‘Verde que te quero ver-te’

Ciraqui batizou sua chácara em Santa Cruz com o nome de “Arena Palmeiras”

Palmeirense fanático, aposentado transforma sua
chácara num monumento em homenagem ao time

Na “Arena Palmeiras”, até trave de gol é verde e branco

Diego Singolani
Da Reportagem Local

Uma pequena estrada de terra que dá acesso ao conjunto de chácaras “Primavera”, no bairro rural da “Mandassaia”, em Santa Cruz do Rio Pardo, é o caminho que leva até o refúgio de um torcedor apaixonado. Logo na entrada da propriedade — batizada de “Arena Palmeiras” —, o verde e o branco já dominam a paisagem, colorindo os muros e portões. Do lado de dentro, se ainda existir alguma dúvida, a decoração temática e as dezenas de objetos que fazem referência ao “Campeão do Século” deixam bem evidente: ali reside um legítimo “palestrino”.

Antônio Ciraqui tem um verdadeiro arsenal de revistas e jornais relacionados ao time para o qual torce
Ciraque mostra revista noticiando o nascimento do primeiro filho de Pelé

O nome dele é Antônio Ciraqui, 75, aposentado. Antônio é casado, tem um filho e dois netos. Nasceu em Santa Cruz, na Figueira de Santo Antônio, mas morou por muitos anos em São Paulo, onde trabalhou em uma empresa de gás encanado e também com manutenção de elevadores. Há 15 anos, construiu a chácara na Mandassaia para aproveitar sua aposentadoria. “No começo tinha só o nome ‘Arena Palmeiras’. Depois meu filho começou a fazer algumas mudanças e a gente foi decorando todo o lugar”, conta.
A paixão pela Sociedade Esportiva Palmeiras está estampada por todos os lados da chácara. Nas paredes verde e branco, foram desenhados distintivos do time e flâmulas foram afixadas. Nos pilares da área de churrasco, os tijolos formam um mosaico com as cores do palestra. Até as traves do gol do campo de futebol da propriedade também prestam homenagem verdão. “Eu ainda crio pavões. Apesar de azuis, a cauda deles, que é a principal característica dessa ave, é verde também”, explicou Antônio.

Entre as decorações, há até uma cachaça cuja embalagem é do Palmeiras

O colecionador

Antônio Ciraqui revela que apesar do sangue italiano falar mais alto seu primeiro clube do coração não foi o Palmeiras. Por volta dos 8 anos de idade, seus irmãos disseram que ele tinha que escolher um time. “Eu perguntei para eles em qual equipe havia algum jogador chamado Toninho, que era meu apelido. Aí falaram do Toninho Guerreiro e passei a torcer pelo Santos por causa dele”, relembra. Mas a fase santista durou pouco e as origens prevaleceram. “Na minha família a maioria é palmeirense, mas têm uns santistas e são-paulinos também. Tem um ou outro corintiano que veio de fora, entrou pela porta dos fundos da família”, brincou o aposentado.
Na verdade, Antônio faz o estilo de torcedor pacífico. Gosta de “tirar uma onda”, mas jamais se meteu em confusão por causa de futebol. “Eu não choro e nem brigo pelo meu time. O importante é se divertir”, afirmou. Em dia de jogo, ele prefere ficar concentrado na televisão, sem barulho ou distrações. “Já meu filho e neto são do tipo que avançam do aparelho”, disse.
O aposentado também tem uma coleção de revistas esportivas e jornais dos anos 1960 e 1970. Alguns exemplares são verdadeiras raridades, como a edição da “Placar” que traz na capa Pelé com seu primeiro filho, Edinho, recém-nascido ou ainda o jornal “Gazeta Esportiva” com a reportagem sobre o tricampeonato mundial da Seleção brasileira conquistado na decisão contra a Itália, por 4 a 1, no “Estádio Azteca”, em 1970, no México. “Quando era solteiro, eu colecionava todas as revistas. Acabei preservando esse material. Hoje em dia muita gente se interessa”, disse.
Antônio Ciraqui diz ser fã do futebol bonito e bem jogado, tanto que assiste as partidas de outras equipes quando o jogo é bom. “Infelizmente o atual time do Palmeiras, com o Felipão, não apresenta essa qualidade”, lamenta. Seu maior ídolo no futebol, claro, é o “divino” Ademir da Guia, líder da segunda academia de futebol do verdão nos anos 1970. Porém, o aposentado afirma que o momento mais marcante para ele na história do Palmeiras foi a semifinal da “Libertadores” de 2000, contra o Corinthians, quando o goleiro Marcos defendeu a cobrança de pênalti de Marcelinho Carioca. “A festa foi impressionante. As pessoas nas ruas vibravam. Mesmo perdendo a final depois para o Boca, aquele jogo foi antológico”, declarou. No elenco que hoje veste a camisa do Palmeiras, Antônio destaca Felipe Melo, pela raça e garra. E quando o assunto é a polêmica “Copa Rio” de 1951, motivo de chacota para os rivais e de orgulho para os palestrinos, Antônio Ciraqui não hesita: “O Palmeiras foi sim campeão do mundo naquele ano. Foi o título mais lindo. Hoje as informações estão todas aí, disponíveis, só não admite quem não quer”, afirmou.

* Colaborou Toko Degaspari

  • Publicado na edição impressa de 11/08/2019
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