POLÍTICA

Juninho sugere ‘kit covid’ em Santa Cruz, com ivermectina e cloroquina, mas recua

Uso dos medicamentos contra o vírus é desaconselhável e não tem comprovação científica

Juninho sugere ‘kit covid’ em Santa Cruz, com ivermectina e cloroquina, mas recua

O vereador Juninho Souza (Republicanos)

Publicado em: 27 de março de 2021 às 05:55
Atualizado em: 30 de março de 2021 às 14:06

Sérgio Fleury Moraes

A implantação na rede municipal de saúde do “tratamento precoce” para supostamente evitar o covid-19 chegou a ser proposta pelo vereador Juninho Souza (Republicanos) e protocolada como “indicação” na Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo. Na sexta-feira, 26, ele recuou e pediu a retirada da propositura. O chamado “kit covid”, que sempre foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e é objeto de críticas de entidades médicas, pois nunca se comprovou sua eficácia no combate à covid cientificamente.

Mesmo assim, o vereador Juninho Souza chegou a apresentar uma indicação ao prefeito Diego Singolani (PSD) para que os kits sejam implantados em todas as USBs (Unidades Básicas de Saúde) do município. No caso, ele sugeriu ministrar medicamentos como cloroquina, ivermectina, dipirona, azitromicina e dexametasona. O “coquetel” pode até levar pessoas à morte em caso de uso excessivo e frequente.

Juninho sustenta que as cidades paulistas de Porto Feliz e Sorocaba adotaram este sistema que, segundo o vereador, “tem apresentado reduções significativas nas taxas de ocupação dos leitos de UTI”.

A afirmação não é verdadeira. Na quinta-feira, 25, por exemplo, a prefeitura de Sorocaba implantou barreira sanitária nas entradas da cidade depois de 22 novas mortes. O total de casos em Sorocaba supera 41 mil e quase 1.000 pessoas já morreram. Nos últimos 20 dias, o número de mortos na cidade foi 1.300% maior do que o registrado em janeiro. Não há vagas nas UTIs e há informações de que alguns pacientes morreram em decorrência da falta de leitos.

Juninho Souza também defendeu a distribuição do “kit covid” nas redes sociais. O motivo é que ele está sendo assessorado pelo ex-vereador Luiz Carlos “Psiu” Novaes Marques, defensor do presidente Bolsonaro e de suas ideias. “Psiu” prega o uso de cloroquina e da ivermectina em “tratamentos precoces” contra a covid. O uso de medicamentos sem eficácia contra a doença já levou cinco pacientes de São Paulo à fila do transplante de fígado, de acordo com relatos médicos publicados pelo jornal “O Estado de S. Paulo” na semana passada.

No País, há pelo menos três mortes confirmadas por doença hepática aguda provocada pelo uso de medicamentos inócuos para a covid.

Além disso, há centenas de pacientes com hepatite medicamentosa associada ao uso destes medicamentos. Um dos casos foi identificado e confirmado pelo Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no início da semana passada.

O uso da ivermectina contra a covid-19, por exemplo, foi desaconselhada pela EMA (Agência Europeia de Medicamentos) e pelo próprio fabricante do produto, a Merck.

Na quinta-feira, alertado sobre a proposta do vereador Juninho Souza — e antes da retirada da propositura —, o prefeito Diego Singolani (PSD) foi questionado sobre o tema.

“Não existe nenhuma base científica nacional, regulada pela Anvisa, sobre a eficiência de qualquer tratamento precoce”, disse.

Ele criticou este tipo de atitude. “O momento não é disso, mas de conscientizar e educar a população sobre ficar em casa e como se prevenir evitando aglomerações e usando máscara.

A nossa luta é por vacinas”, disse. Segundo o prefeito, este tipo de opinião sem base na medicina “é pautada pela ciência de WhatsApp”.  

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