ECONOMIA

Famílias esperam pela volta do auxílio emergencial

Para muitas pessoas de baixa renda em Santa Cruz, benefício foi a única fonte de renda durante crise

Famílias esperam pela volta do auxílio emergencial

A diarista Rosângela Fernandes mora com filha e netos numa pequena casa da vila Divineia

Publicado em: 13 de março de 2021 às 04:52
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 12:36

Sérgio Fleury Moraes

O Congresso Nacional aprovou na madrugada de sexta-feira, 12, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que autoriza o pagamento do novo auxílio emergencial, que estava suspenso desde dezembro do ano passado. O novo projeto prevê o pagamento de R$ 44 bilhões em todo o País, divididos em quatro parcelas. Entretanto, o valor exato para cada pessoa beneficiada ainda é incerto. A proposta não precisa ser sancionada pelo presidente Bolsonaro e deverá ser sancionada pelo Congresso nos próximos dias.

No entanto, os detalhes como valor do benefício e número de parcelas ainda dependem da votação de uma outro proposta pelo Congresso Nacional, o que pode atrasar o pagamento a famílias necessitadas. O governo defende a previsão de quatro parcelas do novo auxílio, no valor de R$ 250 cada.

Enquanto deputados e senadores discutem os últimos detalhes, várias famílias de Santa Cruz do Rio Pardo aguardam a liberação dos pagamentos. É o caso de Bianca dos Santos Sanches, 25, que esteve ameaçada de despejo no ano passado e aguarda a solução de um litígio por ter ocupado uma área de propriedade de uma incorporadora. Ela deixou a vila Divineia porque sua casa de madeira estava caindo.

Com quatro filhos menores, a caçula com seis e a mais velha com 11 anos, Bianca vive um drama porque o marido também está desempregado. Ela chegou a receber duas parcelas do auxílio emergencial no ano passado, cada uma no valor de R$ 1.200,00, mas agora só conta com a Bolsa Família, cujo valor é R$ 500,00.

“Pago mais de R$ 300 só de água e energia. Eu e meu marido estamos sobrevivendo graças a alguns bicos”, disse. “Não dá para comprar quase nada no mercado com R$ 50. De vez em quando meu marido consegue uns bicos e eu pego alguma faxina, mas não é sempre. Costumo recorrer ao Cras e ao Frei Chico para pedir doações. Peço até a algumas famílias, mas a situação está complicada para todo mundo”, diz.

No centro da vila Divineia, a diarista Rosângela Aparecida Fernandes, 48, mora com mais oito parentes na pequena residência. Ela chegou a receber o auxílio emergencial no ano passado, mas no mesmo período sofreu o corte da Bolsa Família, no valor de R$ 164.

“Graças a Deus tenho o serviço de diarista, mas tenho medo do desemprego. Fiquei uma semana parada, mas minha patroa me chamou de volta. É assim que estamos sobrevivendo”, contou.

Filha de Rosângela, Jaqueline Fernandes do Prado, 26, também agradece por ter um emprego, embora não seja fixo. Ela não recebeu o auxílio porque figura como dependente da mãe. “Na verdade, a gente trabalha de dia para comer à noite”, disse Jaqueline, mãe de dois filhos.

Mãe e filha admitem que não tinham tanto medo do coronavírus, mas a situação mudou após o aumento dos casos. “Hoje procuro nem sair de casa, apenas para trabalhar”, diz Rosângela.

Na rua de cima da vila, José Rubens dos Santos, 52, conhecido como “Baiano da Hatua”, trabalha há 21 anos no ramo de material reciclável. Ele foi o fundador da associação Hatua, que reunia catadores de toda a cidade e cujas atividades foram dificultadas pelos governos municipais nos últimos anos.

“Baiano” chegou a receber um auxílio de R$ 600 que, segundo ele, foi importante para cuidar da filha de dez anos de idade que mora na casa. “Sem o auxílio já estava difícil, mas esta crise dificultou ainda mais. O fato é que o Brasil vive na corrupção e o povo fica sem receber. Somos nós que pagamos os políticos”, reclamou.

“Não é defeito nenhum ser pobre. Eu trabalho com o lixo há muitos anos, mas as dificuldades estão crescendo a cada ano”, afirmou. Segundo Rubens, até mesmo o material reciclável ficou reduzido nas ruas por conta da crise econômica. “Eu fico revoltado com a quantidade de pão jogada no lixo. O rico deveria repartir estes alimentos que acabam indo para o lixo”, disse.

Com o auxílio, Rubens disse que conseguia oferecer “algo mais” para a filha. “Sem ele, ficou difícil comprar comida. Eu até não reclamo do valor do gás a quase R$ 100, pois ele dura um mês, mas não há como economizar na comida”, disse. O pior, de acordo com “Baiano”, é que os trabalhadores mais simples não têm salário fixo.

Rubens contou que na Divineia ainda não viu famílias passando fome. “Mas é porque existe a solidariedade, uns ajudam aos outros. No entanto, vi pais abandonando a família porque não conseguem manter seus filhos”, afirmou.

 

Clique nas laterais para ver as fotos:

Rubens conta que o auxílio de R$ 600 ajudava a cuidar da filha de dez anos (Foto: André Fleury)
A família de Bianca se mantém com ‘bicos’

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