POLÍTICA

Envolvido no petrolão, santa-cruzense foi condenado e preso por Sergio Moro

Waldomiro nasceu em 1943 em Santa Cruz, morou em Itatinga e foi ‘laranja’ do doleiro Youssef

Envolvido no petrolão, santa-cruzense foi condenado e preso por Sergio Moro

O santa-cruzense Waldomiro Oliveira, quando preso em 2015

Publicado em: 27 de março de 2021 às 05:18
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 16:00

André Fleury Moraes

Ninguém poderia imaginar, mas um dos envolvidos no escândalo do petrolão — esquema de desvios bilionários da Petrobras durante os governos petistas, patrocinado por grandes empreiteiras — nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo, em julho de 1943. Waldomiro de Oliveira saiu ainda jovem do município e morou durante anos em Itatinga-SP.

Ele foi preso em 2015 a mando do ex-juiz Sergio Moro. Solto poucos meses depois, Waldomiro voltou à prisão em 2018, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu ser válido o cumprimento da pena depois de esgotados os recursos de segunda instância.

Mas foi libertado em 2019, depois que o mesmo STF mudou o entendimento acerca do tema — em decisão que beneficiou também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Hoje, Waldomiro está em sua casa e recorrendo das condenações por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ao todo, as penas somam 13 anos e 2 meses de prisão.

O santa-cruzense é acusado de ter sido “laranja” do doleiro Alberto Yousseff, de quem também foi auxiliar e contador. Ele admitiu em depoimento de 2015 que recebia dinheiro de empreiteiras e repassava ao doleiro, mas garantiu que não sabia das ilicitudes das transações.

Na semana passada, a reportagem tentou contato com a defesa de Waldomiro através do único e-mail disponibilizado na internet, mas não obteve resposta.

O DEBATE questionou, entre outras coisas, se Waldomiro pretende pedir a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos processos pelos quais foi condenado. Moro atuou em praticamente todos eles antes de aceitar o cargo de ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.

Na semana passada, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal considerou que Moro não foi parcial ao julgar o ex-presidente Lula no caso do tríplex de Guarujá. A tese ganhou força sobretudo com a ‘Vaza Jato’, o vazamento das mensagens de procuradores e juízes da Lava Jato reveladas pelo site The Intercept.

Embora a suspeição de Moro tenha sido considerada em um único caso, o STF já prevê uma avalanche de pedidos semelhantes que podem partir de outros réus julgados por Moro.

O santa-cruzense Waldomiro, segundo a acusação do Ministério Público Federal, lavava dinheiro juntamente com Alberto Youssef através de várias empresas das quais eles figuravam como proprietários.

De acordo com a denúncia, Youssef e Waldomiro de Oliveira realizavam “transações financeiras fundadas em contratos e notas fiscais ideologicamente falsas”.

Esses valores, diz o MPF, eram repassados pela empreiteira Camargo Correa “mediante sucessivas operações de lavagem de dinheiro, a título de pagamento de propina”. A Camargo Correa — que hoje chama “Mover Participações” — foi uma das principais empresas envolvidas nos escândalos da Petrobras.

O Ministério Público Federal aponta ainda três empresas geridas por Waldomiro que seriam de propriedade, na verdade, do doleiro Alberto Youssef. São a “MO Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda.”, “Empreiteira Rigidez Ltda.” e “RCI Hardware e Software Ltda”.

Segundo os procuradores, Waldomiro integrava o último dos três núcleos da organização criminosa que lesou o erário da Petrobras. “[O terceiro núcleo] atuava para viabilizar o pagamento das vantagens indevidas aos integrantes do segundo núcleo, assim como para a lavagem dos ativos decorrentes dos crimes perpetrados por toda a organização criminosa”, diz trecho da acusação.

O esquema de propina orquestrado pelo santa-cruzense chegou a beneficiar, inclusive, políticos ligados ao PP (Partido Progressista), sigla de Paulo Maluf. De acordo com o MPF, as transações ilícitas aconteceram durante 10 anos, de 2004 a 2014.

Ainda durante a fase preliminar da ação penal, Waldomiro reconheceu que cedeu as empresas e suas respectivas contas bancárias para o doleiro. Youssef, então, as utilizava para o recebimento e distribuição de propina.

Nos anos finais antes de o esquema ser descoberto, o repasse de propina ficou ainda mais complexo por determinação de Youssef. Segundo admitiu o doleiro em depoimento, ele determinou que Waldomiro transferisse os valores a contas de outras empresas. Estas últimas, por sua vez, sacavam em dinheiro vivo ou transferiam para o exterior.

Um laudo da Polícia Federal aponta que pelo menos R$ 90 milhões passaram por uma das empresas do santa-cruzense. Parte deste valor chegou a ser, inclusive, doado a candidatos ligados ao PT durante as eleições de 2014.

Não há, pelo menos nos autos da ação penal — aos quais o DEBATE teve acesso — uma explicação sobre a maneira como Waldomiro conheceu Alberto Youssef. Admitiu, no entanto, que mantinha contato com grandes empreiteiros, setor em que transitava com frequência. Entre as empreiteiras estavam a OAS, Engevix e Galvão Engenharia — todas já condenadas em operações da Lava Jato anos atrás.

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