SOCIEDADE

Uma chef perspicaz: a trajetória de Kelly Garcia

Especialista passou a vida em busca de um empreendimento com o qual se sentisse confortável

Uma chef perspicaz: a trajetória de Kelly Garcia

A chef Kelly Garcia durante entrevista ao jornal na quinta-feira, 4

Publicado em: 06 de março de 2021 às 06:49
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 12:38

André Fleury Moraes

Aos 39 anos, Kelly Garcia chegou a Santa Cruz do Rio Pardo com gabarito suficiente para entender as necessidades gastronômicas do município.

Formada em Turismo e pós-graduada em Gastronomia, ela já trabalhou com chefs reconhecidos Brasil afora. Sempre gostou da cozinha e só não fez faculdade de gastronomia porque na época o curso ainda não existia.

Descendente de italianos e de árabes, diz que sua mãe e avó são “cozinheiras de mão cheia”. Formou-se em 2004 e arrumou as malas para viajar aos Estados Unidos, onde trabalharia pelos próximos dois anos.

“Fui morar na Califórnia, trabalhei em restaurantes e cafeterias, e descobri minha vocação para cozinhar”, diz.

Em 2007, pouco tempo após chegar do hemisfério norte, abriu uma cafeteria no Itaim Bibi, em São Paulo. O diferencial do estabelecimento era servir também almoço, razão pela qual atraía grande clientela.

Deu tão certo que Kelly conseguiu pagar uma outra pós-graduação, na mesma área, na faculdade Anhembi Morumbi. Investiu em sua carreira com cursos extracurriculares e, pouco tempo depois, já dirigia restaurantes renomados de São Paulo.

“Trabalhei em grandes padarias, restaurantes, cafeterias. Foi uma experiência muito forte”, lembra.

Kelly admite que sempre foi vaidosa e se preocupou com o próprio corpo. Decidiu que apostaria em comidas saudáveis e acertou em cheio. Pouco tempo depois, seria procurada por uma família de investidores, de quem recebeu uma proposta irrecusável para abrir um verdadeiro complexo gastronômico.

Eram dois restaurantes no Itaim, uma fábrica com padaria, confeitaria e cozinha, além de duas cafeterias. 

O empreendimento custou cerca de R$ 10 milhões e cresceu exponencialmente durante quatro anos — período em que Kelly o coordenou. Em contrapartida, a demanda também aumentou.

Quando percebeu, trabalhava das 9h às 23h. “Era uma loucura. De segunda a segunda, não tinha descanso”, lembra.

O trabalho exaustivo tomou todos os lados da vida de Kelly, que entrou numa depressão profunda e precisou se afastar do negócio. “Não que eu não gostasse, mas eu precisava ter vida”, lembra.

Como se tratava de uma família de investidores, e não de chefs, todo o empreendimento subumbiu seis meses depois da saída de Kelly. Ela, então, decidiu abrir uma empresa de eventos corporativos.

Seu nome já era conhecido entre os escritórios paulistas e, ante a notícia de que abrira a nova empresa, foi procurada por executivos para servir “coffee break” — pausa para o café em tradução livre — às empresas.

Kelly manteve o empreendimento durante pouco mais de quatro anos, mas já percebia que não era exatamente aquilo que queria levar para o resto da vida. Ela também havia engordado durante a depressão. Foi quando passou a pesquisar sobre alimentação realmente saudável.

“Não é frango e batata doce, como acham algumas pessoas. A alimentação saudável precisa deixar você feliz consigo mesmo”, explica. Eram tempos em que surgiam as primeiras blogueiras na internet. “O mundo passou a cobrar muito mais de você, de seu corpo, e isso deixa as pessoas doentes”, explica.

Kelly passou a experimentar novos estilos de vida. Foi um período difícil que ela avalia como o objeto de um estudo de caso. Em 2018, entendeu que a boa alimentação é aquela que faz bem ao corpo e também à alma. A grande sacada foi estender isso ao seu slogan. Em 2018 sairia do papel a marca “Chef Kelly Garcia — For Body and For Soul [para o corpo e para a alma]”.

Inaugurou uma cozinha na capital e obteve um ótimo retorno. Fez parceria com nutricionistas e endocrinologistas para auxiliar na alimentação de pacientes. O espaço em São Paulo ainda está aberto, mas Kelly se cansou da vida paulistana e se mudou para Santa Cruz do Rio Pardo, onde sua família mantém há 30 anos um sítio na zona rural.

Percebeu, no entanto, que faltavam opções no mercado gastronômico do município. “Sempre que queria pedir alguma coisa, principalmente à noite, as alternativas eram lanche e pizza, por exemplo”, conta.

No ano passado, ela inaugurou o “Espaço Kelly Garcia”, uma extensão de seu empreendimento na capital, e cobriu uma brecha que ainda faltava no mercado de Santa Cruz.

A transição não foi difícil e a proposta foi bem aceita pelo público. “Quando você vem de fora e não conhece as tradições, consegue enxergar a situação com um pouco mais de clareza”, explica.

O “For Body and For Soul”, detalha Kelly, é principalmente um estilo de vida. “Sem conservantes ou muitos produtos industriais”, complementa. Por isso, grande parte de seus clientes são fixos. Outros, por sua vez, conquistados ao longo do tempo.  

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