A arte de ir ao parquinho

DIVERSÃO — Dentro dos túneis do parquinho “Levado da Breca” é que Isabelly costuma passar seu tempo quando vai ao local

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Em tempos de excesso de informação, nem as crianças costumam escapar das novas tecnologias. O resultado disso é um problema nas famílias: com a atenção presa nas telinhas, alguns pequenos sequer têm a infância marcada pelas tradicionais brincadeiras da idade, das quais muitos costumam se lembrar sempre com saudades.
Na tarde de quinta-feira, 10, o DEBATINHO esteve no parquinho “Levado da Breca”, no centro de Santa Cruz do Rio Pardo, em busca de pais que acompanhassem seus respectivos filhos. Brincar ao ar livre, afinal, sempre foi algo muito querido — e cobiçado — pela criançada.
Mas o resultado foi bem diferente do esperado. Dentro do recinto, um clima negativamente calmo — havia apenas três pessoas. Duas delas brincando de bola. A outra, um tanto mais velha, mexendo no celular.
A reportagem conseguiu avistar apenas uma mãe com sua filha. Elas já estavam de saída, mas concordaram em conversar. São a dona de casa Alessandra Regina Paula, 29, e a filha Isabelly Regina Fernandes, 10.

EM FAMÍLIA — A mãe, Alessandra de Paula, também se envolve nas brincadeiras quando leva a filha no parquinho

Sempre que possível — principalmente nas quartas-feiras, quando há a ‘Feira da Lua’ — Alessandra costuma levar sua filha ao “Levado da Breca”. Para ela, brincar ao ar livre não tem preço. “E quero que minha filha passe por isso”, diz Alessandra, cujo marido tem as mesmas ideias sobre a importância das brincadeiras na infância.
Isabelly, por sinal, gosta mesmo de se divertir. Tanto que ela mesma pede para a mãe levá-la ao parquinho. A família mora no Jardim Eleodoro, mas no bairro poucas são as companhias que a filha tem quando quer brincar. “Por lá, as crianças ficam dentro de casa. Imagino que fiquem mexendo no celular”, sugere Alessandra.
Celular, aliás, não é um objeto que faz parte do cotidiano de Isabelly. Ela nem tem um. Se quer usar, é o da mãe. “Não deixo usar muito, mas quando está com ela sempre observo o que minha filha está fazendo. Só mais para frente é que Isabelly vai ganhar um”, disse. Mas isto nem parece ser um problema para a menina, que prefere brincar.
Por outro lado, Alessandra investe nos brinquedos para a filha. Recentemente, deu a Isabelly uma bola de vôlei. “E ela costuma passar o dia se divertindo”, contou. A filha também gosta de bicicleta e, sempre que pode, pedala ao redor do bairro onde mora.
Alessandra explica que já deu as orientações à filha sobre o celular. Para ela, o uso traz problemas no desenvolvimento da criança. Algo que é, inclusive, confirmado por vários psicólogos. O uso do celular na infância pode, entre outras coisas, alterar o sono e causar ansiedade e déficit de atenção.
Não é à toa, acredita a dona de casa, que Isabelly costuma ter boas notas na escola e também gosta de estudar. “Não deixo ela ter outras distrações”, afirma. Ela tem exemplos disso dentro da própria família. Isabelly conta que tem primos, menores do que ela — de cinco e seis anos — que passam o dia brincando no tablet.
“Só quando eu vou na casa deles é que saem um pouco dos aparelhos, quando eu chamo para brincar, diz Isabelly, que vai ao parquinho praticamente desde que nasceu.
Quando começou a frequentar o local, Alessandra lembra que havia muito mais gente. “Ela nem andava direito e eu tinha de olhar toda hora. Era lotado, nem dava para andar direito”. Hoje, porém, há poucas crianças no parque. Assim, é na escola Sinharinha Camarinha que Isabelly possui mais companhia para se divertir. “Brincamos de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha e ainda sobra tempo para pular corda”, diz.

  • Publicado no suplemento DEBATINHO de 13/10/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate