S. Cruz ganha sua Academia de Letras

Posse da primeira diretoria da Academia de Letras aconteceu na Câmara no dia 27

Implantação da instituição cultural aconteceu no
recinto da Câmara, com posse dos primeiros ‘imortais’

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Uma tradição iniciada no século XVII, na França, chegou a Santa Cruz do Rio Pardo. Na noite de sexta-feira, 27, num evento de gala, tomou posse a primeira diretoria da Academia de Letras da cidade, composta por 12 acadêmicos. Na mesma noite, foi aberta uma exposição de autores de Santa Cruz e lançamento de livros.
O advogado José Eduardo Catalano foi escolhido como o primeiro presidente da Academia Santa-cruzense de Letras. Um a um, os novos acadêmicos fizeram juramento solene, assinaram o livro de posse e enalteceram especialmente o patrono de suas respectivas cadeiras. A exemplo das tradicionais academias, cada cadeira tem o nome de um ilustre santa-cruzense já falecido. A de Catalano, por exemplo, homenageou o escritor José Augusto Dias, ex-colaborador do DEBATE que faleceu neste ano.

PIONEIRO — José Eduardo Catalano é o primeiro presidente da academia
O escritor João José Zanata, colaborador do DEBATE, durante a posse

A criação da academia em Santa Cruz contou com a colaboração do poeta Luiz Becker, membro de várias outras de São Paulo e outros Estados (leia abaixo). Becker conduziu a cerimônia de sexta-feira. Estiveram presentes, além de escritores e autoridades, acadêmicos de outras cidades.
Os primeiros “imortais” de Santa Cruz, que também integram a diretoria pioneira da instituição, são Nataly Camilo dos Santos, Deolinda Menoni, Noriko Kawabata, João Zanata Neto, Luiz Carlos Cichini, Adriana de Fátima Araújo de Oliveira, Denise de Fátima Andrade, Valdir da Silva Ribeiro, Cristiane Melissa de Freitas Nóbile, Dulcelina Scarpim Pelegatti e Luiz Henrique Becker.
No final, antes de um coquetel para os presentes, houve uma homenagem ao vereador Edvaldo Godoy (DEM), que colaborou com a criação da academia, inclusive apresentando projetos na Câmara. Houve, ainda, a declamação de uma poesia pelo frei Cardoso.


CULTURA — Becker, no escritório em São Pedro, repleto de homenagens

Poeta, Becker foi o
grande incentivador

Becker com o acadêmico Luiz Airão

A criação da Academia Santa-cruzense de Letras não seria possível sem o incentivo do poeta e escritor Luiz Becker, 34. Morador em São Pedro do Turvo, ele nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo e garante que seu coração está na cidade natal. O poeta já integra a academia de Santa Cruz, mas também é “imortal” em várias outras. “Eu estou à frente como líder acadêmico e acho que a nova instituição é um marco para a cidade”, disse.
Becker é membro consultivo, por exemplo, da ”Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura”, que já possui 119 anos de existência. Além disso, integra a Academia Pan-americana do Rio de Janeiro.
Luiz Becker, na verdade, possui um DNA cultural nato. Afinal, é parente da atriz Cacilda Becker, que morreu em 1969. Por isso, ele assumiu a cadeira 5 da “Academia Brasileira de Ciências e Artes” de São Paulo, que tem como patronesse justamente a atriz. “A Cacilda era prima do meu pai e levou o nome do teatro brasileiro ao mundo”, ressaltou.
Becker também recebeu uma homenagem em São Paulo como “poeta dos sonhos”, como é conhecido no meio literário. Ele ganhou o diploma “Vinícius de Moraes” das mãos da neta dele, Mariana de Moraes. Também foi homenageado pela academia da Paraíba.
A literatura chegou para Luiz por acaso. Seminarista durante vários anos, ele teve dúvidas sobre a vocação e permaneceu recluso 90 dias. “Só saía para comer”, lembra. Neste período, começou a escrever. O País perdia um padre, mas ganhou, então, um poeta.
Experiente em academias, Becker disse que a de Santa Cruz pode levar literatura e cultura à população mais simples. “A academia é a guardiã dos valores e da cultura. É a guarda que estará em pé para discutir educação. É a entidade que vai fomentar uma reflexão do momento em que vivemos. Claro que não é uma instituição cujos acadêmicos se reúnem apenas para tomar chá”, afirmou.
O poeta explicou que o fardão, totalmente caracterizado, será usado pelos acadêmicos de Santa Cruz do Rio Pardo. “É um símbolo da imortalidade, lógico que através da literatura e das obras culturais”, disse.

* Colaborou Toko Degaspari


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  • Publicado na edição impressa de 29/09/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate