Nayara Moreno: ‘Vinde a nós a vacina’

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O mundo todo espera pela vacina contra a Covid-19. Quando a comunidade médica anunciar o descobrimento da vacina será um passo importantíssimo na luta contra o novo Coronavírus. Não sabemos em quanto tempo isso irá acontecer. Então, ficamos aguardando, como quem espera por uma bênção.

No Brasil, até então, sempre demos atenção à vacinação. O PNI (Programa Nacional de Imunizações) é (ou já foi) referência mundial, por criar um calendário único de vacinação dentro de uma mesma estrutura, o SUS (Sistema Único de Saúde). Mas, recentemente, sofremos um duro golpe: o sarampo, que estava erradicado no país, voltou com força e matando. Sabe por que? Queda nos índices de vacinação. De acordo com os números mais recentes do Ministério da Saúde, a taxa de vacinação da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, passou de 102,3% em 2011 para 90,5% em 2018. O número está abaixo do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é de 95%. A taxa da vacinação da poliomielite caiu de 101,3% em 2011 para 86,3% em 2018. A cobertura vacinal da BCG era de 107,9% em 2011 e também caiu para 95,6% em 2018.

E assim o perigo começa a nos rondar. “Muitos pais nunca ouviram falar de pólio, rubéola e difteria. Por essa razão, não levam os filhos para se proteger”, disse o pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), em entrevista à Revista Veja.

Pois é. A geração atual de pais com filhos pequenos demonstra uma certa negligência e até falta de organização para levar seus pequenos para tomar vacina. Exatamente porque temos um sistema tão eficiente de vacinação, no primeiro ano de vida de um bebê, os pais precisam levá-los nove vezes para se vacinarem. E essa frequência caiu bastante na comparação com as décadas de 1990 e 1980, por exemplo. Os dados são do PNI.

O outro motivo para a queda é mais preocupante e absolutamente estarrecedor: cresce uma corrente de que a vacina faz mal ao ser humano e que, por isso, deve ser evitada. Tal teoria se baseia na maldade, ignorância e algum tipo de fanatismo religioso de quem a cria e na absoluta falta de senso crítico, bom senso e informação de quem a segue e acredita.

Não há absolutamente nenhuma pesquisa científica, em nenhum lugar do mundo, que aponte que qualquer tipo de vacina pode fazer mal à saúde. Ao contrário, óbvio. A campanha nacional deste ano de vacinação contra a gripe teve de ser prorrogada até terça-feira (30 de junho) porque, até o começo do mês vigente, apenas 63,53% das pessoas que deveriam ser imunizadas receberam a dose. Muito preocupante.

Espere, sim, pela vacina da Covid. Mas não se esqueça daquelas que já temos. Vacine-se. Vacine seus filhos. Vacine seus pais.

E use máscara ao sair de casa.

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável Técnica
pela AleNeto
Enfermagem

  • Publicado na edição impressa de 28 de junho de 2020