CARTA – Edição de 21/07/2019

Caribe pernambucano

Além de viajarmos fisicamente, podemos seguir viagem por meio da leitura de livros, revistas, jornais, entre outros. A Cia. Aérea Azul cede aos passageiros uma revista da própria companhia, chamada Azul Magazine, que nos leva a conhecer lugares inéditos.
Um deles era Petrolândia-PE, onde, nos anos 80, fizeram a Usina Hidroelétrica Itaparica, lá havia uma cidade que ficou submersa e, depois de 3 décadas, os turistas são levados para mergulhar, principalmente na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, que ficou parcialmente submersa, com o aumento do nível de água do Rio São Francisco. Um dos poucos pedaços de terra que sobreviveu, hoje é uma boa surpresa aos visitantes. A família, dona das terras, os recebe e os leva para relaxar, provar a culinária local, caminhar nas dunas de areia branquinha, mergulhar nas águas cristalinas e entender porque o lugar é reconhecido como um pedacinho do Caribe, perdido no sertão.
Eita, Brasil, que está sempre nos surpreendendo!
A foto da revista é incrível, porque os turistas estão nadando por entre as paredes da igreja submersa.
Outra leitura interessante na mesma revista é intitulada ‘Vida de Globetrotter’, que conta a história de um dinamarquês, Henrik Jeppersen, que aos 30 anos já havia visitado 193 países do mundo, reconhecidos pela ONU. Ele calcula gastar 25 dólares por dia e é subsidiado pelas companhias aéreas e redes de hotéis e pretende conhecer todas as regiões do planeta! Está visitando o Brasil pela 4a.vez, com o apoio da Azul Cias. Aéreas.
Sua primeira viagem foi ao Egito, com 17 anos, e levou cerca de 2500 dias visitando outros países.
Vejam como é bom ler, mesmo não estando presentes, podemos viajar por meio de textos e fotos e saber de coisas que jamais poderíamos imaginar existir.
— Anna Maria Rocha (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Pensamento livre
Transcorreu no último domingo (14 de julho) o Dia do Pensamento Livre. A data relembra a Queda da Bastilha (1789).
Na França é feriado nacional.
Tive a oportunidade de passar um Catorze de Julho naquele país.
A Queda da Bastilha transcende em muito os limites do território francês. Simboliza a queda de todas as restrições que sejam impostas ao pensamento, a queda de todas as censuras.
Mesmo as ideias que merecem a mais profunda repulsa devem ser conhecidas e debatidas.
Nenhum ditador, nenhum déspota será capaz de aprisionar o pensamento humano, ainda que esta seja sua maior ambição.
O pensamento é livre, como livres são os pássaros, como livres são as árvores ao balanço do vento, como livres são os sonhos dos poetas e livres são os projetos de mundo dos que pretendem construir a utopia.
Aqueles que, na sua insanidade, pretenderam subjugar o espírito, puderam impedir que o pensamento fosse manifestado utilizando a censura e, como razão final (ultima ratio), aprisionando os que escreviam o proibido e lutavam pelas reformas indesejadas pelos donos do poder.
A vitória do inimigo da liberdade é sempre provisória. Pode durar cem anos, mas não dura eternamente.
O texto proibido hoje será conhecido amanhã. Quando o pensamento encarcerado romper as algemas, sua repercussão será ainda maior para castigo do censor.
Gerações sucessivas glorificarão os autores e pensadores feridos em sua liberdade. Seus livros serão lidos, suas ideias serão divulgadas e orientarão o destino humano.
A História eternizará, com o selo da glória, o nome dos que resistiram.
O nome dos que pretenderam domar o espírito será lembrado com desprezo, o mesmo desprezo e asco com que se fala o nome dos estupradores.
Vivemos no Brasil um momento histórico de liberdade. Essa liberdade não nos foi dada. Foi conquistada. Muitos sofreram perseguição para que desfrutemos hoje deste direito.
Mas a luta não terminou. Ainda temos de alcançar a essência da Democracia, atentos à convocação de Plínio de Arruda Sampaio:
“Na democracia das elites, as massas podem ser objeto da política. Não podem ser sujeito dela.”.
— João Baptista Herkenhoff, juiz aposentado (Vitória-ES)

O pai nosso de Bolsonaro
Chove pressão sobre o Palácio do Planalto. Por essa razão, Jair Bolsonaro pede licença aos pastores evangélicos, corre à catedral de Brasília e apela aos céus com uma prece inspirada no Pai Nosso: “Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso Nome”.
Proteja-me, meu Pai, por ver meu nome descendo do altar da santificação só seis meses depois de eleito. Confesso, Senhor, que continuo a animar os que me escolheram, uso frases e imagens que me enquadram na extrema direita, conservador nos costumes, liberal na economia. Sim, estou ansioso para ver aprovada a reforma da Previdência, portão das outras reformas.
Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu. Venham a mim, meu Pai, políticos de todos os partidos, principalmente do centrão, sob a esfera do Rodrigo Maia, pessoa que gosto de fustigar na esteira com “uma no cravo, outra na ferradura”. Confesso que não confio nesses deputados do PSL, meu partido, turma sem experiência e jogo de cintura. Afaste de mim petistas e psolistas, alvo dos meus tiros de capitão de artilharia.
Senhor, sou um militar sem muito apetite para as demandas da política, apesar dos meus quase 28 anos no Parlamento.
Convoquei um grupo de amigos militares para me ajudar nas borrascas, mas não temo desagradar a quem não faz a lição de casa. O general Santos Cruz saiu chateado, mas em seu lugar coloquei um general mais estrelado. Mais amigo.
Agrada-me o poder, ser o centro do debate e chamado de “mito”. Mas agora me preocupam as vaias da oposição. Vou rever essas idas a estádios de futebol.
Pelo meu Reino, perdão, por minha reeleição, serei capaz de mudar minha índole, fazer a vontade dos outros, embora o confessionário político não seja minha praia. Sem uma profunda reforma política, voltarei às ruas nos braços do povo.
Agradeço, Senhor, a oportunidade de sentar na cadeira presidencial. Graças a isso já entrei no círculo dos mais importantes do planeta, entre eles meu amigo Donald Trump, o chefão da China, Xi Jiping, a dura primeira ministra alemã, Ângela Merkel e o jovial presidente da França, Emmanoel Macron. Este vive me jogando na cara coisas que desconhece, como a Amazônia. Digo e repito: nosso país é uma virgem desejada por tarados.
— O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Ajude-me, Senhor, a manter o pãozinho e o frango de mais de 13 milhões de famílias do Bolsa Família. Não consegui ainda, meu Pai, aliviar o sofrimento de 13 milhões de desempregados e mais de 12 milhões de subempregados. Esse é o calcanhar de aquiles, o espinho atravessado na garganta. Mas tenho esperança no meu “posto Ipiranga”, Paulo Guedes: o desemprego começará a baixar em meados do próximo ano.
Estou com receio de que o senhor Luiz Inácio seja libertado para zoar com o meu governo. Ele e os seus amigos do PT, PSOL, PSB, PC do B e outros nanicos vão fazer de tudo para bagunçar o pleito de prefeitos em 2020 e antecipar a eleições de 2022.
As minhas galeras fiéis estarão preparadas para enfrentar a guerra entre os três terços que dividem o país: um meu lado; outro da oposição; e o terceiro sem rumo, olhando a direção do vento.
Ah, como é interessante, Senhor, ver o meu ministro Sérgio Moro, apesar de criticado pela mídia, continuar aplaudido nas ruas. Se continuar assim, meu Pai, terei de defenestrá-lo mais adiante, porque não o quero como concorrente 2022.
— Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Tentarei perdoar meus opositores, mas jamais aceitarei a tese de que o cara que me deu a facada é desmiolado. Tudo armação.
Sei que falo demais, meu dia a dia é um palanque. Mas tenho saudades das ruas, Senhor. Gosto das palavras simples, limitado que sou. Uso minha verve para agradar minha galera. Sou respeitado pela direita mundial. Quem chegou a ser tão amigo de um presidente da maior democracia ocidental, os EUA? Dizem que sou estrela brilhante da constelação da Direita mundial.
Ajude-me, Senhor, a chegar ao final do mandato com boa avaliação.
E perdoai-me, Senhor, se eu cometer o desatino de nomear meu filho Eduardo para embaixador nos EUA. Amém!”.
— Gaudêncio Torquato, jornalista (São Paulo-SP)


‘Fotos do Leitor’

Família Rosso Lorenzetti

De Edilson Arcoleze: “A imagem acima é da família de José Rosso, casado com minha tia-bisavó Libera Lorenzetti. Ela era filha de meus tataravós Francisco Lorenzetti e Luiza Trevilato. Faleceu com 102 anos de idade aos 14/06/1988. Seus irmãos eram meu Bisavô Antonio, Jacob, José e Fernando. Seu filho Aquino, hoje com 102 anos de vida, doou terras para a criação da Expopardo, recinto que recebe o nome do pai José Rosso.
Na foto estão o casal e seus filhos Maria, Regina, Elvira, Quintilho, Aquino, Brigida, Irene, Alcides, Orlanda e Elida”.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate