ECONOMIA

Justiça decreta a falência da indústria Irlofil

Decisão já havia sido proferida no passado, mas empresa conseguiu efeitos suspensivos; agora, sentença aponta fraudes

Justiça decreta a falência da indústria Irlofil

Portão principal da Irlofil estava fechado na semana passada: recuperação judicial fracassou

Publicado em: 26 de novembro de 2023 às 15:41
Atualizado em: 28 de novembro de 2023 às 22:00

Sérgio Fleury Moraes

 

A indústria de doces Irlofil, uma das mais antigas e tradicionais de Santa Cruz do Rio Pardo, teve a falência decretada pela Justiça. Fundada há 75 anos, a empresa não resistiu a anos de crise financeira e denúncias de fraudes. Em recuperação judicial desde 2011, a falência da Irlofil já havia sido decretada em 2020 e em março do ano passado, mas a empresa conseguiu efeitos suspensivos no Tribunal de Justiça de São Paulo. Todavia, não cumpriu o plano de recuperação judicial e a falência foi novamente decretada pelo juiz Marcelo Soares Mendes, da comarca de Santa Cruz do Rio Pardo.

Como no ano passado, a Irlofil ainda pode contestar a medida, mas as chances diminuíram em razão de denúncias de fraudes que ocorreram durante a recuperação judicial. Além da existência de uma empresa “paralela” localizada no mesmo endereço da indústria, o que gerou suspeitas judiciais, houve uma denúncia de venda simulada do imóvel.

Segundo a decisão judicial, desde que houve o efeito suspensivo da falência obtido no Tribunal de Justiça de São Paulo, a empresa continuou em funcionamento e sem efetuar quaisquer pagamentos aos credores. O juiz destacou que ela teve tempo suficiente para que pudesse se reorganizar e demonstrar a alegada viabilidade econômico-financeira para manutenção de suas atividades.

 

A fábrica da Irolfil, na fazenda União, em Santa Cruz do Rio Pardo: até a propriedade do imóvel está sendo questoinada na ação de falência

 

A sentença deu prazo à administradora judicial para se manifestar quanto à viabilidade da continuidade das atividades da empresa. Entretanto, em petições anteriores, a própria administradora já tinha reiterado que a empresa não possuía condições de soerguimento em razão da dívida alta e faturamento insuficiente.

Com 40 funcionários nos últimos meses, a Irlofil tem um endividamento estimado em R$ 56 milhões, além de um passivo tributário que pode ultrapassar R$ 70 milhões.

Com a decretação da falência, a Justiça determinou a arrecadação de todos os bens da empresa e a adoção de medidas judiciais contra os sócios por parte da administradora judicial. Além disso, o juiz determinou a indisponibilidade dos bens dos sócios da Irlofil, Luiz Antônio Lorenzetti, Jacob Lorenzetti e Astrogildes Rita Lorenzetti. O magistrado ressaltou que eles teriam cometido “atos simulados e fraudulentos”.

No período em que esteve sob recuperação, a situação da Irlofil foi conturbada. Em 2021, os sócios foram afastados da direção da empresa por uma decisão judicial. Na época, a Justiça descobriu a existência de uma segunda empresa que, de acordo com os autos, seria usada para manipular os balancetes. Esta empresa é a “Vale dos Doces”, que funcionava em nome de terceiros e cujo endereço era o mesmo da Irlofil.

A descoberta aconteceu durante uma ação de execução contra a “Vale”. No verso de alguns cheques constava a grafia “Irlofil”, o que gerou suspeitas. Os sócios, então, foram afastados. Eles disseram à administradora judicial que a nova empresa fora criada para evitar a perda de valores em bloqueios judiciais, mas a justificativa não foi aceita.

Há, ainda, uma denúncia sobre possível fraude que teria ocorrido logo que o Tribunal de Justiça suspendeu provisoriamente a falência decretada no ano passado. Em abril de 2022, a gestora judicial da Irlofil recebeu uma notificação da proprietária do imóvel, que é irmã dos sócios Luiz Antônio e Jacob, pedindo o reajuste do aluguel de R$ 1.750,00 para R$ 30.000,00, sob pena de desocupação do local em 30 dias.

Entretanto, um ex-sócio informou ao Juízo que o imóvel foi adquirido inicialmente pela empresa e posteriormente transmitido à atual proprietária com o intuito de fraudar credores. Os donos remanescentes informaram que a denúncia do ex-sócio não prosperou, o que retiraria qualquer respaldo para contestar o negócio. Eles se manifestaram para que o aluguel fosse mantido nas mesmas condições, explicando que o baixo valor em relação ao mercado aconteceu em razão do grau de parentesco entre as partes.

A Justiça determinou, então, um procedimento à parte para investigar a possível fraude, intimando, inclusive, a suposta proprietária.

Caso a decretação da falência seja mantida, será o fim de uma das indústrias mais antigas de Santa Cruz do Rio Pardo. Fundada pelos pioneiros Constantino Lorenzetti e Luiz Lorenzetti Primo, no início chamava-se “Irmãos Lorenzetti” e funcionava num barracão do bairro conhecido como “Chafariz”, onde se deu a origem da cidade.

Em 1956, a empresa transferiu-se para um barracão da vila Saul, quando tinha cerca de 25 funcionários. A produção era totalmente artesanal, vendida diretamente para bares e empórios de Santa Cruz do Rio Pardo.

A “Irmãos Lorenzetti” tinha dois caminhões e funcionava também como uma distribuidora, buscando em São Paulo os doces que não produzia. Na época, as estradas não eram pavimentadas e bolachas e balas sequer eram embaladas ou empacotadas. A venda era a granel ou em grandes latas, a exemplo dos doces.

Nas décadas de 1960 e 1970, a Irlofil foi se modernizando, inicialmente aposentando os velhos torradores de amendoim por caldeiras a vapor. Foi quando o barracão da vila Saul ficou pequeno para a expansão da indústria.

Em 1982, já sob comando dos filhos dos pioneiros, a Irlofil inaugurou sua fábrica numa área da fazenda União, ao lado da vila Fabiano. Houve uma repaginação da produção e os doces de amendoim passaram a ser os principais produtos da empresa — a paçoca e o pé de moleque.

 

Em sua época áurea, a Irlofil chegou a ter aproximadamente 300 trabalhadores na linha de produção

 

A indústria cresceu e em 2008 levava seus produtos para alguns países da América Latina e tinha planos para expandir a exportação para África e Ásia. No entanto, a disparada do dólar impôs o início de uma grave crise financeira.

Em 2011, a Irlofil pediu recuperação judicial.

Anos depois, a indústria foi ainda mais afetada com a pandemia e não conseguiu mais se recuperar. Se nos anos 1980 a Irlofil teve quase 300 trabalhadores, nos últimos meses mal atingia 40.

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