Artigo: ‘Briga familiar’

Briga familiar

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Com certeza, você, nobre leitor e caríssima leitora, conhece alguma família que passe por crise por conta de brigas entre irmãos, filho com pai, tio com sobrinho, etc. Muito possivelmente isso esteja acontecendo em sua própria família. Não tem jeito, a complexidade do relacionamento na sociedade atual, cada vez mais competitiva e intolerante, leva a discussões e a desentendimentos dentro das casas.
Os idosos da família, que fazem o papel do patriarcado e matriarcado de toda aquela gente, observam a situação com bastante chateação e desalento. Quando eles são os envolvidos diretos da confusão, o sentimento de tristeza aumenta e pode ser acompanhado de uma série de outros sentimentos ruins e até doenças. Muitas famílias veem os idosos como a única estrutura de união e bom relacionamento entre “seu rebanho”. Provavelmente você já deve ter ouvido esta frase, referindo-se a um avô(ó) ou pai(mãe): “Quando ele(a) morrer a família vai acabar e nunca mais ninguém irá se falar”. Parece que, por respeito ou medo daquele idoso, os familiares se aturam.
A questão é até que ponto o idoso deve ser mesmo um elo forçado entre seus descendentes. Quando os mais velhos na árvore genealógica estão doentes e precisando de tranquilidade, é obrigação de filhos, netos, sobrinhos, irmãos deixarem de lado divergências e transmitirem pensamentos positivos e paz para aquela pessoa. Ninguém é obrigado a se amar e nem ficar dando demonstrações de carinho aos olhos do idoso. Mas respeito e manutenção da harmonia são essenciais. Porém, quando o idoso é saudável, criar um clima artificial pode ser um tiro que sai pela culatra.
Um idoso lúcido, consciente e orientado pode se valer de sua autoridade familiar para manter (ou ajudar a manter) o “amor entre os familiares”. Mas ele não merece ser enganado por teatrinho de pessoas que têm problemas entre si e ficam se fazendo de melhores amigos para não chatear o mais velho. É claro que ninguém quer ver os filhos ou outros entes queridos de cara virada. Mas também é verdade que os mais velhos da família ficariam mais serenos se fossem colocado a par das divergências, até mesmo para, com sua sabedoria e experiência, ajudarem na solução do impasse.
Não podemos esquecer que esse mesmo idoso já deve ter sido protagonista de briga nesta mesma família, anos atrás. E, talvez, ele viva atormentando por um grande arrependimento de não ter feito as pazes com uma pessoa contemporânea sua que já se foi.
Nada deixa um avô ou uma avó mais feliz do que ver seus filhos, netos, irmãos, cunhadas, sobrinhos e agregados todos juntos à mesa, almoçando felizes da vida aos domingos. Mas nem sempre isso é possível. E a família precisa ter a maturidade de trazer o idoso para a realidade, desde que ele tenha saúde para isso. Acredite: a vida real ainda é a melhor vida para ser vivida.

  • Publicado na edição impressa de 28/07/2019
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