Foi a Roma e viu o papa

NO VATICANO — Robson participou de grupos de estudos sobre a Renovação Carismática em Roma

Padre Robson, ligado à Renovação Carismática
Católica, participou de encontro com o papa Francisco

ENCONTRO — O padre de S. Cruz, durante encontro com o papa

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O padre Robson Antonio da Silva, missionário da comunidade “Servos da Providência”, regressou há alguns dias de uma viagem a Roma, onde participou de grupos de estudos com integrantes da RCC (Renovação Carismática Católica) de todo o mundo. Ele chegou a participar de um encontro com o papa Francisco. “Foi emocionante”, contou.
Robson nasceu em Guarulhos e, durante o início da ordenação, teve contato com a Teologia da Libertação. “Só muitos anos depois fui conhecer a Renovação Carismática, numa experiência de oração no seminário. Na verdade, ainda era uma coisa meio clandestina”, contou. Segundo Robson, havia no início um certo preconceito com a RCC, já que muitos consideravam um movimento pentecostal ou, como diziam os críticos, um grupo de “crentes dentro da Igreja Católica” pela maneira de exercer os dons e de rezar. Aos poucos, porém, o movimento ganhou força e hoje é respeitado.
A viagem a Roma aconteceu de surpresa. O padre recebeu em maio um e-mail cujo destinatário parecia ser do Vaticano. “Confesso que, neste mundo de fake news, a princípio eu pensei que era uma brincadeira. Aliás, fui até o bispo para mostrar a mensagem e descobri que era verídica”, disse.

A pedido do bispo d. Salvador, Robson narrou a viagem aos padres

O convite era para participar de um grupo pequeno que iria promover estudos no Vaticano sobre a Renovação Carismática Católica. Robson nem acreditou que seu nome foi lembrado, mas depois descobriu que a Igreja queria conversar com os líderes da base da RCC.
Em todo o mundo, por exemplo, apenas cerca de 600 líderes carismáticos com atuação nas bases participaram do projeto. Do Brasil, 40 religiosos foram convidados. “Eu nunca esperava isto, mas agradeço a Deus por esta oportunidade”, afirmou.
Robson viajou no último dia 4 e voltou ao Brasil na semana passada. No Vaticano, se reuniu com grupos na sala em que o papa Francisco concede audiências. O padre contou que o pontífice, na verdade, juntou todos da RCC e criou um único ministério, unindo as duas entidades internacionais que existiam sob a liderança de Roma.

Padre Robson com o bispo Dom Zani, secretário do dicasterio para educação católica

Houve encontros de estudos com cardeais, inclusive com a presença o prefeito do Vaticano. O momento mais importante, porém, foi o encontro com o papa Francisco, que aconteceu no sábado, 8. “Era a mesma sala, agora totalmente transformada, inclusive com seguranças. Num primeiro momento ouvimos o pregador frei Raniero Cantalamessa, de 82 anos. Ele enfatizou que a palavra ‘Carismática’, a mais forte do movimento, acabou gerando um certo desconforto e desunião. Então, ele lembrou que o substantivo correto do movimento é ‘renovação’, pois devemos ser renovados pela páscoa”, explicou. O pregador ainda pediu o fortalecimento do serviço aos pobres. “Ele lembrou que é isto o que o Senhor quer, pois há muita gente nas ruas, abandonadas”, contou o padre de Santa Cruz do Rio Pardo.
Já o papa Francisco, segundo Robson, disse que não estava transformando a RCC, mas ampliando o serviço. “Nós compreendemos a nova mensagem, pois imaginávamos que seríamos uma espécie do cabo do guarda-chuva. Na verdade, somos uma das hastes deste guarda-chuva”, filosofou Robson.
No dia seguinte, o grupo participou de uma vigília com o papa e uma missa especial. “Foi até engraçado, porque na hora do cumprimento, eu disse que era do Brasil e ele brincou: ‘Maradona’. Imediatamente eu disse que não, que era ‘Pelé’”, contou Robson.
No Vaticano, o padre também conheceu lugares considerados sagrados, como a casa da beata Helena Guerra, beatificada em 1959 e fundadora da Congregação das Irmãs Oblatas do Espírito Santo. “Recebi até uma lembrança, que trouxe para Santa Cruz do Rio Pardo”, disse. Robson retornou com um olhar diferente, inclusive no sentido de se aproximar de outras religiões. “Não podemos mais nos esquecer do diálogo ecumênico, pois na verdade fomos educados a combater os irmãos crentes. Mas o nome Jesus nos iguala”, afirmou.

  • Publicado na edição impressa de 30/06/2019
Sobre Sergio Fleury 4852 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate