POLÍTICA

Com Saúde prestes a entrar em colapso, região perde 10 leitos de UTI por decisão de Pocay

OS que comanda o ambulatório é a mesma da Santa Casa de Assis, novo destino dos leitos

Com Saúde prestes a entrar em colapso, região perde 10 leitos de UTI por decisão de Pocay

O prefeito de Ourinhos Lucas Pocay (PSD)

Publicado em: 20 de março de 2021 às 05:07
Atualizado em: 29 de março de 2021 às 07:12

André Fleury Moraes
Sérgio Fleury Moraes

Prestes a colapsar, a região de Santa Cruz do Rio Pardo perdeu na semana passada 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva que seriam destinados ao AME (Ambulatório Médico de Emergência) de Ourinhos.

Ontem, 10, o prefeito Diego Singolani afirmou ao DEBATE que a situação está “muito crítica” e que “posso afirmar que estamos vivendo um pré-colapso caso nada volte a melhorar”.

O governo do Estado de São Paulo havia anunciado que 10 leitos de UTI seriam destinados ao Ambulatório Médico de Emergência (AME) de Ourinhos, mas uma articulação envolvendo o prefeito Lucas Pocay (PSD) e os gestores do AME de Ourinhos transferiu os leitos para Assis.

Pocay argumentou que a vinda dos leitos ao AME de Ourinhos inviabilizaria outros procedimentos emergenciais que já estavam programados e que isso poderia ser ainda pior. Além disso, disse que a chegada dos leitos acabaria com o hospital de campanha de Ourinhos, que fica num hotel e cujo aluguel mensal soma cerca de R$ 1,5 milhão.

O presidente da União dos Municípios da Média Sorocabana (Ummes), Marco Aurélio Oliveira (PSDB), criticou a decisão unilateral de Ourinhos de recusar os leitos e disse que prejudica toda a região.

Pocay, nas redes sociais, rebateu e sugeriu que o tucano, que é prefeito de São Pedro do Turvo, seja despreparado ou desinformado.

Enquanto isso, no dia seguinte à decisão de Pocay, Santa Cruz do Rio Pardo tinha 17 pacientes aguardando transferência para UTIs vizinhas. Sete deles, por sinal, eram de Ourinhos.

O hospital de campanha do município comandado por Pocay atende pacientes de baixa e média complexidade apenas. A contrapartida da transferência dos leitos de UTI para Assis é que Ourinhos receberá cerca de R$ 650 mil mensais para manter o hospital de campanha

Segundo apurou o DEBATE, as tratativas para transferir os leitos para Assis envolveram o prefeito Pocay, o deputado Ricardo Madalena e também os gestores do AME de Ourinhos. O Ambulatório de Emergência, porém, é gerido pela mesma Organização Social (OS) que administra a Santa Casa de Assis.

Pocay diz que os 10 leitos de Assis vão atender também a região de Ourinhos. No entanto, disseram prefeitos da região à reportagem, a probabilidade de moradores das cidades consorciadas da Ummes serem encaminhados a Assis é pequena.

Isso porque o sistema Cross, que sorteia as unidades para designar os pacientes, leva em consideração fatores como proximidade e lotação. Com a situação crítica da pandemia em toda a região, os leitos em Assis já serão facilmente ocupados por pacientes de cidades vizinhas.

A transferência dos leitos gerou desconforto geral entre os prefeitos da região. A avaliação é de que a decisão teria de ser tomada em conjunto, e não de maneira unilateral por Ourinhos.

“Até porque a Santa Casa de Ourinhos poderia ter recebido estes leitos”, disse o prefeito Marquinho. Não estava descartada, por exemplo, uma união dos municípios para ajudar no custeio das unidades de terapia intensiva.

Nos últimos 30 dias, por exemplo, a cidade de Lucas Pocay registrou mais de 40 mortes. Em Santa Cruz, os óbitos já somam 31.

Enquanto isso, corre a busca pela aquisição de vacinas. O prefeito Diego Singolani disse que do consórcio da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) será o maior do Brasil e é o mais estruturado. Porém, não é o único.

Na semana passada, em Presidente Prudente, vários prefeitos se reuniram em Presidente Prudente, sob coordenação da Unipontal — a entidade que reúne as cidades daquela região — para tentar formar um novo consórcio e obter mais ofertas de imunizantes. Da região, participaram da reunião os prefeitos de Ipaussu, Sérgio Guidio (PSDB), e Marco Pinheiro (PSDB).

Segundo Diego, estas reuniões representam uma luta intensa para conseguir vacinas. “Na verdade, onde aparecer oportunidade, os prefeitos estarão presentes”, avaliou. O prefeito de Santa Cruz disse que aposta mais no “Conecta” e garantiu que o município está pronto e preparado para a aquisição e o início da vacinação em massa.

“Não há como negar que a vacinação está muito lenta. Amanhã [sábado] estaremos vacinando o público de 72 a 73 anos e estamos trabalhando dentro da realidade e do número de doses. O País deveria estar muito mais adiantado na vacinação, mas faltam insumos”, afirmou Diego. Ele advertiu, porém, que o tema não deve ser politizado e nem soar como promessa, já que não depende da vontade dos prefeitos.

O prefeito de Ipaussu esteve na reunião em Presidente Prudente e explicou que é uma “outra tentativa” de compra de vacinas. “Esta é uma nova possibilidade de aquisição direta de um laboratório”, disse, explicando que nenhum prefeito vai deixar de apostar no consórcio da FNP. Segundo Sergio Guidio, na segunda-feira, 22, haverá uma reunião às 15h com a direção da Frente Nacional de Prefeitos, para instituição oficial do consórcio “Conectar”.  

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