que equitação é uma terapia

Beatriz, que mora em Santa Cruz, é a dona do próprio cavalo que usa em competições e de mais três animais. Todos ficam no Centro de Treinamentos, já que muitos alunos também têm os próprios animais.

É o caso de Isabella Prates Rodrigues de Mello, 15, de Ourinhos. Ela já está com seu segundo cavalo, trocado pelo anterior. Nos treinos há dois anos, Isabella é a única que tem um animal com “som ambiente”, já que cavalga com um radinho na sela. “Gosto somente nos treinos, pois nas competições a coisa é muito mais séria”, conta, rindo.

João Pedro Bueno, 18, mora em Ourinhos e já disputou várias competições. “Meus irmãos tinham cavalos, mas somente por hobby. Aos 15 anos, comecei a ter aulas e aos 16 resolvi competir. Meu sonho é ser campeão”, disse.

Manuela Maria Rosini, 12, de Ourinhos, é uma das alunas mais novas. “Meu avô sempre teve cavalos e eu me apaixonei. Ver as competições na Fapi também ajudou muito”, contou.

Segundo ela, é preciso ter uma cumplicidade com o cavalo. “É um conjunto que se encaixa e isto ajuda muito nas competições”, explicou.

Yasmin Camargo Fernandes, 15, começou a treinar no final do ano passado. “Vim com uma amiga e gostei”, admitiu a santa-cruzense. Ela já disputou uma prova oficial em São Pedro do Turvo e confessa que o mais difícil é conter o nervosismo. “Quero fazer carreira”, diz.  

 

* Colaborou Toko Degaspari

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