POLÍTICA

‘Diego não será candidato em 2024’

Ex-prefeito disse que Diego “não administra” e não poupou nem o deputado Madalena: “Banquei todo o material de campanha”

‘Diego não será candidato em 2024’

A pretexto de conceder uma entrevista, Otacílio foi a duas emissoras de rádio de Santa Cruz para atacar o prefeito Diego Singolani

Publicado em: 19 de dezembro de 2022 às 01:38
Atualizado em: 24 de dezembro de 2022 às 11:12

O ATAQUE

 

Sérgio Fleury Moraes

 

O ex-prefeito Otacílio Parras (PSB) ocupou os microfones da rádio 104 FM na quinta-feira, 15, para atacar novamente o prefeito Diego Singolani (PSD). Ele revelou que, no mais recente encontro com Diego, que aconteceu em novembro, o atual prefeito teria afirmado que não seria candidato à reeleição e que, inclusive, apoiaria Otacílio.

Convidado pela emissora de rádio para a entrevista, Otacílio começou amenizando o rompimento com Diego Singolani, que se tornou público no início do ano. “Não dou muita entrevista para evitar polêmicas”, afirmou.

Depois, porém, atacou o atual prefeito durante toda a entrevista. “A saúde vai mal”, “ele está mal assessorado” ou “está faltando administrar” foram algumas das frases de Otacílio, que permaneceu nos microfones da emissora durante quase uma hora e meia. No dia seguinte, o ex-prefeito ainda foi à rádio Difusora, onde voltou a atacar a atual administração.

O encontro entre Otacílio e Diego Singolani aconteceu na primeira quinzena de novembro na Santa Casa de Misericórdia e teria sido, segundo o ex-prefeito, “casual”. Na ocasião, ele deu uma versão diferente sobre a conversa, admitindo que ambos falaram sobre política, mas que houve “um reconhecimento mútuo”. Segundo Otacílio, o encontro teve origem porque houve um problema entre a Santa Casa e a secretaria de Saúde.

Na entrevista à 104 FM, entretanto, Otacílio disse agora que o diálogo descambou, inclusive, sobre sucessão. “O que ele me disse naquela conversa é que não será candidato”, afirmou. “O Diego afirmou que eu poderia confiar nele, que sempre seria fiel a mim e que me considerava como um pai”, declarou o ex-prefeito.

“Conversamos sobre o futuro e ele me garantiu que não seria candidato e que estaríamos juntos. E aí ficamos de marcar uma nova conversa para sedimentar esta parceria e eu coloquei que isto não poderia demorar muito, pois a situação estava criando um clima ruim entre vereadores e assessores”, afirmou.

Otacílio também sugeriu que “criou” Diego Singolani como político. “Ele nem era da política e foi filiado ao PSOL. Fui eu quem o levou até o Gilberto Kassab, para tomar um café na casa do presidente do PSD. Em todas as conversas ficou bem claro que ele era secretário no meu governo, nós o elegeríamos prefeito e eu voltaria depois”, disse.

O ex-prefeito disse que o próprio Diego sempre concordou com este plano, em que o atual prefeito teria um emprego garantido no governo estadual. “Qualquer um que foi secretário de Saúde durante quase sete anos e depois prefeito, tem emprego garantido em qualquer governo de Estado. Afinal, tem um monte de político pedindo emprego para o novo grupo que vai assumir São Paulo, mas poucos são preparados”, explicou.

Neste raciocínio, Otacílio Parras garantiu que o grupo governista, que se dividiu a partir do final de 2021, estará unido novamente nas eleições de 2024. “Haverá apenas um candidato”, afirmou, “e será eu”. O ex-prefeito declarou que a divisão política foi “provocada pelo próprio prefeito”, mas que deve acabar “pelo bem da cidade”.

“Dentro da minha moral cristã, eu acho muito improvável o Diego renunciar a tudo o que os pais dele ensinaram para se lançar candidato contra mim. Mas se isto ocorrer, eu já disputei eleição contra Adilson Mira na prefeitura, contra a Maura, fui sozinho aglutinando e formando grupos e quase vencemos”, disse.

Ainda em relação à administração de Diego Singolani, Otacílio afirmou que não concorda com as críticas feitas pelo atual prefeito ao suspender a implantação de uma clínica para animais no recinto da Expopardo. A obra começou a ser construída no governo anterior, mas foi cancelada por Diego.

“Ele disse que a clínica foi mal planejada e custaria R$ 3 milhões por ano, chamando a obra de faraônica. Como isto é possível, que a UPA – que tem médicos, enfermeiros e equipamentos – custa R$ 500 mil por mês? Como um barracãozinho iria custar R$ 250 mil por mês? Então, ele estava mal informado”, afirmou Otacílio.

O ex-prefeito, que interrompeu os jornalistas ao afirmar que prefere ser chamado de “futuro prefeito”, não poupou nem mesmo o deputado santa-cruzense Ricardo Madalena (PL), de quem é primo. “Ele errou”, afirmou, em relação à última campanha eleitoral.

“O Ricardo reservou a última semana para fazer toda a região, na companhia do Rodrigo Agostinho que nem é de Santa Cruz e nunca fez nada pelo município. Foi exatamente a semana que choveu”, alfinetou.

Otacílio sugeriu que Ricardo Madalena foi bem nas eleições de 2014 e 2018 porque teve seu apoio. “Quem era o Ricardo em Santa Cruz antes de 2014, para ter quase 15 mil votos? Quem fez a segunda campanha do Ricardo, quando ele teve 33% dos votos na cidade? Quem fez todo o material?”, indagou. Em seguida, respondeu na primeira pessoa: “Foi o doutor Otacílio”.

Embora reeleito para um terceiro mandato em 2022, inclusive com um número recorde de votos, o deputado teve uma votação menor em Santa Cruz do Rio Pardo. Para Otacílio, a culpa é do próprio Madalena: “Ele tratou muito bem Santa Cruz em termos de recursos, mas não fez campanha na cidade. É natural que o espaço fosse sendo ocupado por outras pessoas”, disse.

Na verdade, Ricardo Madalena enfrentou uma acirrada oposição em Santa Cruz, principalmente nas redes sociais. Ele foi acusado de votar em projetos que prejudicaram professores e aposentados e outros que resultaram no aumento de impostos para automóveis. Madalena alega que os projetos, todos no governo de João Doria, precisavam ser aprovados porque o Estado não tinha verbas para investimentos e a Previdência do Estado estava prestes a quebrar.

A reportagem não conseguiu acesso às contas eleitorais do deputado Ricardo Madalena em 2014 e 2018. O pagamento de material, segundo afirmou Otacilio, obrigatoriamente deve constar nas doações registradas na Justiça Eleitoral.

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