Artigo: “Enjoamos do corona”

Enjoamos do corona

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O brasileiro é um bicho estranho. Estou escrevendo esta coluna no sábado, 23 de maio (ou seja, ontem para você, caríssima leitora e caro leitor). Ainda estou estarrecida com a notícia de já passamos de 21 mil mortos pela COVID-19. São 334 mil casos no Brasil. Só os EUA têm mais casos do que nós.

Perceberam que no parágrafo anterior disse que “estou estarrecida”. Sim, eu ainda consigo me impressionar, me assustar e reconhecer o tamanho e a força do Coronavírus. Mas parece que a maioria da população brasileira baixou a guarda. O brasileiro enjoou do Coronavírus, como se a rotina de prevenção fosse um passatempo. “Ah, enjoei de brincar disso. Deixa esse Corona pra lá”

Passei 40 dias em viagens por cidades do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e interior de São Paulo coordenando a campanha de vacinação contra a gripe de uma grande empresa do ramo alimentício. A rotina foi estressante: máscara e luvas o tempo todo, avental privativo, óculos de proteção, touca. Hotéis escolhidos a dedos, higienização pessoal e voluntária de roupa de cama e toalhas. E dá-lhe, álcool gel. Na volta, teste de COVID-19. Graças a Deus, negativo.

Eu sei que essea cuidados cansam, irritam e até caçam nossa liberdade. Mas, justamente quando o Brasil está num ritmo de crescimento acelerado da doença, nós estamos afrouxando as medidas de prevenção, inclusive o isolamento social. Estamos fazendo exatamente o contrário do que fizeram países como EUA, Itália e Espanha.

E a economia? E os empregos? É cansativo dizer que ninguém é alienado quanto a isso e sabemos das consequências graves no futuro em relação a dinheiro. Mas a consequência gravíssima em relação ao vírus é presente, já acontece, já mata.

Em algumas cidades onde passei, era muito difícil ver pessoas de máscaras na rua. O comércio todo aberto. Se alguém acordasse de um coma de 5 anos naquelas cidades, jamais desconfiaria que vivemos a pior pandemia da história. Ainda bem que em nossa região estamos mais disciplinados e atentos.

Está ficando chato bater na mesma tecla toda hora. Mas, infelizmente, é necessário. E, por favor, não se deixe anestesiar por tantas mortes. Elas devem tocar seu coração, e não causar tédio.

Continue lavando as mãos e usando máscaras. 

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e Responsável
Técnica
pela AleNeto
Enfermagem 

 

  • Publicada na edição impressa de 24/05/2020
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Proprietário e Editor do Jornal Debate