CARTAS – Edição de 07/04/2019

‘A luz e o sono’

No ano passado, tivemos a realização da Copa do Mundo na Rússia, e nossos jogadores já sabiam que teriam dificuldades com o sono. Isso porque jogariam na cidade de São Petesburgo, onde há um fenômeno da natureza chamado “noites brancas”. Logo depois da meia-noite, em vez de escurecer, já começa a clarear o dia.
Para os turistas, o dia interminável é maravilhoso. O crepúsculo se estica sem jamais ceder à escuridão total.
Mas segundo estudos feitos, o ser humano não consegue dormir muito tempo na claridade, pois ela age diretamente na retina, e o cérebro interrompe a produção de melatonina, que é o hormônio do sono.
Nosso organismo funciona como se fosse um relógio de 24 horas, e isso depende de um ciclo de claridade e escuridão. A privação do sono afeta nosso humor e os reflexos.
E assim a medicina avança com os medicamentos, as pesquisas com as descobertas, e nós vamos aprendendo e nos favorecendo com a inteligência e a boa vontade daqueles que cumprem seu dever de ajudar a humanidade com dedicação e amor.
— Anna Maria Rocha (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Ao meu amigo coxinha
Essa semana me chamaram de comunista, devolvi um “obrigado” agradecendo o elogio, mas tive que explicar que, apesar de toda a afeição ao pensamento dialético histórico materialista, esse rótulo não me era cabível, por uma série de fatores que traçam o pensamento social pós-moderno, e que eu curtia tomar uma coca-cola de quando em quando, mas que isso não feria nenhum principio de ambas as partes da conversa. Acho que a pessoa não entendeu.
Acredito que depois dessas eleições tão acirradas, sem debates e com direito a mamadeira de piroca, esse mal-estar ficou mais saliente e, talvez por isso, essa impressão tenha se fixado no inconsciente que acaba se expressando no julgamento do outro. Um julgamento vazio, despreparado e ofensivo, uma série de adjetivos que se resumem à “esquerdista, petista, safado, comunista, socialista que ama o Lula” e, se você, caro leitor, já me enquadra nessa série de valores, com todo respeito, tenho isso como elogio, mas é conveniente que busque terapia, porque essa forma narcísica de não aceitação do outro, vai te trazer problemas um dia e, mesmo que se comemore a Ditadura Militar Brasileira, esse tempo passou, e hoje, já estamos em uma democracia há mais de 29 anos, com a herança da dívida externa.
É muito comum que se converse em todos os lugares em uma cidade pequena como a nossa, conversa de bar, conversa da fila do pão, conversa de corredor de mercado, mas tudo isso se prolonga no Facebook, principalmente no grupo da Câmara, espaço criado para assuntos políticos locais, nacionais e FakeNews, isso mesmo, caro leitor, FakeNews. Criteriosamente, como sou uma pessoa muito metódica, chego do trabalho, acendo um baseado (porque não bebo) e passo os olhos nos posts do grupo, a primeira vez que vi a mamadeira de piroca, foi lá. Além disso, em partida de uma notícia falsa compartilhada por um ex-vereador, foi criada uma moção de repúdio aprovada pela Câmara dos vereadores a um professor de Filosofia, Estudos Sociais, Pedagogia e pós-graduado. Ironicamente, mesmo com a comprovação de que se tratava de FakeNews, a moção de repúdio não foi retirada em função da abstenção de um grupo de vereadores da mesma base e, ficou bem claro, o interesse partidário dos queridinhos de Santa Cruz, haja vista que logo teremos eleições municipais. É vergonhoso para a cidade que a representação municipal se baseie em posts de Facebook, e não tenha o mínimo de decência para uma retratação. Fico me perguntando, se esse mesmo grupo vai se abster na hora de votar no aumento salarial de mais de 1000 reais. Pois é, meu amigo leitor, podemos estar distantes ideologicamente, mas qual trabalhador hoje em dia tem reajuste de mais de 1000 reais? Confira o trabalho dos vereadores aqui ‘https://www.camarasantacruzdoriopardo.sp.gov.br/’, o serviço não vale o custo.
Pois é, meu amigo leitor, o interesse deles, do Estado, é que briguemos entre si, é mais interessante que deixemos de refletir sobre nossa classe trabalhadora, e perpetuemos um conflito de direita e esquerda sem fim. Porque, na verdade, caro leitor, as diversidades sempre vão existir e, caso você, meu amigo, esteja me chamando de esquerdista no seu silêncio de leitura, mais uma vez, primeiro, obrigado por ter chegado até aqui, deve ter sido um desafio mental, mas na verdade, a oposição sempre existiu. Isso não deveria ser um incômodo político, o Brasil nunca foi socialista, comunista menos ainda, foi golpe sim, a terra não é plana apesar de plena, e o Jair… Bom, o Jair é isso aí mesmo e, embora presidente, os remanescentes ainda vibram e sempre vão existir, então, caro leitor, se você esbraveja ofensas para este humilde “esquerdopata desconhecido” é porque você já sabe: parafraseando, “Vocês vão ter que nos engolir”.
— L. D. B – “Esquerdopata desconhecido” (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Dos atos dos pagãos
Os Atos dos Apóstolos retratam o início da comunidade (igreja) cristã. Nos primeiros capítulos já vemos a liderança de Pedro na conversão e organização da Igreja, resolvendo os muitos problemas que ela enfrenta.
Porém, não foi Pedro a iniciar a pregação aos pagãos, foi um discípulo menor, Filipe, um dos sete diáconos (At 6,5 e 8,5). A conversão foi do eunuco etíope (At 8,26-40). E por que é um fato muito importante? Primeiro, a Etiópia ficava ao sul do Egito, porta para a África negra. Naquele tempo era o reino de Méroe, governado por rainhas que tinham o título de Candace. Os romanos jamais conquistaram esse reino, que por isso ficava nos ”extremos da terra” isto é, do império, conforme preconizado por Cristo (At 1,8).
O etíope, um negro, mostra que o Evangelho transpõe “raças”, não era somente para os brancos do Ocidente. E, mais, ele era um eunuco, isto é, um homem castrado para servir uma rainha, segundo o costume. Porém, os castrados não podiam frequentar as reuniões no Templo (Dt 23,1). E, não acabou, era um escravo, embora fosse ministro. Resumindo, o cristianismo acolhe a todos, começando pelos mais marginalizados.
E, ainda mais importante, o texto mostra como era feita a iniciação cristã einiciação feita por um helenista (judeu convertido, de língua grega), Filipe, que terá forte impacto em Paulo que logo se converteria. Essa passagem lembra muito a dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).
Em seguida, acontece a conversão de Paulo (At 9), uma mudança radical, de perseguidor a perseguido. O então Saulo devia ter 28 anos e bastante prestígio, pois até conseguira licença do Sinédrio para perseguir os cristãos em Damasco, na Síria. No meio do caminho, Paulo é atingido por uma luz que vinha do céu. Ouviu uma voz que dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Sinal certo que Jesus ressuscitado está presente nas comunidades e perseguir as comunidades (igrejas) é perseguir o próprio Jesus. Derrotado, Paulo, cego, obedece a voz e segue para a cidade. E só vai enxergar de novo quando entrar em contato com a comunidade (personificada no discípulo Ananias).
A comunidade cristã de Damasco acolhe Paulo como irmão (9,17). O diálogo mostra o temor da comunidade e, ao mesmo tempo, a grandeza do que está acontecendo. Jesus inverte as situações. O grande perseguidor se tornará um grande apóstolo. Deus quer grandes transformações.
Então, finalmente, Pedro dirige-se aos pagãos (At 10,1-48), a Cornélio, um prosélito, isto é, um simpatizante da religião judaica. Até então, os convertidos eram judeus-hebreus, de língua aramaica, ou judeus-helenistas, de língua grega. Um grande problema para Pedro, pois pela lei de pureza, um judeu não podia comer na mesma mesa com um pagão.
Cornélio tem uma visão e manda buscar Pedro que estava em Jope. Ao mesmo tempo, Pedro também tinha uma visão que se encerra com um comando: o que Deus purificou não chames tu de impuro. E isto se repetiu três vezes Sugestivo!
Na casa de Cornélio, o dom do Espírito Santo derramou-se também sobre os pagãos, admirando os fiéis da circuncisão profundamente. Então, Pedro mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo..
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)


‘Fotos do Leitor’

Residência de luxo

— A foto do acervo de Edilson Arcoleze Ramos de Castro mostra uma casa de luxo construída nos anos 1960 e que serviu como residência do ex-prefeito Onofre Rosa de Oliveira. Tempos depois, o imóvel foi comprado pela família Rosso e até hoje mora o agropecuarista Aquino Rosso, que completou 102 anos.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate