Plínio Rigon expõe livro em feira na Itália

Plínio Rigon autografa seu livro infantil, traduzido em italiano, durante a feira de Borgoricco, na região de Pádua

Escritor lançou livro traduzido
em italiano em mostra de Borgorricco

No estande da feira, Plínio exibe seu livro

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Uma das principais feiras literárias da Itália tem o santa-cruzense Plínio Rigon como uma das personalidades especialmente convidadas. O artista, dramaturgo e escritor proferiu uma palestra ao público na semana passada, durante a apresentação de seu livro “Un Cane Tutto Mio” (em português, “Uma Cachorra Chamada Estrela”), versão em italiano da obra lançada em 2009 em Santa Cruz do Rio Pardo. A feira termina hoje, em Borgoricco, na região de Pádua, onde Plínio está morando.
O artista deixou Santa Cruz do Rio Pardo há quase cinco anos e provavelmente é o primeiro escritor da história de Santa Cruz a ter um livro traduzido em outro país. “Uma Cachorra Chamada Estrela” levou para o italiano até mesmo as ilustrações do também santa-cruzense Leandro Lobo, filho dos comerciantes Mauro e Fanny Lobo.
Na versão italiana, o menino brasileiro que é o personagem da história, ao lado da cachorrinha, virou italiano e passou a residir em Milano. O livro foi lançado em Santa Cruz do Rio Pardo quando Plínio era professor da escola “Sinharinha Camarinha”.
Rigon partiu para a Itália como uma aventura em busca de suas raízes. Ele vendeu parte de seu acervo e as propriedades no Brasil quando resolveu morar no exterior. Tirou até o “h” de Rhigon, que tinha acrescentado há muitos anos como resultado de uma pesquisa de numerologia. Hoje, Plínio é professor de teatro e artes em Pádua.
“Un Cane Tutto Mio” ainda está com uma tiragem experimental na região italiana de Veneza, o que é uma atitude tradicional no mercado editorial daquele país. Se a obra receber boa aceitação, será lançada em toda a Itália.
O santa-cruzense já havia participado de uma pequena feira na região de Toscana, quando o livro começou a ser oferecido pela rede de lojas “Zoo Planet”. No entanto, ele se surpreendeu com o tamanho da feira de Borgoricco, que chegou a atrair mais de 30.000 visitantes diariamente.

PALESTRA — Plínio falou para um público jovem e respondeu a perguntas

Palestra

Na palestra que proferiu durante a “31ª Mostra do Livro” de Borgoricco na semana passada, dirigida a um público jovem, Plínio Rigon falou sobre a literatura e o Brasil. Depois, ele conversou com as pessoas, que fazem perguntas. “O curioso é que eles sabem muito pouco sobre o nosso País. Além disso, estranham o fato de eu ser brasileiro e ter um nome italiano”, contou o escritor ao jornal, por telefone, na semana passada.
Borgoricco fica em uma região cuja capital é Veneza. Pádua e Verona são as maiores cidades, mas a maioria são pequenos lugarejos, com pouco mais de 10 mil habitantes. “Por isso, quando falei de Santa Cruz do Rio Pardo e seus quase 50 mil habitantes, eles imaginam que é uma cidade muito grande”, disse. Segundo ele, foi emocionando ver milhares de pessoas folheando seu livro durante a mostra literária. “Eu imagino que, talvez um dia, isto aconteça também no Brasil”, disse.
Um professor aposentado amigo de Rigon também participou da palestra, apresentando a obra literária do santa-cruzense. Depois da palestra, o autor ainda autografa exemplares do livro, com dedicatórias em italiano. “É muito engraçado escrever em italiano. Mas a realidade é que os italianos dão valor aos escritores, mesmo sendo um dos países onde menos se lê na Europa”, afirmou.
No próximo mês, Plínio já tem agendada uma participação numa feira internacional de literatura, na cidade de Bolonha, quando uma versão em inglês do livro do santa-cruzense será apresentada.
Segundo o escritor, o ano cultural na Itália começa a partir de setembro, depois das férias. “É quando tudo acontece, com lançamento de peças teatrais, exposições e outras manifestações artísticas”, contou. É por isso que Plínio Rigon adiou uma visita ao Brasil. “Não posso perder este período. Mas a verdade é que estou me divertindo muito na Itália”, brincou.

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