CARTAS – Edição de 23/06/2019

‘Niver’ diferente

No domingo, 9 de junho, meu aniversário foi comemorado de forma diferente dos anos passados. Tânia me levou ao Shopping Três Américas de Cuiabá. Meu filho, M.A., estava viajando a trabalho e lá fomos nós para uma aventura gastronômica. Eu queria comer peixe, então fomos a um restaurante e comecei a refeição com um delicioso salpicão de frutos do mar (mariscos, lulas, camarões), maionese de camarão com legumes, uma salada de salmão… delicioso! Depois, passamos para o prato quente: strogonoff de camarão, bacalhoada, ventrecha de pacu frita com arroz e banana da terra (pratos típicos cuiabanos). Lá ficamos por horas, degustando lentamente essas delícias. No caminho de volta até o estacionamento, pudemos visitar a Feira das Américas (Índia, Senegal, Marrocos, etc.), com roupas, artesanato, doces típicos, tudo muito bonito!
No dia a dia, na casa dela, estou passando muito bem, me trata como uma rainha. Tânia é ótima cozinheira e anfitriã. Outra coisa que achei muito interessante é que tem uma praça que fica centralizada entre as casas, na qual há árvores frutíferas (manga, caju, amora, jaca, coco, acerola, pitanga, jambolão, etc.); um parquinho para crianças e uma quadra onde a moçada e também os adultos se divertem jogando bola.
Todas as árvores foram plantadas pelos moradores e todos que passam podem desfrutar de todas elas.
Na casa deles também não é diferente, tem um coqueiro que produz coco o ano todo (já tomei a água e é bem doce), uma goiabeira, um ipê rosa imenso, rosas do deserto e muito verde por toda casa. Outra coisa interessante, é o nome de algumas cidades do MT, como: Aripuanã, Acorizal, Jauru, Nova Mutum, Denise, Feliz Natal, Cáceres, Santo Antônio de Leverger, entre outras.
E assim vamos por aí, porque o universo é grande e Deus maior ainda.
— Anna Maria Rocha (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Um tiro na Lava Jato
Mais uma vez, o Senhor Imponderável dos Anjos faz uma visita ao nosso roçado político-institucional. Desta feita, para dar um susto no aclamado ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, Sérgio Moro, e puxar o tapete onde desfila, impávido, um dos mais estridentes acusadores da Operação Lava Jato, o procurador do Ministério Público, Deltan Dallagnol. As duas midiáticas figuras tiveram conversas publicadas no site The Intercept Brasil, criado pelo jornalista investigativo norte-americano Glenn Greenwald, também conhecido por ter ajudado o ex-analista de sistemas Edward Snowden a revelar informações secretas da Agência de Segurança Nacional dos EUA.
O vazamento puxa para baixo do alto pedestal o ex-juiz Moro, cuja interlocução com Dallagnol aponta para certa combinação de comportamentos. Ora, nem o julgador nem o acusador podem ajustar posicionamentos sobre casos em investigação, muito menos anunciar eventuais caminhos a seguir. Foi o que aconteceu no caso da investigação do ex-presidente Lula, quando Dallagnol tinha dúvidas sobre a solidez de provas contra ele na primeira denúncia em 2016. Houve uma espécie de consulta ao juiz, que teria sugerido ao procurador seguir em frente.
Estrela mais brilhante da constelação Lava Jato, Moro ganhou aplausos da sociedade. Tornou-se ícone da Moral, a ponto de ser elevado ao patamar de presidenciável, posição que deve sustentar seja qual for o desfecho do caso do vazamento. Conseguirá o ex-juiz se livrar da enroscada em que foi jogado por hackers que teriam invadido a rede Telegram de membros do MP? Há grande expectativa sobre o resultado das investigações que começam a ser feitas pela PF (sob o comando de Moro). A depender de novas mensagens prometidas pelos “invasores”, o imbróglio tem potencial para ir longe.
A frente política faz barreiras contra o ex-juiz. Parlamentares tentam formar uma CPI para apurar ilicitude em sua conduta, mas os presidentes da Câmara e do Senado se opõem. Moro era uma pedra no sapato de políticos envolvidos em embaraços. Portanto, há interesse em fechar a torneira da Lava Jato.
O que pode acontecer? Vejamos: a) comprovação de atitudes antiéticas e reprimenda ao ministro, sem maiores consequências; b) anulação das decisões do juiz pelo STF, com os votos da maioria do plenário (mas como ficariam as condenações nas instâncias superiores?); c) saída de Moro do ministério. Qual seja o desfecho, a imagem do ministro da Justiça está arranhada. A chance de chegar ao STF perde força. Outro lado da historia: seu exército de admiradores fará contundente defesa nas redes sociais, enfrentando as linhas de opositores lideradas pelo PT, com sua trombeta denunciando sua parcialidade. Fora ou dentro do governo, Moro não perderá a condição de “guerreiro da moral”, permanecendo no ranking presidencial de 2022.
Quanto a Dallagnol, as alternativas são: a) apuração da conduta pelo CMP, com afastamento do cargo na Lava Jato; b) ligeira reprimenda, sem maiores consequências. O juiz e o procurador levantam a tese do crime de “invasão de privacidade”, a par do fato de que a interlocução, com frases apartadas do contexto, não aponta para combinações.
O maior ganho será de Lula, cuja posição de vítima de perseguição por parte de Moro e dos procuradores será esbravejada pelo PT. Lula tende a reocupar o centro do oposicionismo, enquanto a galera das ruas fará eco à sua condição de injustiçado. Se continuar preso, terá reforçada a pressão por liberdade. Se não for condenado em 2ª instância no caso do sítio de Atibaia até setembro, adquire o direito de prisão em regime semiaberto ou domiciliar. O PT, glorioso, antecipa o discurso eleitoral de 2022.
Quanto ao presidente Bolsonaro, a inferência é a de que o tiroteio sobre o ministro da Justiça, um dos dois maiores pilares da administração – o outro é o ministro Paulo Guedes -, abre fissura no costado governamental, mas não compromete sua imagem. E o futuro? Há duas visões: a) com a imagem arranhada, Moro perderia a nomeação ao Supremo em novembro de 2020, quando Celso de Melo se aposentar; b) Bolsonaro bancará a promessa, tirando-o do páreo presidencial. O fato é que o ministro continuará a ter o apoio social, podendo até arriscar-se a um voo solo na direção do Palácio do Planalto. Difícil adivinhar para onde a biruta apontará.
Resumo: seja qual for a trajetória de Moro e Dallagnol, a Lava Jato levou um tiro..
E, por esse pioneirismo, o INPE foi homenageado durante o lançamento do MapBiomas Alerta no último 7 de junho no Tribunal de Contas da União, em Brasília. Atualmente, o INPE monitora a Amazônia, o Cerrado e outros biomas brasileiros.
Todos esses alertas estão disponíveis ao público desde o dia 7 de junho no site alerta.mapbiomas.org. Agora só está faltando que os nossos parlamentares, senadores e deputados, façam sua parte defendendo o ambiente que tem sua microflora e microfauna destruída para sempre. É uma perda inestimável, pois aí pode estar a cura do câncer.
— Gaudêncio Torquato (São Paulo-SP)

