Sodrélia: igreja guarda relíquias da antiga Matriz

PEÇAS ANTIGAS — Maria Gazzola mostra peças que pertenceram à antiga Matriz de São Sebastião
Pedro Biazoti frequenta a igreja de Sodrélia há quase 70 anos
Pedro Biazoti frequenta a igreja de Sodrélia há quase 70 anos

A antiga igreja Matriz de São Sebastião, com sua torre característica, não desapareceu totalmente após a demolição, nos anos 1960. Algumas peças do templo católico ainda permanecem em uso na igreja Nossa Senhora Aparecida do distrito de Sodrélia. Até um dos altares pode ter sido usado pela antiga Matriz de Santa Cruz, segundo conta o agricultor Pedro Biazoti, 74.
A igreja do distrito foi a principal responsável pela movimentação social de Sodrélia durante muitas décadas. “Hoje tem praticamente metade da frequência”, conta, desolado, Biazoti. Mesmo assim, o local ainda promove festas católicas e em seu salão social são velados os mortos do distrito, cujo primeiro velório está sendo construído pela atual adminitração.
Biazoti ainda era relativamente jovem quando recebeu dos dominicanos a incumbência de transportar um altar de madeira para Sodrélia. “Se minha memória não falha, isto aconteceu na década de 1980”, conta o agricultor, que é devoto de Nossa Senhora Aparecida.
Mas não há confirmação de que o altar pertenceu à velha Matriz de Santa Cruz. Segundo ele, o móvel estava num canto no templo do Santuário Nossa Senhora de Fátima, já sem uso, e os padres pediram que ele o transportasse para Sodrélia. “O pessoal reformou o altar, inclusive passando verniz”, contou.
Biazoti passou a frequentar a igreja de Sodrélia a partir dos seis anos de idade. “A família vinha a pé, desde as barrancas do rio Pardo”, conta. Na verdade, antes do templo na praça principal de Sodrélia, os católicos faziam celebrações numa pequena capela, a poucos quilômetros da “cidade”.
Anos depois do altar ser instalado em Sodrélia, Biazoti conta que o frei Lourenço Papin quis levar de volta a peça. “Eu o chamei num canto, após a missa, e confessei que a gente não ia devolver, lembra o agricultor, rindo.
Na verdade, o altar de madeira divide espaço com outro, também antigo, construído de mármore carrara. A peça veio da Itália e custou uma verdadeira fortuna. Os fieis de Sodrélia, então, começaram uma campanha para angariar recursos para pagar o altar. Foi quando eles foram conversar com o fazendeiro Isaltino Ribeiro de Gouveia. Ele apenas perguntou o preço e pagou tudo sozinho. Ao lado do altar, há uma placa de agradecimento à família de Isaltino, datada de dezembro de 1952.

A velha Matriz de Santa Cruz do Rio Pardo foi demolida nos anos 1960
A velha Matriz de Santa Cruz do Rio Pardo foi demolida nos anos 1960

Dúvida

Maria Gazzola, 78, cuida da igreja de Sodrélia há muitos anos e não acredita que o altar de madeira seja da antiga Matriz de São Sebastião. Segundo ela, havia um outro, também de madeira, que acabou sendo contaminado por cupins e precisou ser descartado.
Há, ainda, um terceiro altar. Fica nos fundos da igreja e Maria acha que este pode ter pertencido à Matriz. “É bem antigo e sei que veio de Santa Cruz do Rio Pardo”, disse.
Mas a moradora do distrito exibe, orgulhosa, outras duas peças que realmente pertenceram à antiga Matriz de Santa Cruz, demolida nos anos 1960. Havia outras, que, igualmente atacadas por cupins, infelizmente foram para o lixo.
As peças são esculturas esculpidas em madeira, umas delas chamada de Divino Espírito Santo e a outra, cordeiro. Foram restauradas, envernizadas e mantém uma excelente conservação.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate