CARTAS – Edição de 8/12/2019

‘Far West’ em Santa Cruz

O avô do sr. Aser, Joaquim de Souza Campos, comprou uma fazenda chamada “Chácara Peixe” em 1927. Até 1981, seu filho Aser Martins de Souza Campos e família administraram a fazenda.
A prefeitura desapropriou toda a fazenda, mas logo desistiu da desapropriação, devolvendo a fazenda aos seus antigos donos.
O sr. Aser Luiz de Souza recebeu em 1981 algumas glebas de terra, que cercou e onde tem plantações até hoje, dezembro de 2019.
O sr. Aser retirou um tumor da cabeça, está praticamente cego e vai ser operado no dia 10/12/2019.
Tem uma gleba de terras cercada com placas com seu nome desde 1981. Mandaram um recado para ele, com um carro prateado, dizendo que, se ele aparecer na sua propriedade, na rua Genésio Gazola, será morto.
Um amigo policial do sr, Aser o aconselhou, depois da operação, para que compre uma arma e se defenda.
E agora, o que fazer?
— Aser Luiz de Souza Campos (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Ela diz, mas
como diz?
Ouço muitos dizendo: “Isto está escrito na Bíblia” ou “este versículo está lá” e, como se não bastasse, “As escrituras diz ou disse…!” Não importa se ela disse ou diz, mas, o que faz toda diferença é, “como ela diz ou disse”! Alguns, para provar seus pontos de vista, fazem referência a alguns textos totalmente isolados e fora do seu devido contexto. Muitos líderes religiosos refutam, ridicularizam e, até mesmo demonizam o uso da exegese e da hermenêutica, ciências das interpretações. A pergunta é, o porquê eles fazem isso? Simples! Para serem detentores do poder e a única fonte confiável de interpretação e manipulação mental e espiritual. Como na idade média, onde a única autoridade a interpretar as sagradas escrituras era o alto clero. Desta forma, as pessoas vivem uma espiritualidade desvairada, pois são retidas apenas ao conhecimento que lhe são atribuídos. E quando contrariam seus líderes, a resposta é: Minha interpretação vem pelo Espírito. Dizem isso por falta de saber e, muitos entram nessa! Todo texto fora do seu devido contexto, é pretexto para heresias, aquilo que não condiz com a palavra. A Bíblia deve ser analisada dentro do seu todo, não em uma parte específica. Pois isso vai gerar muitas ideias contraditórias fazendo com que as pessoas vivam a seu bel prazer. Rodrigo, mas você não crê na revelação do Espírito? Vai me perguntar o que é óbvio? Claro que sim! Mas acredito em uma revelação advinda pelo Espírito que usa minha razão e inteligência. Como ser humano, sou instrumentalizado para buscar através das escrituras a verdadeira revelação. Através dos recursos exegéticos e hermenêutico, para, assim, chegar a sua devida interpretação e sua contextualização para nossos dias. Uma palavra sem transcrição de vida é uma palavra morta. Como diz Paulo: “A letra mata, mas o Espírito vivífica”. A “letra” a qual ele se refere, nada tem a ver com uma pessoa dotada no saber que caiu na descrença daquilo que nós cremos. Mas, sim, a letra da lei, para a qual já estamos mortos. Agora, é a Graça de Cristo! A letra mata quem ainda vive na lei e não segundo a Graça. Por isso, chamo atenção de todos aqueles que querem viver uma vida plena, segundo as escrituras. Não como um mero livro de cabeceira, mas algo que requer um estudo minucioso, detalhado, comparativo e, que assim, extraiamos a verdadeira mensagem que nos leve em direção a uma vida de louvor e progresso emocional, sentimental e espiritual. A exegese distingue-se, portanto, de outras interpretações pelo seu caráter mais científico, detalhado e profundo. A hermenêutica bíblica trabalha mais com as interpretações. Ao passo que a exegese descreve mais especificamente as etapas ou os passos que cabe dar em sua interpretação. Em outras palavras, ela analisa todo contexto: Histórico, político, social, cultural, bem como os costumes de cada povo ou classe específica. Desta forma o Espírito nos revelará o verdadeiro teor da mensagem de Deus. E assim, teremos conteúdo revelado para ser aplicado e vivenciado
— Rodrigo Santos, teólogo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Not so close to
Bolsonaro, just closed!
Como classificaríamos a bolada que Trump deu nas costas de Bolsonaro neste início de dezembro? Depois de tanta bajulação, esperava-se que Trump tratasse melhor o presidente Bolsonaro, mas… Empresto o inglês do técnico de futebol Joel Santana para esclarecer: Trump is not closed to Bolsonaro, just closed!
Oras, bolas! Que se esperaria de um presidente de uma nação “amiga”? Amigos, amigos, negócios à parte, já diz a sabedoria popular. Não é de hoje que o presidente Bolsonaro escolhe mal não somente seus ministros, mas também seus países parceiros. Decepcionou Israel e agrediu nossos melhores parceiros comerciais.
Um grande problema, gerado pelo próprio Bolsonaro, é que o Brasil está sem embaixador dos Estados Unidos da América desde o dia 10 de abril, quando o ministro -da Terra Plana- das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, removeu o embaixador Sérgio Amaral, um grande e experiente embaixador.
Naquela época, o mais cotado para o posto nos EUA era o diplomata Nestor Forster, que é alinhado com o ministro Araújo e com o guru ideológico do governo, o autodidata Olavo de Carvalho. Um mau sinal, já que seguir OC mostra que leu poucos livros de filosofia e tem um baixo respeito à educação formal.
Até junho, Nestor Forster era ministro de segunda classe, mas foi finalmente promovido à primeira classe da carreira do Itamaraty em junho, juntamente com outros seis diplomatas.
Então, chegou julho, e quem foi alçado a candidato a Embaixador nos EUA? O presidente Bolsonaro decidiu indicar seu filho Eduardo como embaixador nos EUA. Para o presidente, Eduardo é amigo dos filhos do Donald Trump, fala inglês e espanhol, tem uma vivência muito grande do mundo. E dá-lhe desgaste, agora também ao filho…
Enquanto a indefinição persistia, aconteceu o episódio dos dois navios que ficaram sem abastecimento por sofrerem sanções dos EUA por causa do programa nuclear iraniano. Os navios trouxeram ureia e levavam milho para o Irã.
Em agosto, O presidente Jair Bolsonaro determinou a preparação de uma medida provisória modificando a lei da TV paga no país para atender a um pedido do presidente dos EUA. Trump apoiou as candidaturas de Argentina e Romênia na OCDE, deixando o Brasil de lado, depois de desistir do tratamento especial e diferenciado na OMC – Organização Mundial do Comércio. Eduardo Bolsonaro encontrou-se com Donald Trump e afirmou Brasil e os EUA estão alinhados. Acreditamos…
Não custa lembrar que o Brasil ampliou a importação de etanol e trigo sem tarifa, reivindicações americanas. Mas os EUA não removeram as barreiras sanitárias que impedem a importação de carne bovina, nem a proteção do açúcar americano, outro pedido brasileiro. E o Brasil votou pela primeira vez em 27 anos contra a resolução anual da ONU que condena o embargo econômico americano a Cuba.
Alguém precisa lembrar o presidente que o Brasil é uma nação soberana, a nona maior economia do globo (sim, o planeta é um geoide, não é plano), com PIB de US$ 1,85 trilhão. É preciso respeitar-nos primeiramente e fazer- nos ser respeitados, tenho certeza que é o que todos os brasileiros esperam do presidente.
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)

Encolher ou
fortalecer o Estado?
O ministro Paulo Guedes, a par de declarações polêmicas – as pessoas não deveriam se assustar “se alguém pedir o AI-5”-, pretende “encolher o Estado”. Deixaria sob sua égide o que é estritamente de sua obrigação, como educação, segurança pública, saúde. Para tanto, vai focar na privatização de centenas de empresas estatais. O que levanta a questão: qual deve ser o escopo do Estado no governo Bolsonaro?
A tentativa de resposta começa com a fonte que alimenta o ideário do ministro da Economia: a Escola de Chicago, o berço do liberalismo econômico e da diminuição da intervenção do Estado na economia, onde Guedes estudou. Ocorre que a índole do capitão Jair Bolsonaro e de seu entorno militar tem um DNA nacionalista, que viceja desde os tempos do “petróleo é nosso” (anos 50). Nacionalismo que, a partir dos militares, se identifica com Estado forte.
Um dos papas da ciência política, o sociólogo Alain Touraine, em seus estudos, prega o aumento da capacidade de intervenção do Estado como forma de um país atenuar as desigualdades. O Estado tem sido fraco para debelar as mazelas. Por conta disso, o governo age no varejo, trabalhando no curto prazo, com o presidente praticamente se limitando a fazer agrados e benesses para operar a administração.
Libelo candente contra os ultraliberais, para quem o mercado é o remédio para todos os nossos males, a análise do professor, nesses tempos de globalização e economias interdependentes, é um hino de louvor às utopias. Estado forte, por aqui, tem sido sinônimo de autoritarismo, arbitrariedade, estrutura burocrática gigante e ineficiente, corporativismo etc. Como encolher o Estado de sua estrutura paquidérmica, dando-lhe capacidade de planejar a longo prazo, sem reformas capazes de deflagrar novos costumes e consolidar as instituições? Começamos com a reforma trabalhista, seguida da recente reforma da Previdência, mas essas não bastarão. O que se espera é um amplo leque de mudanças.
Seja qual for o escopo reformista, o desafio se impõe: colocar no mesmo balaio componentes como liberalismo, bem estar social, Estado capaz de intervir no mercado quando necessário (os EUA na crise de 2008), institucionalização política, racionalidade administrativa, extinção do corporativismo, mudança da política de clientelas pelo mérito.
Fortalecer o poder de decisão do Estado é meta a ser perseguida para se combater interesses individuais e grupais que, entre nós, prevalecem sobre as políticas sociais. Trata-se de um desafio que ultrapassa décadas. O governo Bolsonaro até prometeu acabar com a velha política. Mas ainda tateia na escuridão nesse primeiro ano. No capítulo do “encolhimento do Estado”, as coisas ainda caminham devagar. Daí a impressão de que ainda não se chegou a um acordo em torno do tamanho do Estado. O presidente, por sua índole, gostaria de ter mais poder e não depender tanto do Parlamento.
O governo, por enquanto, tenta combinar uma tática de ataque frontal a algumas questões com uma estratégia paulatina, de operação por setor. A ciência política ensina que o reformador deve isolar cada questão o mais depressa possível, retirando-a da agenda antes que seus oponentes possam mobilizar forças. Se quiser fazer tudo ao mesmo tempo, terminará conseguindo muito pouco ou nada. Se angariar condições para operar à base de blitzkrieg, deve fazer o cerco por todos os lados, rapidamente, antes que a oposição seja ativada. Mas o governo perdeu muito tempo nesse primeiro ano de administração.
Reformar o Estado, como se prega, não é tarefa para uma única administração. Maquiavel lembrava que nada é mais difícil de executar, mais duvidoso de obter êxito ou mais perigoso de manejar do que iniciar uma nova ordem de coisas. O reformador tem inimigos na velha ordem, que se sentem ameaçados pela perda de privilégios, e defensores tímidos na nova ordem, temerosos que as coisas não dêem certo. Por último, sobram indagações: afinal, que escopo os militares defendem para o Estado brasileiro? (até hoje isso não está claro). Como aparar desigualdades com programas liberais, que dão vazão a climas concorrenciais? Como atrair investimentos quando o fantasma dos tempos de chumbo, vez ou outra, reaparece na paisagem? (Não foi o que acenou o ministro Guedes?) Como deixar de atender a um parlamentar dos grotões, que ameaça votar contra o governo se não for atendido? Enfim, qual o Estado mais adequado à nossa democracia?
— Galdêncio Torquato, jornalista (São Paulo-SP)