Crónicas del fin del mundo
Em 15 de junho de 2009, eu chegava a Bariloche – Argentina, para participar da transferência de tecnologia espacial de Controle e Atitude para o satélite Amazônia-1 do Brasil. O trabalho duraria anos, mas as equipes seriam organizadas por atividades trimestrais. Eu, que já participara das reuniões em abril, participei continuamente até dezembro de 2010.
Eu via o projeto como uma mudança na história dos dois países. Quem é mais velho, lembra-se perfeitamente da corrida armamentista que o Brasil e Argentina viviam até o final da década de 1970. Eu era criança, mas lembro-me bem, por exemplo, quando o Brasil adquiriu dezesseis aviões de caça Mirage que chegaram ao país em 1973, era uma resposta à compra argentina de aviões supersônicos. Um fato curioso, lembro, ainda incrédulo, do âncora do jornal das 20h anunciar que um dos caças Mirage fora “abatido” por um urubu – pode ser falha de memória, já que os jornais registram um F5 recém adquirido que foi derrubado.
Além das aquisições de armas modernas, Brasil e Argentina desenvolviam uma indústria de armas e munições, programas nucleares e espaciais (entenda-se, foguete balístico). A cooperação espacial é uma fase nova na integração entre essas duas nações irmãs.
Chegamos em Bariloche diante de uma forte “lluvia-nieve”, neve e chuva ao mesmo tempo. Um frio danado, um vento terrível. Estranhamos ninguém usar guarda-chuvas… Até tentarmos usar os nossos, foram destruídos em segundos no forte vendo.
Para a primeira semana, eu tinha feito reserva em um hotel do centro pela internet. Não gostei e pela manhã mudei para um apartamento de frente para a rua, melhor acomodado, melhor sinal da internet, ótima paisagem. O café da manhã era simples, mas mais do que eu fazia em casa normalmente: pão, bolacha, manteiga, geleia, leite quente, café e mamão ou banana. Com medo do frio, comia tudo.
No primeiro dia, eu ficara chateado, o único canal brasileiro no cabo era a TV Band que estava fora dor ar. Mas, alegria geral, voltou no dia seguinte.
Os preços impressionaram, muitos produtos tinham o mesmo numerário que no Brasil, só que o Peso Argentino valia R$ 0,65. Taxi era uma pechincha, muito diferente do Brasil que tem serviço de taxi caríssimo.
O pão era de excelente qualidade. E fiquei surpreso com o custo do pão que era R$ 2,30 o kg, enquanto no Brasil era de cinco reais e com farinha subsidiada. Acho que deveriam mandar os padeiros para lá aprenderem a fazer pão! Achei algo que era mais caro em Bariloche: o arroz! Era o dobro do preço! Os produtos agrícolas argentinos eram excelentes, exceto o café e a batata doce que não era realmente doce.
A INVAP nos dera uma semana para nos estabelecermos na cidade, cedera uma funcionária do RH para nos apresentar os “corredores para alquilar un apartamento o casa”.
Eu e vários colegas – éramos 5 – ficamos no Bariloche Center. Eu aluguei um apartamento de frente para o Centro Cívico, onde aconteceu a maioria dos eventos da cidade. Mais para o fim de semana, “finde”, a chuva parou e ficou mais neve, uma diversão indescritível para quem nunca viu neve. Finalmente, o trabalho começaria.
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)


‘Fotos do Leitor’

As ‘Bodas de Ouro’ de
Antonio Lorenzetti e Natalina

— O colaborador Edilson Arcoleze Ramos de Castro faz nesta semana uma homenagem à família: os 50 anos de casados de seus bisavós paternos, Antonio Lorenzetti e Natalina Mazzeto Lorenzetti. “As bodas foram comemorados no sítio Lorenzetti, atualmente Parque São Jorge. Na fotografia, estão na primeira fila de adultos, da esquerda para a direita: terno branco Adelino com o seu filho Alvaro, meu avô Hyram Ramos de Castro, meus tios-avôs Silvio e Luiz, Frei Ceslau, meus bisavós, Frei Marcos Righi, minha avó Deolinda Lorenzetti de Castro, minha tia-avó Amélia com o filho José, minha tia-avó Marina, Alba, esposa de meu tio-avô José ((Bépe), Sebastiana Pereira e funcionária do sítio.
O meu pai, Manoel Ramos de Castro é o garoto que está na última fila, acima da foto, ao lado de sua prima Irene Lorenzetti Rosso”.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate