Nath Camilo: ‘Mudança de selvageria: É preciso outro eterno retorno?’

Mudança de selvageria:
É preciso outro eterno retorno?

Nath Camilo
Da Equipe de Colaboradores

Há quanto tempo o universo aguentaria sem explodir, dando oportunidade para outro grande eterno retorno? A vida dos humanos está ao domínio de uma sujeira construída há tempos por uma pedagogia bárbara que nos remete ao medo e aos impulsos da Era das Sombras.
As pessoas se vingam com ódio, deixando de lado o que os justos tanto se ocuparam para trazer: dignidade, justiça e civilização. Volta-se à lei do fazer a justiça com as próprias mãos; no entanto, o que não percebem é que o mundo anda demográfico demais e pode até ser preciso arrebatar vidas. Nada está correndo bem no planeta dos homens. Dificilmente se encontra bom senso das diversas relações no aspecto social.
A evolução gerou vidas em comum, mas discordâncias em excesso agora fazem parte do corpo global. E as ações do ser humano nesse contexto se tornam cada vez mais imprevisíveis. E até perceberem que matam corações e almas, demora tempo. Como uma singular precaução da vida, há de se tomar cuidado nas ruas perigosas e atualmente quase nenhuma rua é segura o bastante.
Também seria essencial se esquivar de pessoas irritadas e fingir não perceber quando algumas delas jogam-lhe um olhar da mais pueril ira vermelha rubra para afugentá-lo e atirar-se de frente à selvageria antiquada que não faz parte da modernidade. Diante das fracas perspectivas completas de virtude, não revidar o ódio é o que se pode fazer para se conectar com a profunda palavra da sua alma e daí, lá no fundo encontrar a sua própria paz, que não é de santos, mas é propriamente básica e vital ao ser.
Palpitar sobre a vida é fácil. Existem laços da coexistência humana que nos prepara sempre para um sistema de harmonia. Embora o desenvolvimento normal e possível para a solução dos problemas percorra um longo e áspero caminho. O importante é caminhar sem desespero algum. Despir-se das gentes demais e da velocidade desengonçada da humanidade. No preto do infinito sempre nos sobra algo para aprender, aprimorar ou se envolver. A nós nunca é fácil ouvir palpites, sempre se enxerga o outro como um qualquer que não percebe nossos espíritos e de modo algum possui a capacidade de nos compreender. A verdade é que não há como fugir.
Nosso espaço é nossa mente, pensamos o que queremos, do jeito que entendemos o que deve ser. Ainda é natural que tenhamos liberdade de pensamento, embora livre para agir de qualquer maneira não somos, já fomos quando éramos selvagens. A selvageria da liberdade ignóbil nos persegue até os dias de hoje. Mas a relação jurídica dos homens é ter deveres. Direitos também. Mas vamos pensar que o que mais devemos atualmente é nos voltar para o modo civil, de respeito e de acordos diplomatas entre quem está do nosso lado. A selvageria não é somente um problema de violência física e verbal, ela vai contra nosso crescimento humano de cerca de dez mil anos envolvidos. Se uma singular precaução se deve ter em todas as ruas da cidade, é bom pensar para onde estamos indo.

* Nath Camilo é
escritora santa-cruzense,
autora de  “A Névoa
Cinza do Paraíso”
e outros livros

 

  • Publicado na edição impressa de 02/06/2019
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