SOCIEDADE

Presente a morador, casa na vila Divineia já será ocupada

O colhedor de laranja Valdecir Caetano, 55, vai se mudar para a nova residência construída pela comunidade, mesmo inacabada

Presente a morador, casa na vila Divineia já será ocupada

Da esquerda para a direita, o lider comunitário Jarbas, o morador Antônio Góes e o colhedor Valdecir Caetano

Publicado em: 30 de abril de 2022 às 01:58
Atualizado em: 03 de maio de 2022 às 13:42

Sérgio Fleury Moraes

Colhedor de laranja e desempregado neste momento por conta da entressafra, Valdecir Caetano, 55, vai enfim morar numa casa de alvenaria.

A residência foi construída no mesmo terreno da antiga, em que o colhedor morava com dois filhos menores de idade. A casa de madeira estava caindo e a comunidade do bairro se mobilizou para construir um novo imóvel.

A previsão era de a construção ser entregue no Natal do ano passado, mas houve atrasos por conta de chuvas e de materiais – quase todos doados por um empresário que prefere o anonimato. Um outro empresário, que também não quis aparecer, leu uma reportagem no jornal e doou todas as portas.

A mão-de-obra foi possível graças a um mutirão dos próprios moradores da Divineia, principalmente Jarbas Monteiro São Miguel, ex-presidente da Associação de Moradores, e Antônio Góes, que trabalharam nos finais de semana, feriados e nas horas vagas.

Na semana passada, o colhedor Valdecir Caetano se preparava para acomodar a família na pequena residência, que ainda está inacabada. A luz e a água já estão ligadas, mas ainda faltava o reboque e a instalação de duas pias. “Este acabamento pode ser feito aos poucos”, disse Jarbas. A previsão era a família se mudar neste sábado.

Durante a construção da nova casa, Valdecir ficou abrigado na residência da mãe. Sem espaço, o problema é que os poucos móveis que tinha foram depositados nos fundos e praticamente se deterioraram com o sol e chuva.

Assim, a comunidade agora vai iniciar uma campanha para doação de geladeira, fogão, camas, armário, guarda-roupa e outros materiais.

Casa foi presente dos moradores para o colhedor de laranjas

Se o bairro conseguiu erguer a casa para o morador, a campanha final também deve ser vitoriosa. “O povo de Santa Cruz do Rio Pardo é muito bom e tenho certeza de que vamos conseguir estes móveis. Afinal, vamos pedir produtos usados”, afirma Jarbas.

Aliás, a história da solidariedade começou com o próprio Jarbas Monteiro São Miguel, 49, vizinho de Valdecir. Ele sempre percebeu que o amigo era muito trabalhador, mas que lutava com dificuldades para manter a casa e sustentar os dois filhos. O colhedor de laranja é separado e cuida sozinho dos dois adolescentes.

Além disso, a velha casa de madeira começou a oferecer um risco muito sério à família. Estava torta e o telhado se sustentava com um caibro de madeira. Quando chovia, todo o interior ficava molhado. “Eu ficava comovido com aquela situação e achei que nós poderíamos ajudar”, contou Jarbas.

Na companhia do amigo Antônio Góes, eles arregimentaram um mutirão e quase nem precisaram demolir a moradia de madeira. “Foi só tirar o caibro que o telhado veio abaixo”, conta Goes.

Mas faltava o material e ele chegou na forma de um empresário que procurou Jarbas dizendo que queria “fazer alguma coisa” pela comunidade.

Quando o líder comunitário contou sobre o drama de Valdecir, o empresário doou todo o material de construção. A obra começou em 12 de outubro do ano passado – o Dia de Nossa Senhora Aparecida.

Depois chegaram as portas, doação de outro empresário. Em outubro do ano passado, o imóvel já estava sendo coberto.

Valdecir Caetano conta que a casa da mãe, onde estava morando com os filhos, é muito apertada. “Só devo voltar para a lavoura dentro de dois ou três meses. Até lá, vou ajeitando a casa”, disse. “Eu não tenho palavras para agradecer ao Jarbas e ao Antônio Góes. Foram guerreiros e me deram um presente que eu jamais esperava”, completou.

Antônio Góes, que participou da construção desde o início, até se emociona ao falar da obra. “É um orgulho para a gente ver o Val entrando na nova casa. Temos um sentimento de dever cumprido e só o fato de ele agradecer e demonstrar uma grande felicidade já é o suficiente”, disse. “Só quem conheceu a casa antiga sabia do perigo. Ela podia cair a qualquer ventania”, contou.

Pedreiro amador “meia colher”, como ele próprio se define, Góes lembrou que o empresário que fez a doação do material de construção também está feliz. “Ele já veio visitar a obra”, disse. 

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