Artigo: ‘O idoso e o dinheiro’

O idoso e o dinheiro

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

A relação do idoso com suas finanças dificilmente é sem conflitos. Quase nunca é um papo a dois, olho no olho. Na maioria das vezes, entre o dinheiro e o idoso há um conselho familiar. Para o bem e para o mal.

Quem acompanha essa coluna todo domingo sabe que sou a favor da maior autonomia possível ao idoso em relação ao gerenciamento de sua própria vida. E isso inclui, claro, o dinheiro. É direito dos mais velhos escolherem o destino de seus recursos, sejam eles ainda oriundos do trabalho, sejam eles vindos da aposentadoria ou até mesmo de renda de investimentos alimentados há anos. O idoso com uma vida mais confortável pode dar-se o direito de uma viagem cara, assim como o idoso em condições mais humildes tem o direito de dividir o orçamento de acordo com suas necessidades e possibilidades.

Quando o idoso é lúcido, consciente e orientado, não há a menor necessidade de algum familiar tomar para si as decisões financeiras. Dentro deste cenário, o máximo que alguém de fora deve fazer é ajudar financeiramente, se for o caso. Desde que 100% em suas condições físicas e psicológicas, sem necessitar de nenhum tipo de cuidado, ninguém mete o bedelho no dinheiro do idoso.

Alguns familiares, com boas ou más intenções, insistem em decidir o destino do dinheiro de pais e avós. Essa perda forçada de autonomia é ruim porque coloca o idoso em uma condição de incapacidade que o mesmo não apresenta. Sempre que a família insiste em tirar uma responsabilidade do idoso, sem justificativa, ele corre o risco de desenvolver conflitos emocionais e depressão.

Porém, em alguns casos, quando o idoso não tem condições de se cuidar sozinho e apresenta sinais (mesmo que iniciais) de doenças psicológicas, psiquiátricas ou neurológicas, aí sim é importante a família participar do gerenciamento do dinheiro. Um idoso que não consegue mais tocar sua vida sozinho pode cometer erros de avaliação no uso de seus recursos e comprometer aquilo que lhe mais é sensível em condições adversas: uma estrutura monetária suficiente para investir em cuidados com sua saúde.

Nem sempre é fácil convencer o idoso de que a família controla o dinheiro justamente para que, quando ele mais precisar, os recursos ainda estejam disponíveis.

Para esse tripé idoso-dinheiro-família não virar uma confusão cheia de mal entendidos, é importante um planejamento orçamentário honesto e transparente para todos os envolvidos. Isso quando o idoso precisar deste auxílio. Caso contrário, deixe-o usufruir daquilo que ele suou tanto para ter. 

Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e Responsável
Técnica pela
AleNeto
Enfermagem 

  • Publicado na edição impressa de 19/01/2020

 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate