O resgate do Palácio

“Palácio da Cultura” leva o nome de Umberto Magnani Netto

Filho do ator Umberto Magnani Netto defende a
retomada do projeto de reforma do Palácio da Cultura

Nos anos 1990, o início das reformas pela instituição Proarte

Diego Singolani
Da Reportagem Local

O ator Beto Magnani, filho do também ator Umberto Magnani Netto — um dos nomes mais representativos da cultura de Santa Cruz do Rio Pardo — , defende a retomada do projeto original de reforma do “Palácio da Cultura” que leva o nome do pai. Na semana passada, em entrevista à rádio 104 FM, Beto fez críticas ao que ele chamou de “politicagem barata” do ex-prefeito Adilson Mira, que, em 2005, para cumprir uma promessa eleitoral, reinaugurou o espaço como um cineteatro, sem concluir as obras e ainda descaracterizando o projeto desenvolvido pelo arquiteto e cenógrafo JC Serroni, um dos mais renomados do País.
Beto se refere a um projeto dos anos 1990, na administração do ex-prefeito Clóvis Guimarães Teixeira Coelho, para transformar o prédio do antigo Cine Pedutti num dos melhores teatros do interior de São Paulo. O arquiteto JC Serroni, que era amigo particular do ator Umberto Magnani, se propôs a fazer gratuitamente o projeto. Serroni é o principal nome brasileiro da arquitetura teatral, além de cenógrafo e figurinista reconhecido internacionalmente. Na época, foi criada uma ONG, a Proarte, para buscar recursos através da Lei Rouanet. O projeto teve a finalização da galeria de artes na entrada do Palácio, mas tudo foi abortado na gestão seguinte, de Adilson Mira. Em 2004, na disputa pela reeleição, ele prometeu tanto a volta do cinema, publicando a informação reiteradas vezes no “Semanário Oficial”, que até foi processado pelo Ministério Público e condenado.
A fala de Beto Magnani ecoa justamente no momento em que a secretaria municipal de Cultura anuncia uma reforma na estrutura do prédio histórico. Ainda não há detalhes de como isso ocorrerá. O que se sabe até agora é que os recursos para a obra serão provenientes de um convênio com o governo estadual. A reportagem questionou a prefeitura sobre o projeto, indagando informações sobre o cronograma e os valores envolvidos, mas não obteve nenhuma resposta até o momento.

SERRONI — Nos anos 1990, o arquiteto JC Serroni visita o Palácio com Umberto Magnani e Neusa Fleury

 

PAI E FILHO — Beto Magnani e o pai em cena, no espetáculo “Avesso”

Para Beto, a transformação do local em um cinema público foi um equívoco tanto comercial como conceitual. “Praticamente não existem mais cinemas administrados por prefeituras, sobretudo que tenham condições de concorrer com a iniciativa privada. E nos poucos locais onde existem, acredito que a programação deva ser alternativa ao circuito comercial, com outro enfoque”, avaliou o ator.
A reforma concluída durante o governo Mira, na opinião de Beto, também reduziu a dimensão artística do prédio. “A ideia por trás do Palácio era criar um ponto de referência para todas as manifestações culturais, inclusive o cinema. O projeto que foi abandonado contemplaria com excelência as artes plásticas, música, teatro e dança”, disse.
Na verdade, o projeto do arquiteto JC Serroni também previa um cinema no mesmo espaço, mas nas galerias superiores, conhecida como “pulman”. Além disso, o projeto iria dotar o prédio com um forro termoacústico, piso com isolamento acústico, camarins totalmente equipados e outros benefícios.
Outra crítica do ator foi em relação à mudança no nome do teatro. Oficialmente chamado de “Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto”, através de um decreto assinado pelo ex-prefeito Onofre Rosa de Oliveira em 1986, o local foi reinaugurado por Mira como “Cineteatro São Pedro”, numa referência ao nome original da época em que o prédio pertencia à empresa “Pedutti”. De acordo com Beto, a homenagem ao pai, que tanto lutou para que o projeto do Palácio se tornasse possível, não deveria ter sido relegada. Umberto Magnani morreu em 2016, depois de uma carreira brilhante no cinema, teatro e televisão.
“O nome Cine São Pedro faz parte da história, está na fachada do prédio, em relevo, e deve ser sempre lembrado. Mas me preocupa o descaso com a memória de figuras relevantes para a cidade, como meu pai e como tantos outros. O descaso é com a história de Santa Cruz, de maneira geral”, afirmou.


Umberto morreu durante as gravações da novela “Velho Chico”, da Globo

Fim do ‘Videoshow’ adiou
homenagem a Umberto

O programa “Videoshow”, apresentado pela Rede Globo no início das tardes, tinha programado uma homenagem ao ator santa-cruzense Umberto Magnani Netto, cujo nome batiza o “Palácio da Cultura”. O quadro “Memória Nacional” era apresentado por Miguel Falabela e estava previsto para ir ao ar no final de janeiro ou início de fevereiro. Entretanto, a Globo anunciou na última terça-feira, 8, o fim do programa vespertino, que durou 35 anos e revelou vários talentos na emissora.
A pedido da Globo, Beto Magnani já havia separado um material para ser veiculado, inclusive uma fotografia do pai em frente ao Palácio da Cultura. Este seria o “gancho” principal da homenagem, ressaltando o fato do saudoso ator ter sido, em vida, um monumento público.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate