Prédio histórico de Santa Cruz recebe reparos de emergência

Prédio começou a receber reforços, após medida judicial contra o Estado

Estado começou a fazer obras no antigo prédio do
primeiro grupo escolar de S. Cruz, inaugurado em 1915

Até as portas se deterioraram

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O governo do Estado de São Paulo começou na semana passada as primeiras obras e o planejamento para a restauração completa do antigo Grupo Escolar de Santa Cruz do Rio Pardo, localizado no centro da cidade e hoje abandonado. A última ocupante era a Escola Técnica Agrícola “Orlando Quagliato”, que foi obrigada a deixar o local em 2016 e se abrigar em salas improvisadas em outra escola após o prédio apresentar graves problemas estruturais.
Segundo informações, o antigo prédio terá a frente fechada por tapumes e algumas paredes escoradas com uma estrutura metálica. Mas não se sabe quando efetivamente a restauração total do imóvel terá início.
A primeira intervenção do governo estadual no prédio, entretanto, aconteceu por força de uma decisão judicial. O Ministério Público ingressou com uma Ação Civil Pública obrigando o Estado a restaurar o único prédio de Santa Cruz do Rio Pardo que é tombado pelo Condephaat — Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, órgão subordinado à secretaria estadual da Cultura.
No final do ano passado, o MP conseguiu uma liminar que obriga a Fazenda Pública estadual a fazer reparos emergenciais. Segundo o despacho do juiz Antônio José Magdalena, as obras são necessárias “para estancar a evolução das ruínas e perdas” relacionadas no pedido feito pelo promotor Vladimir Brega Filho.
A decisão é de dezembro do ano passado. Na época, o juiz concedeu 90 dias de prazo para que o Governo de São Paulo apresentasse um projeto de reparos emergenciais no prédio. O Ministério Público havia reivindicado uma multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da medida, mas o juiz fixou o valor em R$ 500,00. Não há notícia se o Estado está incorrendo na multa diária, já que as obras começaram na semana passada.
O processo principal, porém, ainda não foi julgado. A ação anexou texto e fotografias que ilustraram uma reportagem publicada pelo DEBATE em julho do ano passado, quando o jornal denunciou as péssimas condições estruturais do prédio histórico. O Ministério Público conseguiu um laudo do arquiteto Paulo Sérgio Del Negro, do Condephaat, apontando problemas graves de infiltração, acúmulo de material inflamável no porão, deterioração do forro e cômodos, além da movimentação das escadarias externas e do galpão construído em concreto armado.
“Apesar do reconhecido valor histórico e cultural, o imóvel não tem recebido a manutenção devida, encontrando-se em estado de abandono e em avançado processo de deterioração”, diz a ação do Ministério Público, que alerta, inclusive, para o risco do desaparecimento do prédio histórico, tombado oficialmente pelo Condephaat em 2010. No entanto, desde então não recebeu qualquer tipo de manutenção ou reparos.

Além das infiltrações e deterioração, o prédio tem vários vidros quebrados

História viva

Escoras metálicas estão sendo instalados no antigo prédio, que ficará fechado por tapumes

O imóvel da rua Benjamim Constant já foi o mais imponente de Santa Cruz do Rio Pardo durante décadas. Construído em 1913 pelo coronel Antônio Evangelista da Silva, o “Tonico Lista”, ele só foi inaugurado dois anos depois, quando o prefeito era Agnello Villas Bôas, pai do sertanista santa-cruzense Orlando Villas Bôas.
Foi o primeiro Grupo Escolar público de Santa Cruz do Rio Pardo, numa época em que as crianças eram separadas por sexo desde a entrada no prédio até o chamado “recreio”. Em 1954, a escola ganhou o nome de “Sinharinha Camarinha”.
No início dos anos 1970, o grupo escolar transferiu-se para outro prédio. Anos depois, instalou-se no imóvel a Delegacia de Ensino de Santa Cruz, batizada de “Professor Gentil Marques Válio” — antigo colunista do DEBATE, mas a instituição acabou sendo extinta na década seguinte. O local ainda teve cursos profissionalizantes e, antes de ser completamente abandonado, foi sede urbana da Etec “Orlando Quagliato”.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate