CARTAS – Edição de 27/10/2019

Turma 1967 do TG 223
em renovação de amizade

Desde 1985, a turma formada pelo Tiro de Guerra 223 em 1967 vem se reunindo com a finalidade de rememorar experiências vividas durante o seu período de formação militar. O 12º encontro, realizado no dia 19 de outubro passado, no Clube Náutico, foi marcado por momentos de recordação (dos vivos e dos que já se foram), descontração, oração, poesia e muita música. Além disso, as paredes do quiosque onde se realizou a festa receberam uma substancial exposição de textos, fotos e objetos que registraram os momentos culminantes dos onze encontros anteriores.
Trazer fatos do passado para o presente é um processo vital para todos nós. Isto porque a memória, ativada pela passagem da história, recompõe psicologicamente as pessoas e robustece as suas identidades. Ao dizer “Eu vivi essa experiência e dela me lembro muito bem”, as pessoas acionam narrativas guardadas para si e renovam a sua capacidade de humanização de si e dos colegas com quem produziram coletivamente a experiência pregressa.
A confraternização em si merece destaque, pois mais de meio século se passou desde a apresentação dos convocados ao TG, das aulas (teóricas, práticas, de fuzil, de tiro, etc) até a formatura realizado no antigo Clube do XX, com direito a diploma e a certificado militar sem dispensa. Longas caminhadas de até 24 quilômetros, ginástica puxada três vezes por semana, prática de tiro ao alvo em terreno isolado bater continência todo dia às 6 horas da manhã, além dos desfiles nas datas cívicas. Tudo isso sob a batuta do Sargento Katinskas, um militar disciplinador e rigoroso em tudo o que fazia e exigia dos seus recrutas e com o poder especial que momento histórico lhe autorizava.
Que momento era esse? 1967 foi um ano em que a ditadura brasileira, comandada pelo alto comando do exército, se radicalizou. Os acontecimentos falam por si: nova Constituição promulgada pelo General Castelo Branco, Lei da Imprensa com censura prévia da mídia, circulação do cruzeiro novo, Lei de Segurança Nacional, etc. Com tudo isso na cabeça, com o Brasil passando por tão mudanças radicais, os recrutas executavam a ordem unida, desfilavam pela cidade com seus uniformes verdes, quepes e coturnos e, de certa maneira, constituíam alongamentos do poder que comandava o Brasil de então.
Havia quem dissesse que servir o exército através do alistamento militar obrigatório era – e ainda é – uma perda de tempo. Essa afirmação é controversa e precisa ser avaliada à luz do que pode resultar das múltiplas experiências vividas na caserna. Para a turma TG223-1967, pode ser afirmado que a aprendizagem foi significativa sob vários aspectos, entre os quais: respeito aos ícones pátrios, desenvolvimento físico e disciplina pessoal. E acima de tudo, tomando os 52 anos agora passados, o forte senso de coleguismo e de reconhecimento dos amigos no passar do tempo ou de lamento por aqueles que já partiram deste mundo.
Segundo algumas teorias, o abraço na proximidade tem um efeito terapêutico de reconforto, felicidade, consolo e solidariedade. Os ex-recrutas de 1967 sabem muito bem disso e há mais de meio vêm repetindo a experiência do reencontro, da interação sadia, da risada gostosa gerada por esta ou aquela lembrança, da piada que só dentro do grupo pode ser entendida, do termômetro do tempo que é acionado no espelho recíproco que surge no momento da festa. E outras festas virão até que todos estejamos tombados, mas, como a memória não morre, sejamos lembrados por filhos e netos ou por outros soldados que também viverem experiências no TG 223.
Estiveram presentes neste encontro (2019): Antônio de Pádua, Armando Cunha, Armando Mardegan, Bento Roberto Figueira, Benedito Marquezin, Eduardo Gonzaga de Oliveira, Eduardo Rodrigues, Ermínio Paulim, Ezequiel Theodoro da Silva, Ézio Santo de Paula, Gilberto Antônio Monteiro, Irineu Rodrigues do Prado, Isaías Carvalho dos Santos, Jair D’Império, José Adolfo Araújo, José Augusto Cardoso, José Augusto Pelógia, José Carlos Ferreira, José Roberto Palma, Luiz Válter Gabriel, Mário Menegazzo, Nélson da Silva Miranda.
— Ezequiel Theodoro da Silva (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Meus parabéns ao DEBATE
Neste último domingo (20/10/2019 ) uma pessoa escreveu uma carta pro jornal debate (— Maria Angela Bergonsini (Ourinhos-SP) enaltecendo o trabalho e a imparcialidade do jornal DEBATE . Sem demagogia, realmente, essa leitora tem razão, haja vista que vejo o DEBATE com bons olhos e sempre trabalhando do lado verídico da história e, de alguma forma, levando a realidade dos fatos ao seu leitor.
Diante disso, saliento que estamos atravessando uma fase terrível do trabalho jornalistíco e televisivo no Brasil, onde temos jornais e canais de TV que só expõem diariamente e massivamente os erros/defeitos/roubos/hipocrisias/conchavos políticos do governo atual.
E estão pensando que acho errado? Logicamente que estão certo, mas gostaria de saber onde esses famigerados jornalistas, apresentadores, artistas, canais de TV estavam morando nos últimos anos em que os nossos governantes deterioraram os cofres públicos, institucionalizaram a corrupção, venderam estatais a preços de ‘banana’, isso um pouco mais no passado, etc.
Enfim, deveriam ter vergonha na cara e um pouco de respeito e não ficar do lado de quem paga mais e de quem oferece vantagens, e sim, a favor do Brasil, a favor do brasileiro de bem, a favor da verdadeira democracia, a favor dos direitos do cidadão.
Tenho repugnância e nojo da mídia brasileira. Obviamente que o jornal DEBATE não se enquadra nesse quadro negativo, e sim, faz um trabalho sempre imparcial e justo.
— Celso Kaizer (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

‘Nada levamos’
Durante toda minha vida, ouvi às pessoas dizerem: “Nós não levamos nada desta vida!” Esta expressão, normalmente, ouvimos quando um indivíduo está obcecado em busca de uma realização pessoal. E, tem a sensação de que não vai alcançar o alvo premeditado. Consequentemente, ele entende que a vida é injusta ou que o mesmo é um fracassado. Gerando uma série de pensamentos negativos e derrotistas. Sem mencionar as doenças psicossomáticas, geradas ou agravadas pelo estresse emocional. Eu enxergo de forma diferente. Para começar, contrariando o senso comum, nós levamos, sim, algo desta vida. “A única coisa que levamos desta vida, é a vida que levamos”. O que isso quer dizer? Isso nos ensina que não podemos ter uma vida desperdiçada. Não levamos nada a partir do momento em que vivemos na inercia, estagnados e paralisados no tempo. No final, quando a “ficha cair”, iremos perceber que tudo estava à disposição, mas ficamos procrastinando a vida, empurrando com a barriga. Então, chega o momento que ela se esvai. O fato de não atingirmos o que sonhamos e pretendemos, não quer dizer que fomos ou somos inferiores aos demais, tampouco fracos e desprovidos de capacidade para tal. O fato gerador disto está em não premeditarmos os contra tempos, percalços e intempéries da vida. É uma ordem natural do universo. Podemos ser mais, ou menos que sonhamos. Mas, não quer dizer que fracassamos. Podemos reinterpretar o ponto negativo e desfavorável a nosso favor. Isto é possível quando temos uma visão otimista de toda e qualquer ocasião. A mente vai se abrir para novos horizontes nos proporcionando paz, alegria, realização e a sensação do dever cumprido. Esta vida, com certeza, iremos levar. O não levar nada está relacionado a uma vida não vivida, não planejada e não sonhada. Os sonhos, as metas, os planos e os objetivos, nos faram viver mais e levar o essencial: Que é ter vivido, planejado e conquistado! Lembre-se! Nossa mente funciona como um computador. Seu cérebro é o hardware. Sua mente é o software. Baixe os programas certos e atualize-os com frequência. Assim, você estará sempre atualizado. O contrário de “vida” não é morrer, mas, sim, “nascer”. A vida não tem contrário. “O contrário de viver não é morrer, mas é não viver”. Por isso, não se prepara alguém para morrer, mas para viver. Isso nos ensina que não podemos ter uma vida desperdiçada. Nascer, viver e morrer é algo inerente da vida. Como, quando e por quê? Isso pouco importa! Estamos aqui exatamente para passar por esta transição. Caso contrário, não estaríamos aqui! Seriamos seres inexistentes. Mas, por alguma razão, fazemos parte desta existência. Quem sabe o por quê? Eu, não sei de nada! O criador é quem sabe! Apenas vivo a vida que Ele me deu. Segundo Epicuro, filósofo grego: “Não devemos temer a morte”. Segundo ele: “Eu e minha morte nunca vamos nos encontrar. Quando eu existo, minha morte não existe. Como vou temer algo que nunca vou encontrar?” Nunca temerei algo sem nexo para minha mente. Na existência de um, há inexistência de outro. Para ser sincero, deveríamos temer mais viver que morrer. Se a aquilo que denominamos de “vida”, fosse realmente viver, viveríamos com prazer. O que é fato, é que não vivemos! E, sim, sobrevivemos. Eu resisto aos efeitos de continuar a existir e prolongar minha existência. Quem pode me dizer que, realmente, “vive em sua total e prazerosa plenitude” nesse mundo caótico, cheio de perigos e inseguranças? A tribulação advém de onde menos esperamos. Normalmente naqueles lugares onde acreditamos ser nosso baluarte mais seguro. Esta é a complexidade e o paradoxo que denominamos de “vida”! Abraço, amigos (as)!
— Rodrigo C. Santos, teólogo (S. Cruz do Rio Pardo-SP)

Lula e Getúlio
Quero propor, neste artigo, que reflitamos sobre a compaixão e a solidariedade. Como estes sentimentos são importantes para a genuína fé cristã.
Compaixão lida mais com o interior, a vida espiritual, o coração. A solidariedade trabalha mais com as ações concretas, que desaguam num comportamento de ajuda e companheirismo prático.
Não tem qualquer mérito exaltar o poder porque o poder perece. Apropriado é homenagear quem esteve por cima e hoje está por baixo.
Quando esteve no topo teve mil bajuladores.
Na prisão só mesmo uma figura grandiosa como Frei Leonardo Boff para ter a iniciativa de visitá-lo, embora impedido de concretizar seu propósito pela arbitrariedade judicial.
Que saudades de meu tempo de juiz, quando o magistrado era o fiel na balança. Não pendia nem para um lado, nem para o outro.
Neste texto, presto tributo a Getúlio Vargas e a Lula que são, a meu ver, os dois maiores estadistas do Brasil, nos séculos XX e XXI.
Getúlio suicidou, Lula está preso.
Motivos semelhantes levaram Vargas ao suicídio e Luis Inácio ao cárcere.
Não obstante a distância, no tempo, entre essas duas personalidades, há muito em comum entre ambas.
Getúlio e Lula defenderam as riquezas nacionais contra a cobiça estrangeira. Getúlio criou as bases do Direito do Trabalho, Lula fez avanços na legislação operária.
Um dos maiores legados de Vergas foi a implementação de um projeto desenvolvimentista baseado na forte presença do Estado em áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento do país.
Atuando como regulador ou empreendedor de certas atividades econômicas, a intervenção estatal tinha por objetivo estimular a industrialização e modernização do país.
Lula partilhou de ideais semelhantes, embora num outro tempo.
Getúlio e Lula tiveram o apoio das camadas mais pobres da sociedade. Contaram com a simpatia de setores da classe média. Atraíram contra si o ódio dos que não queriam e não querem nada perder.
Essa camada superior não se considera detentora de qualquer privilégio. Tudo que conquistou foi resultado de luta e esforço, diferentemente da plebe rude.
Nenhum brasileiro recebeu homenagens semelhantes às tributadas a Getúlio, após sua trágica morte. O Brasil chorou. Os idosos lembram-se disso.
Frequentadoras da Missa, católitos exemplares, essas pessoas não consideram que profanam o Evangelho quando se socorrerm das palavras do Cristo para defender uma sociedade de classe
Pobres, sempre tereis convosco. (Marcos, 12, 7).
O Cristianismo tem seu fundamento no amor e na solidariedade.
A ideia de competição, como diretriz para a vida econômica, mesmo quando essa competição esmaga os fracos, não tem filiação evangélica
— João Batista Herkenhoff, juiz aposentado (Vitória-ES)


REPERCUSSÃO ONLINE:

Ipaussu quer
retirar capivara

Via Facebook:

O carrapato infectado com a bactéria é que causa a doença e não a capivara, embora seja hospedeira. Importante ressaltar que o principal hospedeiro dos carrapatos são os cavalos.
Portanto, devemos remover os cavalos também. Com base nesse princípio, analisando a última década, se as capivaras fossem realmente o problema, metade da população de Ipaussu estaria morta.
— Tiago Gasparino (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
—oOo—
Pessoal, vamos ser razoáveis!
O animal é hospedeiro de uma bactéria que causa uma séria doença no ser humano.
Diferentemente de um cavalo, a capivara é um animal silvestre. Animal silvestre deve permanecer em área para animais silvestres e não em área urbana.
Os cavalos são animais domésticos, logo, os cuidados com esse animal são diários. Dificilmente um animal doméstico, tratado diariamente, será afetado por uma infestação de carrapatos.
Eu adoro os animais, mas também gosto das pessoas.
E o bom senso diz que as capivaras devem, sim, ser retiradas dali por uma questão de saúde pública. Ponto final!
— Carlos Eduardo Gonçalves (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

REPERCUSSÃO ONLINE:

Um super-herói de verdade

Via Facebook:

Parabéns ao jornal por divulgar tantos talentos, estou orgulhosa dos meus conterrâneos…. Realmente um lindo gesto. Parabéns.
— Divas Rosa Camargo (São Paulo-SP)
—oOo—
Acho lindo o que ele faz! Que Deus continue abençoando essa sua missão do bem.
— Tania Izabel Bazoni (Porecatu-PR)



“Fotos do Leitor”

Teófilo de Queiroz Júnior,
de Santa Cruz para a USP

— Por Edilson Arcoleze:
Teófilo nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo aos 20 de abril de 1926. Foi professor na Escola Normal de Santa Cruz, diretor da Rádio Difusora Santa Cruz e, também, diretor do jornal “A Folha” de Santa Cruz do Rio Pardo. Era, ainda, excelente violonista. Na Educação alcançou o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pelo Instituto Toledo de Ensino (ITE) e tornou-se Doutor em Sociologia pela USP. Em Santa Cruz, lecionou no Instituto de Educação Leônidas do Amaral Vieira (IELAV), no Colégio Companhia de Maria e no Seminário da Escola Dominicana. Ocupou cargos de diretoria tanto no IELAV quanto em escolas de cidades vizinhas. Também atuou como assessor técnico da chefia do Departamento Estadual de Educação de São Paulo. Foi mestre e doutor em Filosofia em São Paulo. Em 1968, começou a lecionar na USP, alcançando a cadeira de professor titular. Durante a carreira acadêmica, foi professor de Sociologia em cursos de graduação e pós-graduação, além de orientar trabalhos de mestrado e doutorado e participar de bancas examinadoras de teses e concursos. Autor do livro “Preconceitos de Cor e a Mulata na Literatura Brasileira”, lançado pela Editora Atica, em 1975.
Foi casado com a minha prima Leonídia, filha de minha tia-avó Alice Ramos de Castro. Faleceu em 29 de julho de 2007.

 

Sobre Sergio Fleury 5210 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate