Nayara Moreno: ‘Acabou o jeitinho brasileiro’

Acabou o jeitinho brasileiro

 

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O melhor do Brasil é o brasileiro. E é verdade. Nenhum povo é tão lutador a ponto de conseguir sorrir, apesar de anos e anos de governos corruptos, hipócritas e incompetentes. Mas está mais do que na hora de derrubarmos uma de nossas maiores entidades: o jeitinho brasileiro. Durante muito tempo foi nosso símbolo nacional ao lado do futebol e do samba. Teve época em que foi folclórico e até funcionou. Hoje, é uma pedra no nosso caminho.

Vejamos três questões muito atuais: a educação e a estrutura sanitárias e a prevenção ao Coronavírus. Já tratei aqui em uma coluna só dedicada a isso e hoje não me repetirei, só lembrarei: quase metade (metade!!!) de nossa população não tem acesso a saneamento básico, dados do Instituto Trata Brasil, o órgão mais sério no assunto em nosso país (em tempos da praga das Fake News é sempre bom falar de onde tiramos as informações). É claro que improvisar valetas nestes lugares (jeitinho brasileiro) não resolve nada e ainda deixa o lugar um cenário ideal para a proliferação de doenças. Deixando bem claro que, neste caso, o jeitinho é fruto da omissão de políticas públicas.

Agora vamos para a higiene pessoal (lavar as mãos, tomar banho, higienizar corretamente as partes íntimas, etc). Dados recentes da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico COVID-19 (Vigitel), do Ministério da Saúde, apontou que 12% das mulheres e mais de 20% dos homens não têm mantêm hábitos de higiene pessoal. Isso em época da pior pandemia da história da humanidade e que já matou mais de 50 mil (50 mil!!!) brasileiros. Não há jeitinho que dê jeito nisso. Lembrando que uma pessoa infectada contamina mais 5. Infelizmente, a educação sanitária em nossas escolas é falha. Mas para quê, né? Depois a gente dá um jeitinho…

Chegamos, enfim, à prevenção ao Coronavírus. O governo estadual puxou a orelha da região de Santa Cruz do Rio Pardo e Ourinhos e demos um passo para trás na flexibilização de medidas protetivas. Em outras duras palavras: não demos muita bola para essa história de cuidados. Lembra que, há dois domingos, escrevi aqui que estava pessimista em relação à nossa responsabilidade perante às práticas básicas de luta à COVID-19? Então…

O terrível vírus debocha de nosso jeitinho brasileiro, que, no fundo, no fundo, é muito mais um método negligente de lidar com coisas sérias. Chega de jeitinho na saúde. Vamos ser sérios com nosso corpo, não só na pandemia. Vamos seguir as recomendações médicas, parar com automedicação, fazer exercícios físicos, adotar rígidas e rotineiras práticas de higiene. Hoje e sempre.

Será que nossa vida vale tão pouco? Me recuso a acreditar. O melhor de nosso país somos nós. Vamos nos levar mais a sério.

E continue usando máscara e álcool em gel.