Artigo: ‘Receita para viver melhor’

Receita para viver melhor

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Idosos não gostam de filhos e netos se metendo em suas vidas, dando palpites desnecessários e querendo mudar tudo na rotina e em seus gostos pessoais. E faz muito bem em ser assim, para manter sua privacidade, personalidade e autonomia.
Mas o que se percebe é que muitos idosos confundem intromissão indevida com ajuda real, sincera e extremamente necessária. Muitas discussões são travadas com filhos por conta de uma resistência sem sentido quando é oferecido um auxílio em algumas questões, principalmente em relação à saúde e cuidados cotidianos na administração da casa, por exemplo.
A geração que hoje tem entre 65 e 85 anos traz consigo um modelo de educação e criação bem diferente de seus filhos e ainda mais distante daquilo que é (ou foi) passado a seus netos. A rigidez e a pouco flexibilidade em que foram criados se transformaram em orgulho irracional quando os idosos de hoje entraram na “terceira idade”. Como se aceitar ajuda fosse algo que ferisse sua dignidade e mostrasse ao mundo sua incapacidade. Uma besteira sem tamanho.
Idosos, mesmo os saudáveis, precisam de um auxílio para organizar melhor suas vidas, mesmo que essa ajuda seja mínima. Mais do que precisar, eles têm direito. E sabe por quê? Porque nesta sociedade tecnológica, maluca e ultraveloz em que vivemos, todos precisam de ajuda, ainda mais aqueles que não estão tão acostumados assim com tudo isso e não têm mais tanta energia para sair correndo atrás das coisas.
Idosos, pensem bem! Aceitem ajuda para cuidar da saúde, marcar médico, organizar medicação, escutar conselhos importantes. A saúde é o pilar fundamental para você, idoso, se manter bem. Aceite auxílio também em tarefas domésticas, na organização e na administração da casa. Isso não é negligenciar e nem deixar que outros mandem em seu espaço. Isso é ter pessoas para deixar as coisas do jeito que o idoso quer.
Concordar com isso significa ter mais tempo para fazer coisas prazerosas: visitar amigas, sair para tomar café, ficar com netos e filhos, viajar, fazer uma caminhada, assistir TV, ir a restaurantes, ir à igreja, etc. O idoso precisa valorizar seu tempo e suas vontades. A tendência em resistir a essa ajuda é enorme. Como também é enorme a satisfação de quem aceitou e viu que a vida melhorou em vários aspectos.
Então, vamos lá: brigar pela manutenção de sua autoridade, sua autonomia e seu direito de ir e vir não tem nenhuma relação de prejuízo com aceitar ajuda e auxílio. Pelo contrário, uma reforça a outra.

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável Técnica
pela AleNeto
Enfermagem 

  • Publicado na edição impressa de 19/05/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate