ECONOMIA

Antiga Sobar é vendida em leilão, e produção pode ser retomada

Valor do lance foi de R$ 74 milhões, mas comprador ainda não foi divulgado

Antiga Sobar é vendida em leilão, e produção pode ser retomada

O complexo da antiga Sobar em foto do início dos anos 2000

Publicado em: 29 de maio de 2021 às 00:36
Atualizado em: 29 de maio de 2021 às 00:38

Sérgio Fleury Moraes

Todo o acervo da antiga usina Sobar, de Espírito Santo do Turvo, foi vendido em leilão judicial por R$ 74 milhões, valor ligeiramente maior do que o lance inicial de R$ 72,7 milhões. A aquisição envolveu todo o complexo da antiga usina, como as terras do empreendimento, equipamentos para produção de álcool e açúcar e diversos veículos. Havia 30 compradores habilitados, mas o vencedor só será conhecido quando a informação chegar à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo.

Durante muitos anos a usina Sobar — que depois se transformou na Agrest através de uma negociada fraudulenta — era a base da economia de Espírito Santo do Turvo. É provável que o novo proprietário retome a produção, o que vai beneficiar o município na geração de renda e principalmente empregos.

O leilão judicial foi autorizado pela Justiça e houve uma série de recursos judiciais para impedi-lo. No mês passado, a juíza Maria Rita Rebello Pinho Dias negou um pedido de suspensão liminar do leilão e ainda indeferiu um pedido para que o complexo usineiro fosse vendido para a empresa “Três Irmãos Reflorestamento e Plantio”, conforme solicitado nos autos. De acordo com a juíza, a empresa deveria participar do leilão “em igualdade de condições com os demais licitantes que comparecerem”.

O valor de R$ 74 milhões a ser arrecadado será usado para pagar dívidas da antiga Sobar, principalmente trabalhistas. Quando fechou as portas por decisão judicial, a usina, que já se chamava Agrest, deixou centenas de funcionários sem o direito do acerto salarial.

Afonso se diz otimista com possível retorno

O leilão pode encerrar uma novela que durou anos e uma complexa disputa judicial. Na verdade, a Sobar havia sido vendida no ano 2000 pelas famílias Retz e Camolesi ao empresário Ari Natalino, dono da Petroforte, na época uma das maiores redes de postos de combustíveis do Brasil.

Envolvido em inúmeros casos de corrupção, Natalino começou a ter graves problemas financeiros, foi preso e, então, teria forjado um empréstimo com o Banco Rural, da banqueira Kátia Rabello, usando a usina de Espírito Santo como garantia de pagamento.

Como o empréstimo não foi pago, o Banco Rural cobrou judicialmente a hipoteca e assumiu o controle acionário da antiga Sobar, conforme processo que tramitou e teve o aval do Judiciário de Santa Cruz do Rio Pardo. Em seguida, o banco arrendou a usina ao grupo Agrest, uma empresa ligada a investidores das Ilhas Cayman e controlada por duas offshores.

Entretanto, a farsa foi descoberta. Na verdade, uma das offshores era a Securinvest, usada pela banqueira Kátia Rabello para esconder bens de Ari. A outra, a “River South”, pertencia ao próprio Natalino.

O Rural foi um banco citado em casos de corrupção desde o governo do presidente Fernando Collor de Mello. Kátia também esteve envolvida no “escândalo do mensalão” e, condenada, ficou presa entre 2013 e 2017, sendo libertada graças a um indulto assinado pelo ex-presidente Michel Temer.

Graças às investigações, o completo usineiro da antiga Sobar voltou para a massa falida da Petroforte e foi finalmente leiloado por R$ 74 milhões. O valor poderia ser muito maior, caso os equipamentos e veículos não tivessem sofrido a ação do tempo, já que o processo judicial se arrasta há anos.

Em 2012, por exemplo, a usina chegou a ser vendida para o grupo “JJ Participações” por R$ 210 milhões em parcelas anuais, mas o comprador só pagou a primeira parcela e o negócio foi anulado posteriormente. A JJ passou, então, a ser executada judicialmente.

Por sua vez, o Banco Rural sofreu intervenção e foi liquidado pelo Banco Central. Ari Natalino morreu de câncer em 2008 e o Ministério Público suspeitava que ele tinha ligações com juízes e desembargadores.

O prefeito de Espírito Santo do Turvo, Afonso Nascimento Neto (PMDB), estava acompanhando o desfecho do leilão da usina há dias e comemorou a venda do complexo. “Nós estamos muito empolgados e ansiosos por uma retomada industrial”, disse.

Afonso disse acreditar que a nova empresa perceba o potencial de desenvolvimento de Espírito Santo do Turvo e aposte no futuro. “Se isto acontecer, nossa cidade voltará a ter um crescimento muito grande. Isto vai fazer uma enorme diferença para um município que precisa de empregos”, afirmou. “Finalmente vemos uma luz no fim do túnel”, comemorou.

O prefeito disse que vai continuar monitorando o desenrolar do leilão para saber informações adicionais sobre o grupo comprador e os planos para retomada da produção de álcool e açúcar na usina de Espírito Santo do Turvo.  

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