‘Cras Betinha’ comemorou seus 10 anos

EQUIPE — Antiella (no microfone) agradece a equipe do Cras pelos 10 anos

Festa de aniversário teve homenagens e apresentações
dos grupos e projetos; houve aplausos emocionados

Grupo de jovens se apresenta no evento

Diego Singolani
Da Reportagem Local

O Cras (Centro de Referência da Assistência Social) “Betinha”, no bairro São José, em Santa Cruz do Rio Pardo, completou 10 anos de implantação. Além de sua importância na transformação da realidade da região e na mentalidade da comunidade, o Cras Betinha se tornou uma referência em novas políticas de assistência social, valorizando a cultura como instrumento fundamental de trabalho. Na terça-feira, 24, a celebração de aniversário contou com apresentações de música, capoeira e homenagens a equipe e moradores.

A nova e a velha guarda caíram no samba

O Cras é a porta de entrada da assistência social. É um local público, localizado prioritariamente em áreas de maior vulnerabilidade social, com o objetivo de fortalecer a convivência com a família e com a comunidade. O Cras Betinha há 10 anos atende a população dos bairros São José, Divineia e adjacências. Além de oferecer apoio para que os moradores tenham garantidas suas necessidades básicas de sobrevivência, o Cras também desenvolve a articulação de grupos de convivência, cursos profissionalizantes e ações recreativas.
A festa de 10 anos do Cras Betinha contou a apresentação do coral infantil, regido pela maestrina Elaine Proença Gavião dos Santos. Na sequência, o professor Bruno Machado e os alunos de percussão colocaram o público para dançar. A turma da capoeira, comandada por Lucas Santana, também fez se apresentou e o barracão “explodiu” quando a bateria da escola de samba “Unidos da Divineia”, na cadência do mestre Jarbas, ocupou o salão. A equipe do Cras e os voluntários também foram homenageados e projetos como o “Fala Vila”, desenvolvido em parceria com a secretaria municipal de Cultura e a associação de moradores, tiveram destaque.

Público acompanhou o evento, na sede do Cras Betinha

O prefeito Otacílio Parras (PSB) compareceu ao evento. Em breve discurso, parabenizou o trabalho desenvolvido pelo Cras Betinha e disse que as melhorias conquistadas para a região aconteceram graças à articulação dos moradores que procuraram a prefeitura. Otacilio afirmou ainda um processo similar está em curso na Vila Bom Jardim, mas pontuou que, para sua concretização, a população também deve se mobilizar.

Fala povo

Prefeiteo (sentado) e secretários prestigiaram a festa dos 10 anos

Antônio José de Goes mora há 44 anos de Vila Divineia. Ele é um dos que permanecem no bairro desde os seus primórdios, na época em que pequenos ranchos construídos com madeira de eucalipto e barro dominavam a paisagem. Goes, que também é um dos líderes comunitários e integra a direção da associação de moradores, diz que o papel do Cras foi fundamental na mudança de mentalidade da população. “Primeiro, nós tivemos o apoio da prefeitura, que realizou várias melhorias de infraestrutura no bairro. O Cras nos trouxe sabedoria e conhecimento para nos unirmos e continuar o trabalho”, afirmou.
As amigas Alzira de Oliveira, 70, e Tereza Cipriano, 79, também acompanharam de perto a transformação da região. Se antes, na juventude, eram companheiras de baile, hoje dividem os palcos após descobrirem o teatro no Cras. Alzira também é muito ligada ao carnaval da vila, enquanto Tereza é uma das responsáveis pelo café da manhã servido aos domingos para as crianças. Dentro do “Fala Vila”, elas participaram de uma peça teatral que contou a história da Divineia. “Pegaram gosto pela arte” e decidiram se aperfeiçoar. As duas realizaram recentemente uma oficina teatral para mulheres no Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto. “O Cras mudou tudo para a gente. Só trouxe coisas boas”, declarou Alzira.

Toda a família de Jarbas se envolveu nas atividades do Cras Betinha

Tereza conta chegou ao Cras após recomendação da sua médica, pois enfrentava uma depressão. “Convivendo com pessoas eu fiz muitas amizades e nunca mais sofri com essa doença”, afirmou.
Ao longo de 10 anos de Cras Betinha, a sensação é de que equipe e comunidade formaram uma família. E algumas famílias, literalmente, cresceram dentro do Cras. Jarbas Monteiro, o “Jarbinhas”, mestre de bateria da escola de samba, hoje tem ao seu lado a filha Laiane Cristina, que comanda a ala infantil. “É algo especial. Aprendi com meu pai e hoje posso ensinar às crianças da vila”, disse Laiane. Jarbinhas destaca a parceria entre o Cras e a associação de moradores como algo fundamental para o desenvolvimento do território. “A vila se transformou graças ao Cras”, afirma.
A coordenadora do Cras Betinha, Antiella Carrijo Ramos, participou da implantação do projeto há 10 anos. Relembrando sua trajetória, ela conta como a função do Cras foi se modificando justamente para atender às novas demandas daquela população. “No início, nosso objetivo era fazer uma busca ativa no território e facilitar o acesso das famílias ao direito da assistência social”, diz.
Segundo Antiella, o divisor de águas para que o Cras Betinha se tornasse uma referência em novas políticas assistências foi a inclusão da cultura, arte e educação como instrumentos de trabalho. “Nós começamos a romper com a política exclusivamente assistencialista, das necessidades básicas, da sobrevivência, e buscamos fomentar a conscientização, reflexão e o empoderamento das famílias”, afirma.
O projeto “Fala Vila”, em parceria com a secretaria municipal de Cultura e a associação de moradores, é o marco desta proposta. Antiella também destaca a articulação comunitária como uma importante ferramenta de transformação social. “Para os próximos 10 anos eu espero que possamos estimular cada vez mais o protagonismo da comunidade, trazendo a população para um diálogo estreito com a gente e buscando os potenciais da região”, disse.

  • Publicado na edição impressa de 29/09/2019
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