Artigo: ‘Ouça mais’

Ouça mais

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

A visão de que o idoso precisa ter mais autonomia e lutar por isso já foi exposta e defendida neste espaço várias vezes. A intromissão indevida, inconsequente e exagerada dos familiares também já foram temas desta coluna e devidamente combatidas com argumentos.
Mas é preciso também lançar luz sobre a situação inversa: quando o idoso se fecha em seu mundo e tapa os ouvidos para qualquer tipo de conselho e orientação que não o agrade. Esse comportamento pode ser bastante prejudicial ao idoso.
Muitas vezes as pessoas com mais de 60 anos precisam “pensar fora da caixinha”, para usar uma expressão que está na moda. A qualidade de vida dos mais experientes pode melhorar significativamente se ficarem dispostos e abertos a novos hábitos, sejam eles alimentares, sociais ou de saúde. É incompreensível, por exemplo, um idoso viver de maneira pouco confortável ou até mesmo precária quando seus filhos e netos têm condições de, financeiramente, lhe proporcionar uma vida melhor. Ter orgulho das próprias conquistas e viver daquilo que construiu é nobre. Viver com restrições e privações porque não aceita ajuda de quem pode fazê-la com amor é burrice.
O idoso precisa, em alguns momentos, largar as armas, abrir a guardar e receber com mais racionalidade a conversa com os mais novos. Chegou a hora de filhos e netos ensinarem alguma coisa a quem a vida inteira foi o professor. O idoso precisa entender que experimentar novas situações e acrescentar coisas diferentes a sua rotina (como a praticidade que a tecnologia proporciona) não diminui em nada sua autonomia e nem irá trazer ofensas para sua história e suas crenças.
Quem passou dos 60 anos tem mais resistência em ouvir porque, na maioria das vezes, foi criado em estruturas familiares rígidas, onde o diálogo era raro. Sentar e conversar com os mais novos e aceitar uma “intervenção do bem” traz um sério incômodo, pois o idoso imagina se o pai dele aceitaria isso. Enfim, são conceitos que precisam ser quebrados imediatamente.
A busca por uma vida melhor e mais confortável deve ser feita por todos, inclusive e, principalmente, pelos idosos, pois são eles que mais trabalharam e mais viveram situações impactantes em suas caminhadas. Ouvir com atenção faz o idoso ter uma ideia mais clara de como pode se encaixar no “mundo atual” da melhor forma possível, sem abrir mão de seus valores e ainda acrescentar coisas positivas para seu cotidiano.
Afinal, nunca é tarde para aprender.

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável
Técnica pela
AleNeto
Enfermagem 

 

  • Publicado na edição impressa de 21/07/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate