Exposição exalta os artesãos

Vereadores e artistas participam da inauguração da exposição na Câmara de Santa Cruz

Cerca de 50 artesãos de Santa Cruz
participaram de evento na Câmara;
exposição vai até a próxima sexta-feira, 29

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Um incentivo aos artesãos de Santa Cruz do Rio Pardo. Este é o objetivo da terceira “Exposição de Obras de Arte de Artistas Plásticos e Artesãos”, que foi inaugurada na noite de quinta-feira, 21, no saguão da Câmara Municipal. Antes, uma solenidade festiva homenageou os artistas com a entrega de certificados e discursos de vereadores e de pelo menos três expositoras.
O destaque, porém, ficou para as peças que estão em exposição no “Saguão Roberval Ortega Araújo”. São quadros, bordados, bolsas, obras de arte, bonecas e outros objetos feitos por artistas de Santa Cruz do Rio Pardo. Alguns, aliás, complementam a renda de famílias com o trabalho como artesão. Outros, começaram a produzir arte para se livrar de doenças como a depressão.

Elenilda Vuolo começou a pintar há dez anos e diz que arte é uma terapia

Benedita Irene Henrique, a “Benê”, faz artesanato há quatro anos. “Vendo tudo o que faço, mas falta uma ajudinha do prefeito. Afinal, eu costumava expor meus produtos na praça Leônidas Camarinha todo segundo domingo do mês, mas ele cortou”, disse.
Benê é aposentada e, além de conseguir uma renda extra, garante que teve a personalidade mudada com a arte. “Ela ocupa a minha cabeça. Eu só não mexo com artesanato na sexta-feira, quando faço faxina em casa. Mas me sinto bem melhor desde que comecei”, disse.

‘BOLO FAKE’ — Laís Silva e seus bolos para enfeitar mesas de aniversário

Ela faz surpreendentes bolsas para mulheres, inclusive térmicas, que podem custar R$ 50. “É realmente muito barato”, diz. Ela tem uma página no Facebook onde se apresenta como “Artesanato Benê”.
A arte de Lais Mamede Nunes da Silva, 31, é peculiar. Ela faz um curioso “bolo fake”, que costuma enfeitar a mesa de aniversário antes do verdadeiro começar a ser servido. “A mesa fica bonita e não há o risco de estragar o bolo”, explicou.
A peça é colorida, feita com biscuit, e totalmente modelada a mão. Em volta do “bolo fake”, há cerca de 200 rosas. Lais modelou manualmente cerca de 2.000 pétalas, dando ao bolo a feição de obra de arte. Há sete anos produzindo exclusivamente artesanato, ela diz que aprendeu sozinha. “Sou muito fuçona”, brincou. A artista se apresenta no Facebook como “Lais Silva Artesanato”.
Elenilda Regina de Angelo Vuolo, 54, começou a pintar quadros há dez anos. O motivo? Ela simplesmente queria ter um quadro na parede de sua casa, daqueles de óleo sobre tela. Porém, achava este tipo de arte muito cara. Um dia, foi convidada para iniciar um curso de pintura e não perdeu tempo. “No primeiro dia, lambuzei uma tela minúscula. Mas depois as cores foram fluindo”, contou a artista.

SEM IDADE — Dirce Besson se especializou em bordados e mudou a vida

Hoje, ela tem vários quadros de sua própria autoria nas paredes da casa. No entanto, ela conta que a pintura também reduziu uma ansiedade que Elenilda tinha há muitos anos. “É uma verdadeira terapia. Na verdade, eu aprendi a me acalmar e tenho muito mais tranquilidade. É muito bom observar as cores de um quadro, vendo a profundidade de uma e o destaque de outra. No fim, acabo me surpreendendo com um quadro que eu mesmo pintei”, afirmou.

Artistas anônimos

Regina Célia Terezan Mariani, 57, conta que fez artesanato a vida toda. Na exposição da Câmara, ela levou uma peça feita através de uma técnica chamada pathwork. “Pode ser aplicado tanto em vestuário como em peças decorativas. É um tecido com cortes geométricos, que toma uma forma através de emendas. É pura geometria”, explicou Regina.
Para esta época do ano, as peças natalinas de Regina chamam a atenção porque podem ser colocadas em qualquer lugar da casa, sempre com destaque. Monitora de cursos da prefeitura, ela conta que não faz peças para vender.
Aos 83 anos, Dirce Besson Ribeiro faz parte do projeto “Reviver”, que hoje funciona no Cras da Estação, há exatos 17 anos. Ela contou que é da época em que Nilda Caricati ainda era a responsável pelo artesanato municipal. “Passei pelo Mira, pela Maura e pela atual administração”, diz, orgulhosa.
Dirce é especialista em crochê e produz tapetes, panos de prato e outras peças. Ela quase não perde uma sessão de artesanato no bairro da Estação, onde, além de trocar técnicas com amigas, coloca a conversa em dia. “Minha vida se transformou muito. Hoje, sou muito mais feliz”, conta.

NATAL — Regina levou à Câmara uma obra natalina em técnica pathwork

O “Projeto Reviver I”, por sinal, é um dos incentivadores do artesanato em Santa Cruz do Rio Pardo. Segundo a monitora social do Reviver, Lilian de Cássia Oliveira, as oficinas de artenatos têm dezenas de participantes em parceria com o Cras.
“Quem resolve participar, vai aprender de alguma forma”, garante Lilian. Ela cita o caso da artesã Terezinha Frazzatto, que aderiu ao projeto por recomendação médica. “Ela procurou o Reviver para resolver problemas de depressão e não sabia nada sobre artesanato.
Na primeira vez em que ela pegou a agulha, seus olhos já brilharam de forma diferente”, disse. Hoje, Terezinha faz bonecas de pano multicoloridas.

HOMENAGEM — Todos os artesãos receberam certificados em homenagem

Lilian é monitora do projeto há quatro anos, quando cerca de 80 pessoas participavam do artesanato. Ela admite que o número de artesãos diminuiu muito ao longo do tempo, mas o Reviver tem planos para ampliar a divulgação. “Na verdade, não é todo mundo na cidade que sabe da existência do projeto. Quem quiser se inscrever, pode procurar o Cras da Estação”, explicou a monitora social. 

Veja mais fotos da abertura da exposição

  • Publicado na edição impressa de 24/11/2019
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