Artigo: ‘O Alzheimer entre nós’

O Alzheimer entre nós

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Vocês, caros leitores e caríssimas leitoras, conhecem, muito provavelmente, alguém que sofre com Alzheimer ou quem tenha algum familiar com a doença diagnosticada. Segundo a Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), mais de 1,2 milhão de pessoas com mais de 65 anos são vítimas deste mal no Brasil. E até 2030 esse número vai dobrar, diz a Associação. Não tem jeito mais de ignorar, o Alzheimer está entre nós e precisamos conversar sobre ele.
Ainda há muito preconceito, dúvidas e falta de jeito para lidar com a doença. O desconhecimento é tanto que, em lembrança ao Dia Mundial do Alzheimer, comemorado em 21 de setembro, a ADI (Alzheimer´s Disease International) publicou uma pesquisa que mostra que a maioria das pessoas entrevistadas acredita que a demência provocada pela doença é algo natural ao envelhecimento e que todos passam ou terão de passar por isso. O levantamento mostra que a preocupação não é sobre como prevenir o Alzheimer, mas sim quando ele chegará, outro equívoco.
É preciso esclarecimento para que as famílias consigam saber como tratar esse doente e oferecer a ele a melhor qualidade de vida possível, inclusive com componentes que tragam tranquilidade para a própria família. O DEBATE já tratou do assunto em uma entrevista comigo na edição do dia 25 de agosto, em matéria do repórter Diego Singolani, facilmente encontrada nas redes sociais do DEBATE e da AleNeto Enfermagem. Hoje nosso foco será no convívio social com esses enfermos.
E sabe qual a melhor maneira para isso: simples, com eles. Sem medo, sem receio, sem hipocrisia. A família muitas vezes tem vergonha do comportamento do doente de Alzheimer, principalmente em ambientes públicos e decide, por conta disso, privá-lo de passear e frequentar determinados lugares, quando o estágio da doença permite, é claro. Além de cruel, é uma medida que atrapalha ainda mais a qualidade de vida destas pessoas. Ninguém tem que ficar constrangido por nada. Os únicos sentimentos presentes devem ser o carinho e o acolhimento. Quem vê de fora a situação, não precisa se comportar como se visse um ET. Solidariedade e discrição é o melhor caminho para conforto de todos.
A melhor maneira de entender uma doença de tão difícil compreensão é a informação. Ao mesmo tempo que é preciso ter ciência de que o doente não está fingindo e nem exagerando determinados comportamentos, também é necessário entender que esquecer onde colocou a chave do carro após os 65 anos não significa demência.
Se esconder do Alzheimer e esconder o Alzheimer é um retrocesso sem tamanho na caminhada pela inserção social dos doentes.

  • Publicado na edição impressa de 29/09/2019

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e Responsável
Técnica pela
AleNeto Enfermagem

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Proprietário e Editor do Jornal Debate