CARTAS – Edição de 16/06/2019

Viajar é ótimo!

Sim, viajar é ótimo! Achei que tinha encerrado meu ciclo de viajante contumaz, mas resolvi passar um tempo na casa de meus filhos, Marco Aurélio e Tânia, em Cuiabá-MT. Eles moram num bairro residencial, de casas imensas, praças, onde o “verde” é muito preservado, e na casa deles não é diferente. Para me comunicar com eles, eu grito: Tânia onde você está? E ela vem ao meu encontro, porque fico perdida em tamanha imensidão. A casa é um labirinto… precisei de uma semana para me localizar dentro dela! A distância por terra, de Santa Cruz a Cuiabá, é de 1470 km, então, mesmo sabendo que o percurso seria de avião, relutei muito até aceitar vir. Porém, saímos numa segunda-feira, de carro, rumo a Marília, com minha filha, neta e bisneto Gustavo, onde lanchamos no Mac Donald’s (por conta dele: lanchinho feliz…), depois Tânia e eu dormimos num hotel, onde acordamos às 3h da “matina” (estava muito frio), para o embarque na E.A.Azul, no aeroporto local com escala no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, onde é inacreditável o tamanho da área e do número de aeronaves!
Vi aterrissar uma aeronave vinda dos Emirados Árabes, de onde desembarcaram homens de barbas e bigodes estranhos e mulheres de vestidos estampados de dourado, retos, longos até os pés, cabelos que mostravam tranças até abaixo da cintura, tudo muito diferente.
De Campinas a Cuiabá, levamos apenas uma hora, por conta do fuso horário. Foi muito rápido!
Inacreditavelmente, neste dia estava friozinho e, contrariando todos que me diziam que não suportaria o calor de Cuiabá, chegamos numa temperatura agradável de outono.
Dentro de casa, meia e tênis, porém na rua, vestido de verão e sandálias. A água da piscina, ainda está fria e, pela manhã, só Marco Aurélio nada, nós, mulheres, só à tarde, quando a água já está quentinha.
Achei Cuiabá uma grande capital e senti uma invejinha de seus enormes hipermercados, com uma variedade incrível de frutas frescas e doces, algumas que eu nem conhecia, e pães, bolos e doces de dar água na boca!
Não sei se volto ou se fico por aqui, só Deus sabe e como Ele é que sabe de tudo, estou “às suas ordens”, para o que der e vier.
—Anna Maria Rocha (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Agradecimentos
Os santa-cruzenses agradecem ao deputado estadual Prof. Carlos Giannazi, que, através de emenda parlamentar, conquistou para a Santa Casa de Misericórdia R$ 250 mil para a aquisição de cama hospitalar e cadeira de rodas. Também foram adquiridos R$ 80 mil para a Casa de Apoio às Crianças e Adolescentes Adelina Aloe.
— José Alvares (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
Desmatamentos e impunidade
A visão míope de muitos colaboradores do governo Bolsonaro sobre climatologia e meio ambiente coloca os interesses econômicos do Brasil na direção do abismo. Observa-se grande esforço em liberar agrotóxicos, sabotar a punição de desmatamento e negar as mudanças climáticas, e tudo sem nenhuma base científica e econômica. É claro que os consumidores da Europa já mostram sua rejeição através do boicote a produtos brasileiros.
O mais recente movimento do ministro do Meio Ambiente foi atacar o monitoramento do desmatamento feito pelo INPE como responsável pela ineficácia no combate ao desmate e anunciou que quer contratar uma empresa privada por sete milhões de reais… Que barganha! Para piorar nossa desconfiança, a imprensa divulgou que o ministro foi condenado em primeira instância, por improbidade administrativa, quando era secretário estadual de meio ambiente em São Paulo.
O INPE nem precisou contestar, a própria imprensa -nem tão especializada assim- mostrou que do começo do ano até 15 de maio, o INPE enviara aos órgãos de fiscalização ambiental 3.860 alertas de desmatamento através do Deter-B, Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real, ou 28,6 alertas por dia. Já a fiscalização do Ibama fez somente 850 autuações, ou 6,2 por dia. O que se conclui, querem detectar menos, só pode ser isso!
Se não bastasse o INPE, entrou em funcionamento um novo monitoramento de desmatamento, que custa nada para o erário, é o MapBiomas, iniciativa de diversas ONG, universidades e empresas de tecnologia para mapear o uso da terra, com um custo de R$ 13,6 milhões por ano e financiado principalmente pelo governo norueguês, pela Fundação Moore (EUA) e pelo Instituto Arapyaú.
O MapBiomas foi criado em 2015, esse sistema cruza bancos de dados, do Deter-B (Inpe), o CAR (Cadastro Ambiental Rural) e o Sinaflor (Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais do Ibama) e elabora laudos prontos -que incluem até imagens de alta resolução do polígono antes e depois do desmatamento- para os órgãos fiscalizadores fazerem a autuação. De outubro a março, o MapBiomas já validou 4.577 alertas de desmatamento, computando uma perda de 89.741 hectares de vegetação nativa.
O que ninguém neste governo demonstra saber é que o Brasil tem grande experiência na área, foi o terceiro país a utilizar satélites para o sensoriamento remoto da Terra, após os Estados Unidos da América e o Canadá, em 1973, quando a estação de recepção do INPE passou a receber os dados do Landsat-1.
E, por esse pioneirismo, o INPE foi homenageado durante o lançamento do MapBiomas Alerta no último 7 de junho no Tribunal de Contas da União, em Brasília. Atualmente, o INPE monitora a Amazônia, o Cerrado e outros biomas brasileiros.
Todos esses alertas estão disponíveis ao público desde o dia 7 de junho no site alerta.mapbiomas.org. Agora só está faltando que os nossos parlamentares, senadores e deputados, façam sua parte defendendo o ambiente que tem sua microflora e microfauna destruída para sempre. É uma perda inestimável, pois aí pode estar a cura do câncer.
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)

