ECONOMIA

Uma gigante que se tornou símbolo de Santa Cruz completa os seus 20 anos

Special Dog celebrou a data com almoço restrito para os colaboradores na empresa

Uma gigante que se tornou símbolo de Santa Cruz completa os seus 20 anos

O empresário Erik Manfrim, diretor da Special Dog Company (Foto: André Fleury)

Publicado em: 22 de fevereiro de 2021 às 15:40
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 04:04

André Fleury Moraes

Muito se discute sobre sua origem, mas nada se nega sobre seu crescimento pujante ao longo dos anos. Dizem que surgiu após apostas frustradas em empreendimentos que não vingaram. Não é bem assim. A história, fascinante, é contada pelo próprio autor, Erik Manfrim, seu diretor desde sempre, e a protagonista é a Special Dog, a gigante fabricante de ração para cães e gatos que se tornou símbolo de Santa Cruz e completou 20 anos de existência na semana passada.

No começo, os irmãos Manfrim eram fornecedores de matéria prima para a produção de ração. Trabalhavam com a farinha de arroz. Até chegaram a apostar, por um período, na produção de xarope de glicose. Mas acabou não dando certo pela saturação do mercado.

Era uma época em que vários tipos de ração eram fabricados, a maioria sem qualidade. “Eram muito baratos”, lembra Erik. Foi quando um antigo distribuidor, para quem os irmãos forneciam matéria prima, convocou uma reunião. “Ele disse que os preços baixos das rações (também chamadas de pet food) estavam o atrapalhando no mercado. Sugeriu que montássemos uma pequena indústria de pet food para entrar no ramo também”, relata.

Sem estrutura, mas com família para sustentar, todos compraram a ideia. Começaram a montar a fábrica em 1998. E a primeira carga entrou no caminhão em fevereiro de 2001. Foram 24 toneladas de pet food.

O lucro poderia ser imediato, não fosse o fato de que já haviam fornecido 14 toneladas a estabelecimentos como amostra grátis. Mas era o momento certo. “O mercado crescia dois dígitos por ano e as pessoas buscavam cada vez mais por produtos bons”, lembra.


Vista aérea da Special Dog Company em foto de 2019 (Foto: Arquivo / Special Dog)

Também havia dificuldades. A embalagem padrão, com as informações nutricionais e os ingredientes, deram dor de cabeça nos irmãos. “Nós compramos vários tipos de ração e comparamos as embalagens deles com as nossas”, explica Erik. Foram noites passadas em claro para averiguar cada dado necessário. A emissão de notas fiscais também era complicada, e tiveram de aprender a utilizá-las na prática.

A escolha do nome não foi calculada. “Mandamos uns 100 nomes para o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), mas todos já haviam sido registrados”. Aquela que foi aceita está estampada numa grande estrutura na entrada de Santa Cruz, a Special Dog.

O crescimento veio naturalmente. Mas de maneira inesperada. Tivesse sido planejada, a indústria hoje poderia ser diferente. A fabricação da ração começa no local mais baixo de um terreno íngreme — contra a gravidade —, e a rota até a fase final da produção exige mais energia, já que precisa subir morro acima.

A trajetória da empresa até aqui foi um período de descobertas. Uma máquina da primeira indústria acompanhou os irmãos durante um bom tempo. Mas a quantidade que conseguia produzir por hora era pequena — uma tonelada apenas. E ninguém conseguia trabalhar 24 horas por dia para produzir mais.

O irmão Mário, que segue ao lado de Erik na direção da empresa, conseguiu fazer uma “gambiarra” que turbinou o equipamento. Ainda era cedo para investimentos ousados.

Mas a indústria precisou se adequar à demanda. Se na primeira carga eram 14 toneladas, hoje a Special Dog produz mais de 20 mil toneladas por mês, o equivalente a 20 milhões de quilos. E a marca conquistou o Brasil e também o exterior — parte da quantidade total produzida é exportada.

No ano passado, por sinal, a exportação da empresa cresceu mais de 30%. E a demanda também. Segundo Erik, a maior procura por pet food se deu em razão da pandemia, com as famílias em casa e com mais tempo dedicado a seus animais de estimação.

Tudo é produzido e transportado por uma equipe que soma cerca de 1.400 colaboradores. Erik diz que o trabalho hoje é ainda mais intenso do que no passado, quando participava de todas as etapas de produção. “São muitas demandas”, diz. O alívio é que hoje não precisa mais conferir as embalagens, atividade restrita a uma equipe designada somente para isso.

Por outro lado, o crescimento da empresa não se limitou às atividades comerciais. Há alguns anos, a Special Dog tornou públicos os seus compromissos socioambientais e as chamadas boas práticas de governança. Daí surgiram, por exemplo, o Centro Cultural Special Dog, que revitalizou um prédio do século 19, em frente à praça Leônidas Camarinha, para levar cultura e aprendizado às pessoas.

Mas não é só. A empresa também investe no setor social da comunidade a que está inserida, prática que já revitalizou praças em Santa Cruz do Rio Pardo, e mantém compromisso diário com a sustentabilidade. É da Special Dog a campanha de arrecadação de pilhas e baterias que acontece anualmente, além de outras atividades.

Internamente, a empresa também adota procedimentos para valorizar seus colaboradores. São vários benefícios concedidos todo mês. Não à toa, foi eleita uma das 15 melhores empresas para se trabalhar na América Latina.

A expectativa para este ano era promover uma celebração à altura dos 20 anos. O coronavírus, porém, impossibilitou. Ainda assim a Special Dog pôde comemorar. Um churrasco foi oferecido aos colaboradores na hora do almoço, e um tapete vermelho foi estendido em frente ao refeitório — repartição que antes abrigava centenas de colaboradores e cuja capacidade foi limitada para 18 com o início da pandemia.

A chegada da vacina ainda não é sinal de arrefecimento do coronavírus, e Erik sabe que ainda há muita coisa a ser enfrentada. E elas estão em todos os setores — desde o mercado até a vida de cada responsável pela empresa. Mas admite que tudo ainda é incerto. “O maior desafio é não saber o que vem pela frente”, cita.  

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