Brinquedo de adulto

Motorista de um laticínio, Fernando César de Oliveira mantém uma coleção impecável de veículos em miniatura

Fernando César de Oliveira tem uma impecável coleção
de miniaturas de veículos, que nem os filhos ousam tocar

Estante com modelos ficou pequena

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Motorista do laticínio “Fazenda Botelho”, Fernando César de Oliveira sempre gostou de carros. Aprendeu a dirigir num Fusca e, na infância, os brinquedos preferidos eram automóveis e caminhões de plástico ou metal. O tempo passou, ele se casou, chegaram os filhos e Fernando novamente despertou sua paixão pelos veículos, agora em miniaturas. Foi, então, que surgiu uma coleção impressionante de “carrinhos” que ele mantém em sua casa. É um cantinho no quarto tão peculiar que fica ao lado de um pequeno altar onde o motorista, bastante religioso, faz suas preces. Mas também há miniaturas e fotos de carros espalhados pela casa toda.

A primeira miniatura da coleção foi uma perua Kombi, outro objeto do desejo de Fernando. Aliás, ele tem uma de verdade, usada pelo irmão para transportar verduras. Kombis e Fuscas praticamente dominam a coleção, com algumas raridades. Existe uma miniatura de um antigo Fusca da Telesp, com aquela tradicional escada presa ao teto, além de modelos do carro mais popular do mundo de todos os tipos e adaptações. Tem até um rosa choque.

‘OBJETO DO DESEJO’ — Fernando adora Fuscas e Kombis e possui dezenas de modelos diferentes da perua

A paixão pelo Fusca tem um motivo. Fernando aprendeu a dirigir no Fusca no pai, “um amarelinho”, e também foi proprietário do automóvel que sempre teve a fama de nunca deixar o motorista na mão. “Eu já amarrei cabo de acelerador com arame e fiz outras gambiarras. Nunca fiquei parado”, conta.

Kombi, então, há dezenas, inclusive aquela que transporta estudantes, com a inscrição “escolar”, que ainda é a mais vista nas ruas atualmente. Mas o colecionador conseguiu até réplicas em miniaturas de modelos cabine dupla e com carroceria. Algumas são tão perfeitas que abrem a porta.

Fernando conta que, já adulto, sempre teve o desejo de começar algum tipo de coleção. “Foi depois de casado que eu tive a ideia de comprar miniaturas. Minha mulher Sandra incentivou e chegou a me dar de presente uma prateleira. Aí eu resolvi enchê-la”, conta o motorista. Antes, os carrinhos cabiam numa caixa de sapato. Agora, por sinal, o móvel já não tem espaço para mais miniaturas e Fernando vai precisar mandar fazer outro.

Houve uma coleção inicial que se perdeu, pois os filhos, ainda pequenos, danificaram muitos carrinhos. Na segunda vez, porém, há uma ordem: ninguém toca em nada. Isabela, 23, estuda fora, enquanto Fernando Mendes, 17, se prepara para o vestibular. Mas há Rafael, de 8 anos, que aprendeu a admirar a coleção — e a preservá-la. “Quando meus amigos querem ver, eu já aviso que não pode mexer em nada”, diz o garoto.

Fernando e os filhos homens, que já sabem a ordem: preservar a coleção

Variedades

A coleção de Fernando César cresceu principalmente porque a mulher Sandra Regina faz “vista grossa” aos gastos do marido. Afinal, uma miniatura pode custar de R$ 30 a R$ 200 ou mais. “Não é muito barato”, admite Fernando.

Hoje, a coleção não tem apenas automóveis de todos os tipos. Fernando abriu espaço para motocicletas e caminhões. Quando a filha viajou ao Exterior, por exemplo, o pai ganhou uma miniatura da legítima Vespa italiana, com as cores da bandeira daquele país, além de um ônibus de Londres, daqueles de dois andares.

Chama a atenção um caminhão Scania “Jacaré” de transporte de água, inclusive com a inscrição da prefeitura de “Arealva”. Mas há muitas réplicas de veículos antigos, alguns da década de 1940. Fernando tem, por exemplo, um Ford 1940 do mesmo modelo real do conhecido “Pernalonga”, de Santa Cruz do Rio Pardo. O colecionador não faz distinção de escalas. Compra qualquer tamanho e alguns foram montados.

FASCÍNIO — À esquerda, miniaturas de carros antigos, inclusive a “Martha Rocha”; no centro, dois importados; à direita, o modelo brasileiro Gurgel BR-800

Nas viagens com a família, quando entra em algum posto de gasolina para tomar um café ou almoçar, a primeira coisa é procurar miniaturas à venda. “Sempre levo alguma”, conta Fernando. Ele também costuma frequentar encontros de carros antigos porque geralmente há algum vendedor de miniaturas. “É muito bom porque nestes encontros, como o nome já diz, há miniaturas de modelos antigos”, diz, mostrando algumas réplicas da caminhonete Chevrolet “Martha Rocha”.

É por isso que a coleção tem carros Parati ou Ford Corcel, Belina e Del Rey dos anos 1980. Até um brasileiríssimo Gurgel BR se destaca entre os modelos. Algumas bancas da cidade já sabem que, quando há alguma novidade em miniaturas, Fernando deve ser avisado. Um modelo Fiat Doblò, aliás, igual ao que está na garagem do motorista em escala real, foi comprado numa banca da cidade.

Fernando também costuma ganhar modelos de presente, geralmente de amigos que sabem de sua paixão. Ele até planeja mudar a coleção de lugar, transferindo-a para a sala. “É que muitos amigos pedem para ver”, explica. Aliás, pensando neles, Fernando fez um apelo à reportagem para publicar a data de seu aniversário — 12 de setembro. Rindo, diz que aposta na “generosidade” dos colegas para aumentar ainda mais a coleção. Já pensou em vender? “Por dinheiro algum”. 

* Colaborou Toko Degaspari

  • Publicado na edição impressa de 09/02/2020
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Proprietário e Editor do Jornal Debate