ECONOMIA

O fator pet da Solito

No ano em que completa 60 anos, a Solito entra no mercado com três opções ao consumidor. E mostra que veio para ficar

O fator pet da Solito

Os irmãos Fábio (à direita), Evelyn Zaia (ao centro) e Fernando Zaia

Publicado em: 30 de outubro de 2021 às 02:43
Atualizado em: 05 de novembro de 2021 às 18:15

André Fleury Moraes

Em agosto de 2021, cada representante comercial da “Solito”, uma das maiores arrozeiras de Santa Cruz do Rio Pardo, recebeu uma mochila trancada com um cadeado que só poderia ser aberto com senha em data e horário específicos: no dia 15 daquele mesmo mês, por volta do meio-dia. Quem segurava a bolsa sabia que seu interior não estava vazio. Restava saber o que havia ali dentro.

O conteúdo era o prelúdio de um anúncio que mudaria para sempre a trajetória, as estratégias e os caminhos da gigante daqui para frente: sua entrada na linha de alimentos para animais domésticos, um projeto que nasceu há anos e que foi minuciosamente arquitetado durante a pandemia.

A empresa não divulgou o valor total do investimento, mas confidencia que beira R$ 50 milhões.

A fábrica, construída do zero, possui uma tecnologia que não se vê em nenhum outro estado ou país na América Latina. “Os equipamentos são todos automatizados e modernos”, explica Fernando Manfrin, gerente dos departamentos Comercial e de Marketing da Solito.

A inauguração da linha pet da empresa vem exatamente no ano em que a Solito completa 60 anos.

Hoje uma gigante no beneficiamento de arroz e presente em três estados brasileiros — São Paulo, Paraná e Minas Gerais —, a Solito veio da “Cafeeira Brasília”, empresa inaugurada pelos patriarcas Celso, Hélio e Ângelo em 1961, nas proximidades de onde hoje existe um supermercado, na região da rua Catarina Etsuco Umezu.

GIGANTE:  Fábrica que produz ração foi erguida do zero e sob um plano que envolveu cerca de R$ 50 milhões em investimentos tecnológicos

O maquinário era manual e não havia mão de obra especializada. Mas o sonho de construir um empreendimento próprio falaria mais alto: bastou ele para superar as dificuldades e tocar o negócio adiante.

Em 1997, afinal, a Solito já inauguraria sua fábrica no Distrito Industrial de Santa Cruz do Rio Pardo — e poucos anos depois receberia o cobiçado ISO 9001, certificado que garante a qualidade padronizada dos produtos. Na primeira década dos anos 2000 também passou a comercializar feijão, e em 2018 conquistou o FSSC 22000, certificação internacional que atesta a segurança de alimentos.

A trajetória de sucesso permitiu com que a segunda geração da família Zaia entrasse de corpo e alma para honrar um marco que se tornou parte da história de Santa Cruz do Rio Pardo. E coube aos jovens ampliar o leque da Solito no mercado.

“Foi um desafio, é claro. Mas uma empresa de 60 anos consegue encarar o projeto”, avaliou o diretor industrial da Solito, Fábio Zaia, durante entrevista coletiva na manhã de quarta-feira, 27.

E erra quem acredita que os mais velhos são arredios a grandes investimentos. Pelo contrário: os patriarcas da Solito prepararam os filhos para expandir a empresa e estão com grandes expectativas sobre os novos produtos.

A linha pet da empresa é composta por três marcas: Unna, Nutrive e Óttima. Elas foram divididas de acordo com as necessidades do mercado, explica Manfrin.

SINTONIA — Os irmãos Fábio e Fernando durante entrevista coletiva no parque industrial da Solito, na manhã de quarta-feira

“Nós vemos que há um conflito no mercado entre o canal especializado e o popular. Daí veio a divisão, que busca atender a todos os consumidores”, diz. Unna e Nutrive são as apostas da Solito para as linhas especializadas de pet food. A Óttima, por sua vez, mira o autoatendimento. “É como se a embalagem pulasse para o carrinho do cliente”, brinca Manfrin. Ele não vê riscos de que o progresso de uma linha atrapalhe a outra. “Todas foram previamente pensadas e planejadas, e assim seguirão”, afirma.

A receptividade do mercado tem superado as expectativas iniciais da linha pet, admitem os diretores da empresa. Mas não é motivo para deixar de seguir o plano: o lançamento está ainda na primeira fase, e ainda há muito chão pela frente.

“Neste primeiro momento nós enviamos os produtos para a Grande São Paulo, litoral paulista, interior de São Paulo e Curitiba. São quatro blocos a princípio — mas certamente eles serão expandidos conforme amadurecemos”, explica o diretor de logística Fernando Zaia.

A família, na verdade, chegou a sondar uma linha de pet food em 2004, mas o projeto não foi levado adiante. Ao longo dos anos, a Solito foi grande fornecedora de insumos para rações — cujo produto primário, entre outras coisas, é a farinha de arroz.

A fábrica ultratecnológica de onde saem as três marcas da linha pet da Solito

E foi justamente a grande oferta de insumos na região que alavancou o projeto. Santa Cruz e as cidades circunvizinhas, afinal, possuem grandes propriedades rurais ou usinas que facilitam a logística para a produção.

A entrada da Solito na linha pet indica também uma guinada da região para um setor que, até pouco tempo atrás, era dominado tão somente pelo arroz. “É possível que nós nos tornemos um polo produtor de ração, também. Isso se já não formos um”, afirma Fábio.

Ainda não é possível atribuir metas de produção — a linha está apenas no início, afinal —, mas já há resultados práticos do investimento: somente de empregos diretos, a aposta pet da Solito já gerou 70 deles.

Na avaliação da empresa, uma das razões pelas quais a linha pet tem sido bem aceita no mercado já no lançamento é a proximidade que a Solito mantém com seus consumidores.

“Dizer que quem fabrica é a Solito gera confiança nos consumidores”, explica Fernando.

Não é à toa que, na embalagem de todos os produtos, consta que a ração é fabricada pela empresa de Santa Cruz do Rio Pardo. 

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