Ética, meio ambiente e futuro comum
A ética resumidamente pode ser caracterizada pelo conjunto de valores e princípios que norteiam a conduta humana e propiciam o equilíbrio e bom funcionamento da sociedade, contudo, é notadamente desconhecida por muitos. A adversidade nas relações sociais, nos diferentes âmbitos, por muitas vezes, traz à tona características terríveis das pessoas que produzem comportamentos imorais e antiéticos, geralmente com a desculpa de que era necessário para resolver um problema. Não obstante, é importante reiterar que os fins não justificam os meios.
Também cabe destacar que a expressão humana nas mídias sociais é algo alarmante. A questão não é a política, nem o sistema, nem a ideologia, nem se é direita, esquerda, centro, mas sim a péssima qualidade humana que toma vulto entre nós. A sociedade precisa de injeção de ética. O excesso de confiança, não temer a lei e até mesmo negligenciar a consciência tornam o indivíduo insensível às relações sociais, passível de aviltar a honestidade em prol de objetivos egoístas.
Assustam ainda determinadas medidas que levam o Brasil ao retrocesso nas questões ambientais, na educação, na ciência e na tecnologia. Alguns posicionamentos no âmbito federal referentes às questões ambientais, por exemplo, fornecem de forma indubitável indícios de que as decisões não são isentas de interesses pontuais que atendem diminuta parcela da sociedade brasileira em detrimento do desenvolvimento sustentável e efetivo para a nação.
Reduzir áreas de proteção permanente e comprometer pequenos produtores e a agricultura orgânica, para beneficiar diretamente a produção em larga escala, e atender a interesses do mercado globalizado; permitir o uso de agrotóxicos de alto poder de toxicidade; revogar decreto que estabelece Unidade de Conservação de proteção integral para atender interesses pessoais; e permitir implantação indústrias com a justificativa que irá gerar trabalho e renda, em detrimento de questões ambientais e socioculturais são questões éticas que muitos não querem enxergar.
Estabelecer que questões ambientais atrapalham o desenvolvimento com a desculpa de que são burocráticas é pedir para o Brasil retroceder, pelo menos, uns 50 anos na história ambiental. Vamos voltar às décadas de 1960 e 1970 quando o Brasil serviu de arcabouço para a adoção de medidas e tecnologias inadequadas que suscitaram os nocivos passivos ambientais que conhecemos no presente.
Esse é o futuro? Desenvolvimento a qualquer custo, menos qualidade de vida, mais poluição, menor biodiversidade? Retrocesso. Os casos de Mariana e Brumadinho mostraram o resultado de negligência e, ainda, na contramão, coloca em risco uma cadeia profissional que envolve engenheiros ambientais, biólogos, geólogos, químicos, geógrafos, sociólogos, entre muitos outros profissionais, cujo direcionamento de formação foi alicerçado para o crescimento e desenvolvimento sustentável.
As questões ambientais devem compor os valores da sociedade e não servir a interesses de poucos. Enquanto a educação não se tornar a base de sustentação, viveremos no campo da hipocrisia. Isso é uma questão de ética. Isso delineará nosso futuro comum.
— Murilo Valle (Santo André-SP)


‘Fotos do Leitor’

‘Baiano da Melancia’

— O colaborador Edilson Arcoleze Ramos de Castro faz nesta semana uma homenagem a um amigo especial: Agenor Januário da Silva, o conhecido “Baiano da Melancia”. Arcoleze, aliás, lembra que Agenor foi primeiramente o “Baiano da Laranja”, vendendo a fruta no estádio “Leônidas Camarinha”. No entanto, a torcida aproveitava o bagaço para jogar nos bandeirinhas e árbitros e Baiano foi proibido de continuar com a venda. Sempre ao lado da saudosa mulher Francisca, Baiano comprou uma kombi e instalou uma barraca na rua Marechal Bitencourt, onde está há 22 anos. Nascido no Estado de Alagoas, Agenor chegou a Santa Cruz em 1963 e foi pedreiro e cortador de lenha. Teve quatro filhos com Francisca — Agenor Filho, Angela, Rosangela e Elisangela —, que já lhe deram quatro netos. “Faço tudo com alegria, porque amo esta cidade me acolheu e me deu tudo o que possuo até hoje”, costuma dizer Baiano. Segundo o colaborador Edilson Arcoleze Ramos de Castro, apesar de ser nordestino, Agenor Januário da Silva pode ser considerado “um santa-cruzense nato”.

Sobre Sergio Fleury 4568 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate