Franco Catalano: ‘Um país de incultos’

Um país de incultos

Franco Catalano *

ARTE    Rebaixado, enxugado, colocado de escanteio. Isso foi o que aconteceu com o finado Ministério da Cultura no governo Bolsonaro. Perdeu seu status e tornou-se Secretaria, estando subordinado aos Ministérios da Cidadania e, depois, do Turismo. O que isso significou? Na prática, menos verba e menor autonomia. Simbolicamente, significa que vivemos em um país de incultos.

Em menos de um ano e meio de existência, a chefia da Secretaria Especial de Cultura já passou por quatro secretários distintos…e caminha para o quinto, numa verdadeira dança das cadeiras. Roberto Alvim, o número três, foi exonerado após a infeliz divulgação de um vídeo institucional inspirado em Joseph Goebbels, ministro de Hitler na Alemanha nazista. Regina Duarte assumiu a bucha, digo, pasta, no mês de março. Crucificada pela classe artística por se associar a um desgoverno, provou ser exatamente o que se esperava: uma total alienada, despreparada e, como seu chefe, mimada.

Em recente entrevista, escancarou de vez a face mais feia da SeCult. Nos quarenta minutos que esteve ao vivo na CNN, acumulou absurdos, preconceitos, desvirtuou fatos históricos, exaltou regimes inexaltáveis, fez pouco caso da cultura, da pobreza e das mortes na pandemia. Cantou, gargalhou e debochou sobre os cadáveres da ditadura. Deu de dedo nos jornalistas que a entrevistavam. Arrancou o ponto eletrônico quando o assunto deixou de lhe interessar, em atitude similar ao “cala a boca” desferido pelo Presidente a jornalistas nesta mesma semana. Pelo visto, quem sai aos seus não se regenera.

A “namoradinha do Brasil” deixará em breve o cargo, seja por não aguentar a pressão e o calibre moral que a posição lhe exige, seja por ser exonerada pelo Governo, que afunda cada vez mais rápido. Encerrará sua carreira política juntamente com a carreira artística. Deixa o Governo queimada pelos seus colegas, que publicamente rechaçaram o posicionamento da atriz, que agora está mais para a “odiadinha do Brasil”.

* Franco Catalano é santa-cruzense, cursou História da Arte em Madrid e é arquiteto

  • Publicado na edição impressa de 10/05/2020
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