Centro Cultural expõe obras de artista plástico de S. Cruz

O artista plástico Paulo Sérgio de Souza está expondo suas obras, de óleo sobre tela, no Centro Cultural Special Dog

Por trás do uniforme, a vida de Paulo
Sérgio de Souza é voltada ao óleo sobre tela

EXPOSIÇÃO — Obras de Paulo Sérgio estão no ‘Centro Cultural Special Dog’

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Quem vê o santa-cruzense Paulo Sérgio de Souza, 50, de uniforme, percebe apenas um simples. No entanto, quando não está trabalhando ou cuidando da família, Paulo possui uma atividade cultural. Ele é um artista plástico que, por sinal, está expondo suas obras no “Centro Cultural Special Dog”. O evento chama-se “Reflexões” e vai até quinta-feira, 16.

Paulo desenha desde a infância. Na escola, era elogiado pelos desenhos precisos que fazia num curto intervalo de tempo. Muitas vezes, no próprio chão do pátio, surpreendendo os colegas. Seu “espelho” era o pai, que também tinha bons traços.

Paulo começou a ter contato com o óleo sobre tela somente aos 20 anos. “Me apaixonei tanto que busquei me aperfeiçoar cada vez mais”, diz.

O artista já fez cursos de desenho mecânico, industrial, artístico e publicitário. Inspirado pelos traços de Michelangelo nos afrescos da Capela Sistina, Paulo se descobriu na pintura realista.
Ele aprendeu sozinho as técnicas do óleo sobre tela. “Errei, já perdi alguns quadros. Tudo leva tempo”, admite.

MAIS VELHO — Artista pinta caminho que percorre para pescar com seu filho

As obras do artista variam de paisagens a autorretratos. Ele se diz versátil e pinta aquilo que o cliente deseja. Mas não hesita ao dizer que prefere, mesmo, tingir a natureza. “Há perfeição nas árvores, rios e folhas. Passar isso para a tela chega a ser emocionante”, diz.

Alguns retratos, por outro lado, vêm na cabeça de Paulo. “Penso em um cenário e uso a imaginação para moldá-lo. Tudo, claro, de maneira realista”, conta. É o caso da pintura em que retrata seu pai tocando violão. De fato, Paulo só tinha a imagem da cabeça dele, que foi congelada a partir do vídeo de seu casamento. “Eu, então, pesquisei o modelo do instrumento de que ele gostava e até o relógio que usava. Deu certo”, explica.

O artista também não esconde que sabe trabalhar com luz e sombras. Uma foto de sua filha na praia, que virou um quadro, é exemplo disso. O sol reflete o lado direito da garota, e a sombra está logo à esquerda. Até a areia úmida é surpreendente na tela.

E se há quem diga que, pela musculatura, animais são difíceis de serem retratados, Paulo discorda. Ele diz que o mais complicado é a fisionomia humana. “Qualquer traço fora do normal já descaracteriza a pessoa”, conta.

RETRATO — Quadro mostra filha de Paulo Sérgio numa praia do Paraná; luz e sombras impressionam na pintura

O artista diz que não há tempo pré-definido para a finalização de um quadros. “Varia de acordo com cada um. Tem obra que faço em cinco horas. Outras, dias”, afirmou.

Paulo Sérgio não descarta a ideia de, um dia, conseguir viver apenas através de seus quadros. “Pena que no Brasil a arte não é tão valorizada. Sei que é difícil sobreviver na carreira artística”, lamenta.

Mas ele tem exemplos de sucesso dentro da própria família. É o caso de sua sobrinha, a santa-cruzense Mayara Nardo, que já expôs até no Museu do Louvre, onde estão os mais importantes acervos artísticos do mundo. O Louvre fica em Paris, na França. “Quando Mayara era criança eu já pintava. Posso ter sido uma de suas inspirações”, diz, orgulhoso. Quando ambos se reencontram, claro que o primeiro assunto é a pintura.

A exposição de Paulo Sérgio começou sexta-feira, 10, e vai até quinta-feira, 16. Está aberta ao público das 9h às 18h. Aliás, não é a primeira vez em que o artista expõe suas obras. Ele já participou de eventos em duas escolas, uma delas em Ourinhos. “Mas expor num centro de cultura, eu nunca tinha feito”, disse. O contato com Paulo Sérgio de Souza deve ser feito pelo número (14) 99719-4323. 

* Colaborou Toko Degaspari

  • Publicado na edição impressa de 12/01/2020
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Proprietário e Editor do Jornal Debate