REPERCUSSÃO ONLINE:

Prefeitura manda casa de
famílias pobres para leilão

Via Facebook:

Deveria avaliar cada caso. Muitas vezes, a inadimplência é causada por doenças ou desemprego. Uma família sem renda por dois meses já fica endividada. Jogar essa família para pagar aluguel mais caro do que a prestação é, no mínimo, desumano.
— Neide de Fátima Basseto (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Lá vem o prefeito outra vez. Uma hora é o moço do trailer e agora quer jogar famílias na rua. Pense bem, senhor prefeito. Você está aí graças a essas pessoas que votaram e acreditaram nas suas promessas. Pense no ser humano.
— Maria Oliveira Melo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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E o dinheiro da Sueli Feitosa, também vai cobrar? Porque até agora não vi o prefeito mandar a casa, nem a chácara e nem carro dela pra leilão. E daí, como faz? Ou vai acabar em pizza?
— Julia Lima (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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O correto é que façam um acordo com a prefeitura. São pessoas humildes, não têm para onde ir.
— José Romualdo Monteiro de Barros (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Muito triste isso. Tenham misericórdia dos menos favorecidos. É muito difícil uma família pobre ter condições de pagar aluguel, sustentar a família. Isso é terrível. Como pagar IPTU se não sobra?
— Zilda Salomão (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Enfeites de natal na praça
Deputado Leônidas Camarinha

Está lindo! Ontem eu vi uns enfeites lindos naquele canteiro em frente às Casas Bahia e os bancos.
— Ve Cardoso (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Ficaram lindos. Parabéns!
— Silvana Nogueira (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Tenho orgulho de ter prestado serviço por dois meses, ajudando a fazer.
— Daniela Leme (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



“Fotos do Leitor”

Dante Lorenzetti
e Helena Assis

— Por Edilson Arcoleze:
Meu tio-avô Dante Lorenzetti (foto) Wnasceu aos 26 de setembro de 1914 em Santa Cruz do Rio Pardo. Filho de meus bisavós Antonio Lorenzetti e Natalina Mazzetto Lorenzetti, irmão de minha avó Deolinda Lorenzetti, foi alfaite em nossa cidade com loja estabelecida na Praça São Benedito — atual Praça Otaviano Botelho de Souza. Posteriormente, mudou-se para a cidade de São Paulo, ainda exercendo a profissão de alfaiate. Após aposentar-se, fixou residência na cidade de São Vicente, no litoral. Foi casado com Helena Assis, natural de Santa Cruz, sendo que tiveram três filhos: Celina, Dimas e Dinivaldo. Faleceram em São Vicente, onde estão sepultados.

Sobre Sergio Fleury 5331 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate