CARTAS – Edição de 08/03/2020

‘Virtuosas mulheres’

Ao longo dos tempos, a mulher tem conquistado seu espaço na sociedade. Se antes existia o anonimato feminino, e as atividades eram restritas apenas ao serviço doméstico, a realidade atual é outra. No trabalho, no trânsito, no esporte e nas decisões políticas, as mulheres são pessoas com direitos, assim como os homens, e desempenham suas funções com qualidade e dinamismo.
Hoje, a sociedade se curva ao malabarismo feminino, enfrentado por milhares de mulheres que se desdobram na tarefa de serem profissionais, mães e esposas. O Dia Internacional da Mulher foi criado para homenagear Trabalhadoras — Tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova Iorque (EUA). No dia 8 de março de 1857, o grupo paralisou suas atividades e realizou protestos reivindicando uma jornada de 10 horas e o direito à licença-maternidade. Na ocasião, a polícia e os donos da empresa condenaram a manifestação, o grupo foi chamado de “feminista” e foi brutalmente assassinado. As mulheres foram queimadas vivas. Em 1910, na I Conferência Internacional sobre a Mulher, na Dinamarca, foi oficializado que o “8 de março” seria o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem a essas operárias. Porém, somente em 1975, a data foi reconhecida e oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Elas floresceram onde estiveram plantadas. Nem todas as mulheres são iguais, assim como os homens também não são todos capazes de marcar uma época, mas desejo parabenizar a todas as mulheres fazendo um desafio de Vida: “Floresçam onde estão plantadas!”
— Rodrigo Santos, teólogo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Demócritos e heráclitos
Demócrito e Heráclito, dois grandes filósofos, tinham concepções diferentes sobre a condição humana. O primeiro ridicularizava a vida e o homem. Só aparecia em público com um ar arrogante e zombeteiro; o segundo, ao contrário, tinha compaixão pelo ser humano, demonstrando solidariedade com seu semblante sempre entristecido e os olhos marejados de lágrimas.
Nos últimos tempos, a índole de Demócrito tem povoado os espaços nacionais, com uma verve cheia de malícias em defesa de posições extremadas, e que resulta em um processo de flechadas recíprocas entre grupos da sociedade. Já os valores humanos são desprezados ou colocados em segundo plano. O clima de emboscada permanente que acirra os ânimos vai cada vez mais aumentando a distância entre o território, o País e a Nação.
Expliquemos. O território é o porte continental que abriga nossas belezas e riquezas naturais. O território não tem alma, é um diamante bruto. Lapidado por leis, códigos, proces­sos, habitado por pessoas, e governado por representantes do poder popular, adquire o status de País.
Mas a Nação continua ainda muito distante. Pois a Nação é um ente com alma, é o espa­ço dos direitos, deveres e seus atributos: o civismo, a solidariedade, a justiça, o desenvolvimento, a liberdade, a ordem, a democracia, a autoridade, a cultura, a soberania e a cidadania.
E o que vemos na paisagem? Milhões de brasileiros, em seus espaços, mais se assemelham a incrusta­ções de conchas em rochedos brutos, assolados por tempestades e fu­racões. É o desemprego em massa; são as doenças, algumas de séculos passados, que nos assolam, e outras, de nomes estranhos que aqui aportam trazendo medo; é a autoridade máxima que convoca o povo a atirar pedras nas instituições, incentivando a batalhas nas ruas; são as nossas Forças Armadas, que se recolhem ao silêncio em vez de proclamar sua crença na ordem democrática; são xingamentos em cadeia contra meios de comunicação e jornalistas, alguns recheados de baixo calão.
A esperança vira um pontinho aceso nos céus.
Não por acaso, o clima de faroeste transpira violência, aqui e ali, com estranhas armas (empilhadeiras, por exemplo), e cowboys exibindo suas cartucheiras cheinhas de balas, alguns com o selo de milicianos pregados na testa. Onde já se viu, gente de Deus, policiais fazendo motim?
Não por acaso, a poeira tórrida do território vai obnubilando o desenho de civismo que habita a Pátria, esse sonho que teima em permanecer na consciência dos homens de bem.
E assim o país vai se locupletando de Demócritos, apesar da imensa carência de Heráclitos.
Quem ouviu, nos últimos tempos, um grito de “Viva o Congres­so”? Mas é ali que vicejam as condições para a grandeza da Nação. Quem acha que os impostos e tributos estão diminuindo? O que se ouve, com certa intensidade, é uma voz cavernosa que promete a ressurreição de malfadada CPMF. A obsoleta legislação trabalhista da era getulista até foi mudada, mas há guerreiros da maldade que teimam em querê-la de volta.
Quem acredita que a violência está diminuindo? O Ceará até parece um abatedouro de pessoas. Alguém acha que professo­res e alunos estão satisfeitos com as condições de ensino ou com a gestão de um ministro que passa o tempo azucrinando quem não concorda com suas extravagâncias? Que felizar­do consegue encontrar uma bandeira brasileira para adquirir antes da bandeira de qualquer grande time de futebol? Quem acha que o PIBF – Produto Interno Bruto da Felicidade – está crescendo?
O tom do mundo, escreveu Montesquieu em Meus Pensamentos, consiste muito em falar de bagatelas como se fossem coisas sérias, e de coisas sérias como se fossem bagatelas. Pois é, quantas autoridades não fazem essa inversão, tentando amaciar o cotidiano com pitadas de riso, mesmo que a estação do ano seja repleta de dor e angústia? Tem muita gente debochando com coisas sérias da política, inclusive gente estrelada.
Será que o interesse comum, em nossas plagas, não passa de abstração? Que saudades dos tempos bucólicos, aqueles idos em que homens, simples em seus costumes e firmes nas crenças, cultivavam a solidariedade, as lem­branças dos antepassados, o amor paternal, o amor filial, o respeito aos mais velhos, enfim, uma bagagem de vida descomplicada que proporcionava aos cida­dãos certa doçura de viver. Hoje, vivemos sob o signo da radicalização, das ameaças e do medo.
— Gaudêncio Torquato, jornalista (São Paulo-SP)



REPERCUSSÃO ONLINE:

UNIÃO SOFRE COM MATO
ALTO E ESCORPIÕES

Via Facebook:

Já liguei diversas vezes na prefeitura. Não dá para entender por que ninguém faz nada.
— Maria Carolina Ribeiro Gazola (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

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E esse terreno aí atrás! Ninguém limpa e ninguém multa? Não tem dono? As pessoas só fazem reparos mediante punição, mas ninguém pune… Portanto, vai continuar assim.
— Joira Paes F. Pinheiro (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

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Precisa de uma lei municipal que obrigue os proprietários a limparem seus próprios terrenos. Ou, então, a prefeitura faz esse projeto e envia o valor do serviço prestado para o dono!
— Erika Negrão Balielo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

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Nós ja fomos pessoalmente na prefeitura mais de uma vez. Na última, disseram que já houve notificação do proprietário, ja houve licitação para contratar a limpeza dos terrenos e em até 10 dias a limpeza seria feita. Mas ja passou muito este prazo e até agora nada. É um total descaso com os moradores.
— Eslane (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

‘FARRA’ NO LEGISLATIVO TINHA
ATÉ EMPRÉSTIMOS PESSOAIS

Eu vou votar em vereador? Nunca mais! Se eles ganhassem um salário mínimo, será que alguém se habilitaria a ser candidato?
— Luiz Valter Rodrigues (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

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Como é? Como abro uma conta corrente na Câmara? O banco em que tenho conta não me oferece nada disso…
— Clauber Oliveira (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

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Será que vai sair mais uma CPI que, com certeza, não daria em nada, a não ser mais gasto e acabaria mais uma vez em pizza. Aliás, assim como a do caso passado?
— Adriana Teodoro (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

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Meu Deus! Esse ano quero xingar tanto vereador quando vierem pedir votos. Vão ser surpreendidos!
— Devá da Mil (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



“Fotos do Leitor”

‘Cine Teatro’

— Por Edilson Arcoleze:
Na foto, temos uma vista parcial da Praça da República, com o Cine Teatro Santa Cruz e do prédio do Fórum e Cadeia Pública. A rua era denominada Euzébio de Queiróz, atual Catarina Etsuco Umezu. O Cine Teatro Santa Cruz foi inaugurado no ano de 1927, encerrando suas atividades em 1945. Em 1946, no prédio passou funcionar o Clube Social Soarema, que fechou em 1955. A partir de 1967 e até hoje, no local está situada a Prefeitura Municipal.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate